Streaming

Por Filipe Garrett, para o TechTudo


Streaming de vídeo, música e até de games é uma prática que ainda estava começando em 2010, mas que se popularizou nos últimos dez anos de forma fazer parte do cotidiano de muita gente. Dados de 2018 indicam que a Netflix, sozinha, era responsável por 18% do tráfego mundial de Internet. Atualmente, o Globoplay é líder nacional no seguimento, com mais de 20 milhões de assinantes apenas no Brasil. Enquanto isso, serviços de streaming de música foram responsáveis por quase 80% de todo o faturamento da indústria em 2019. A seguir, vamos relembrar a evolução do streaming nas suas diversas formas, desde seu surgimento, a chegada no Brasil, as novidades e inovações do setor na última década.

O TechTudo comemora 10 anos em dezembro de 2020! Desde o seu surgimento, em 2010, o site vem descomplicando a tecnologia para você e assim se consolidou como o maior portal de technology news do Brasil, segundo a Comscore. Para comemorar a data, o site lança uma série especial para relembrarmos como a tecnologia evoluiu nesse tempo. E conte com o TT para descobrirmos juntos o que nos aguarda pelos próximos anos!

Relembre a evolução do streaming de vídeo e música entre 2010 e 2020 — Foto: Divulgação/Globoplay

2010 e 2011

Serviços de streaming de vídeo começaram a operar nos Estados Unidos a partir de 2006. No entanto, é a partir da década de 2010 que essas plataformas ganharam adoção e redefiniram as formas pelas quais muita gente consome conteúdo, seja vídeo, música, filmes e séries, e mais recentemente até mesmo games.

Dois fatores tornaram essa mudança possível. Um deles é barateamento do acesso à Internet de banda larga, com velocidades suficientes para dar conta de transmissões de alta qualidade de imagem em tempo real. O outro é a popularização de dispositivos capazes de tirar proveito desses serviços, como novos televisores e smartphones.

Netflix chegou ao Brasil em 2011 — Foto: Rodrigo Fernandes/TechTudo

O ano de 2011 é marcante na história do streaming porque trouxe duas novidades importantes. Nos Estados Unidos, o Hulu passou a experimentar conteúdo exclusivo – produções criadas unicamente para sua plataforma de streaming. Enquanto isso, a Netflix chegou oficialmente ao Brasil, oferecendo planos de R$ 15 ao mês para acesso de um catálogo grande e bem variado de filmes e séries.

Também em 2011, o antigo Justin.tv criou um canal específico para games, chamado Twitch, que anos depois virou referência em termos de lives e transmissões de partidas e eventos de eSports.

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2012 e 2013

Em 2012, a ideia do streaming ainda despertava curiosidade e se popularizada no país. Por um lado, a conveniência de assistir o que quisesse, na hora que quisesse pagando um valor fixo por mês era atraente para muita gente. Por outro, a Netflix enfrentava críticas de um catálogo formado apenas por filmes e séries antigas e com pouca rotatividade na época.

Aposta em conteúdo exclusivo é uma das características marcantes de serviços de streaming — Foto: Divulgação/Netflix

Em termos de recursos, a grande novidade de 2013 foi o surgimento dos perfis dentro da Netflix. A ferramenta existe até hoje e consiste na criação de diversos perfis de uso diferentes dentro de uma mesma conta.

A ideia de produção de conteúdo exclusiva se fortaleceu e, em 2013, a Netflix estreou a série House of Cards com enorme sucesso. Exclusiva do serviço, a produção foi criada usando dados que mostravam que o público tinha um interesse latente em produções com o ator Kevin Spacey e que havia audiência atrás de um drama político. A série foi um enorme sucesso e a prática de serviços de streaming criando suas produções exclusivas de alto impacto se tornou algo comum.

2014 e 2015

Em 2014, o Spotify estreou no mercado brasileiro como uma opção de plataforma para streaming de música e podcasts, rivalizando com o Deezer, presente por aqui desde 2013. O serviço chegou ao Brasil de forma lenta e gradual, usando um sistema de convites que tornava o acesso à plataforma restrito. Quando foi finalmente aberto ao público, o Spotify passou a cobrar R$ 14,90 ao mês por um catálogo que dava espaço a artistas brasileiros e também internacionais.

Também em 2014, a Netflix viu uma produção sua disputar o Oscar pela primeira vez: The Square, um documentário sobre a crise política no Egito em 2013 esteve entre os indicados na categoria.

