Por Victor de Abreu, para o TechTudo


Games como Rainbow Six: Siege (R6) e DotA 2 são sucesso nos esports. Os jogos promovem torneios milionários no mundo inteiro e têm milhares de players ativos. Alguns títulos competitivos, no entanto, se destacam também por serem muito difíceis. Os games têm longas curvas de aprendizado e pedem mais tempo e treinamento para os jogadores chegarem ao topo dos rankings. A seguir, conheça alguns dos títulos competitivos mais difíceis da história dos videogames.

Street Fighter III é considerado um dos jogos de luta mais técnicos já feito — Foto: Reprodução/Victor de Abreu

Street Fighter III: Third Strike

Jogos de luta costumam ser convidativos para novos players, mas quem deseja jogá-los em alto nível precisa treinar muito. Entre tantos exemplos existentes, Street Fighter III: Third Strike se destaca. Lançado em maio de 1999, a terceira atualização do terceiro jogo da franquia Street Fighter trouxe novos personagens e muitas melhorias, tornando-se a versão definitiva do Street Fighter III. Além disso, toda a forma como o Third Strike foi desenvolvido o tornou tão técnico que um player de nível mais casual enfrenta dificuldades de apreciar de verdade o título.

Uma das mecânicas que faz do Third Strike ser um título tão querido por muitos amantes de jogos de luta é o Parry, um recurso que possibilita o jogador bloquear um ataque, que não seja um arremesso ou um Command Grab, sem levar qualquer tipo de dano. Além disso, o Parry faz com que aquele que o utiliza se recupere mais rapidamente do que o oponente, criando uma boa janela para realizar um contra-ataque. O princípio do Parry é bastante simples, mas após entender o básico, existe uma longa estrada até que ele seja utilizado de forma satisfatória em alto nível.

O Parry também exige que você não seja previsível de forma alguma, sob pena de perder a luta ou uma grande porcentagem da vida. Isso torna o Third Strike um jogo ainda mais baseado em Footsies, um termo que designa o controle de espaço dos jogadores em uma média distância, enquanto eles buscam uma janela para o ataque. O domínio do Parry e dos Footsies, além da necessidade de conhecer cada personagem, coloca Third Strike como uma dos games competitivos mais difíceis da história.

Super Smash Bros. Melee

Até hoje, Super Smash Bros. Melee está presente em competições como a DreamHack — Foto: Divulgação/DreamHack

Pode parecer estranho citar uma franquia que é, em teoria, focada na diversão dos fãs de personagens da Nintendo, mas esse caso é bastante específico. Lançado em novembro de 2001, Super Smash Bros. Melee virou uma febre, principalmente nos Estados Unidos, e foi capaz de construir um cenário competitivo gigante que está vivo até hoje. Apesar de ter sido tratado como um jogo casual em seus primeiros anos, a descoberta de técnicas consideradas avançadas, como L-canceling e Wavedash, fez com que o game se tornasse mais atrativo para o público hardcore e que ele fosse inserido no cenário dos esports.

Ano após ano, com novas descobertas e mudanças de metagame, Melee ficou cada vez mais complexo e difícil. O próprio criador do game, Masahiro Sakurai, admitiu em entrevistas que o jogo tornou-se muito hardcore. Aplicar técnicas avançadas em torneios passou a ser uma obrigatoriedade para aqueles que buscam estar entre os melhores, e essa tarefa não é nada simples, o que aumentou absurdamente a curva de aprendizado para chegar ao nível competitivo no game.

StarCraft

StarCraft 2 é um jogo bastante difícil de se dominar — Foto: Divulgação/Blizzard

RTS (Real-time strategy) é conhecido por ser um dos gêneros de games mais difíceis de dominar. Construir sua base, cuidar de seus recursos e formar, posicionar e evoluir unidades buscando destruir a base adversária é o objetivo principal do gênero. O conceito do RTS é simples, mas, na prática, ele pode ser muito avançado para jogadores novatos. StarCraft: Brood War tinha essa característica, assim como seu sucessor, o StarCraft II. O game foi lançado em julho de 2010 e segue até hoje como a principal referência de RTS atual, com um cenário competitivo sólido.