Spotify chegaria com streaming de música em 2014 — Foto: Marvin Costa/TechTudo

A acessibilidade dos serviços de streaming ainda é um trunfo desse tipo de serviço, mas a proposta não é mais tão barata quanto antes. Os preços de assinaturas começaram a aumentar em 2015, quando a Netlflix impôs um reajuste na assinatura que afetava também quem vinha assinando desde 2012 a preços bem mais baixos.

Em 2014, quem já tinha uma TV 4K em casa – e Internet rápida o suficiente – podia experimentar assistir filmes e séries nessa resolução por meio da Netflix. Até hoje, plataformas de streaming são uma das poucas formas pelas quais o consumidor pode encontrar conteúdo de resolução UHD.

Já em 2015, um destaque no streaming brasileiro foi a estreia do Globoplay, serviço de vídeos sob demanda do Grupo Globo. A plataforma começou mais tímida, reunindo produções do próprio grupo, mas hoje já conta com conteúdos exclusivos e grandes sucessos internacionais em seu catálogo. Em 2020, o serviço se tornou o streaming com maior número de assinantes no Brasil: são mais de 20 milhões de usuários.

2016 e 2017

Prime Video foi o primeiro concorrente de peso da Netflix a aparecer no Brasil — Foto: Helito Beggiora/TechTudo

Do ponto de vista do Brasil, 2016 foi um ano importante, porque marcou a chegada do Amazon Prime Video ao país. O serviço de streaming da Amazon veio como um concorrente direto à Netflix e trouxe vantagens como preço mais em conta, capacidade de download para assistir filmes e séries offline, além de produções exclusivas.

Já o ano de 2017 marcou a chegada da primeira produção brasileira ao catálogo do Netflix. A série 3%, com produção e elenco nacionais, foi transmitida não apenas para assinantes brasileiros, mas também para usuários de outros países do serviço. Ainda nesse ano, a Netflix implementou um recurso que aparecia em rivais: a capacidade de baixar filmes e séries para ver offline.

2018 e 2019

Em 2018, a Netflix experimentou uma inovação em termos de conteúdo. O episódio especial Bandersnatch, da série Black Mirror, tem formato interativo e permite que o usuário faça escolhas em diversos momentos da trama, que vão moldar seu desenrolar. Ainda em 2018, um dado marcante se tornou público: a Netflix então correspondia sozinha por 15% de todo o tráfego de Internet do planeta.

Apple TV+ entrou na jogada em 2019 — Foto: Reprodução/Helito Beggiora

Outra marca desse período é a popularização das plataformas de streaming, criando um cenário de grande fragmentação. Falando apenas de grandes plataformas, no Brasil é possível assinar Netflix, Amazon Prime Video, Apple TV+, Disney+, HBO Go, Globoplay e Telecine Play. Tanta oferta de serviços torna o processo de escolha mais confuso e pode encarecer o custo, caso o usuário decida que precisa assinar várias plataformas. Isso pode acabar acontecendo se as séries e filmes que você gosta estiverem espalhadas por várias plataformas diferentes.

Já a respeito de streaming de música, dados oficiais da associação americana de gravadoras (RIAA) indicam que esse tipo de serviço movimentou US$ 8,8 bilhões em 2019, valores que representam 79,5% de todo o faturamento da indústria no ano.

Também em 2019 estreou no Brasil uma proposta diferente de streaming: o DAZN. Focado em esportes, o serviço se destina a quem deseja curtir transmissões ao vivo, ou sob demanda, de competições esportivas que, muitas vezes, não têm espaço nos canais de TV.

2020

A grande novidade de 2020 em termos de streaming foi a chegada do serviço Disney+ ao mercado brasileiro. Com séries de TV e filmes, além de produções exclusivas como The Mandalorian, baseado no universo de Star Wars, a plataforma tem combo com o Globoplay e é mais uma concorrente no mercado cada vez mais acirrado de serviços de vídeo ao vivo pela Internet.

Serviço de streaming da Disney é a mais nova plataforma do tipo no Brasil — Foto: Caroline Doms/TechTudo

No ano marcado pela pandemia do coronavírus, serviços de streaming acabaram ainda mais relevantes na rotina de muita gente que teve que passar mais tempo em casa. Em alguns casos, as plataformas criaram ações promocionais e liberaram conteúdo gratuito. Também em 2020, a Amazon estreou o Prime Video Channels, que agrega canais ao serviço de streaming em pacotes cobrados separadamente.

Por fim, em agosto, a Microsoft anunciou a chegada oficial do xCloud: um serviço de streaming que permite jogar games recentes em qualquer dispositivo Android, basta apenas uma conexão estável com a Internet. O serviço da Microsoft é o primeiro do gênero oficialmente no Brasil e se assemelha a propostas como Google Stadia, PlayStation Now e Amazon Luna, todos disponíveis apenas no exterior.

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