Como todo RTS, StarCraft II é um jogo multitask, o que significa que você terá de fazer diversas tarefas quase que ao mesmo tempo e com velocidade para que possa obter uma vantagem geral sobre seu adversário. Além da velocidade, também chamada de APM (Actions Per Minute), é necessário que as decisões dos jogadores sejam de fato efetivas. Esse é o conceito chamado de "Macro", a capacidade do jogador de gerenciar tudo, recursos, construções e unidades. Esse é um dos fundamentos que os players têm mais dificuldades de dominar e que diferencia um casual de um profissional.

Além de ter que saber lidar com as três raças, Terran, Protoss e Zerg, a necessidade de otimização em fazer tarefas simples e complexas e todas as mecânicas envolvidas no jogo torna o StarCraft II pouco atraente e até maçante para novos jogadores.

DotA 2

DotA 2 exige muita dedicação para aqueles que desejam chegar a níveis mais altos — Foto: Divulgação/Valve

O gênero MOBA (Multiplayer Online Battle Arena) é um dos mais famosos no cenário competitivo hoje em dia. Embora não esteja no nível de dificuldade do RTS, por exemplo, jogos como o DotA 2 exigem do jogador muita dedicação com o objetivo de conhecer uma enorme quantidade de personagens, habilidades, itens, mecânicas, estratégias e outros conceitos para que consiga evoluir. Nesse contexto, DotA 2 acaba se destacando entre os MOBAs por ser um pouco mais complexo para jogar em um nível competitivo.

O MOBA da Valve tem muitos itens ativos, aumentando o número de combinações que os jogadores podem fazer com seus heróis e também a variedade de opções e estratégias durante o jogo. Também existe a mecânica conhecida como Deny, o ato de eliminar creeps aliadas para impedir o oponente de pegar recompensas. Alguns heróis também demandam um enorme esforço para que o jogador possa utilizar de todo o seu potencial, como o Invoker e o Meepo. Esses e outros detalhes, como o próprio macro em geral, fazem o DotA 2 também ter uma larga curva de aprendizado.

Raibow Six: Siege

Rainbow Six: Siege é um FPS complexo e que conta com uma enorme variedade de estratégias — Foto: Reprodução/Ubisoft

O First-person shooter (FPS) é um dos gêneros mais famosos nos esportes eletrônicos. Trata-se de um estilo de jogo que também exige muito dos jogadores que almejam chegar nas grandes competições. Ter uma boa mira, aprender os mapas principais, saber qual estratégia aplicar em cada situação, ter noção de como usar itens utilitários, entre outros, são alguns dos diversos pontos que os jogadores precisam aprender em um FPS. Mas em relação à dificuldade de chegar ao alto nível, um dos games que chama a atenção atualmente é o Rainbow Six: Siege, lançado em abril de 2015.

Considerado um Tactical FPS, ou FPS Tático, Rainbow Six: Siege tem o diferencial de ter dezenas de agentes com diferentes habilidades entre si. Com tantas mecânicas envolvidas, a quantidade de estratégias nos jogos se torna gigante. A cada round, é necessário ter um plano do jogo bem específico e adaptá-lo para reagir rapidamente caso a situação mude. Somado às habilidades necessárias para se jogar um FPS comum, Rainbow Six: Siege também exige muito estudo para queo player saiba qual é o agente necessário para determinada situação e as estratégias para aplicar nos mapas competitivos.

Rocket League

Alguns jogadores profissionais de Rocket League consideram ele o jogo mais difícil do mundo de se dominar — Foto: Divulgação/Psyonix

Rocket League também tem o seu lugar entre os jogos mais difíceis de se aprender. Lançado em julho de 2015, o game de futebol com carrinhos chegou com uma proposta muito simples: controlar carrinhos e levar a bola até o gol. Porém, o jogo conta com diversos recursos que possibilitam melhorar sua movimentação, ter mais controle de bola, acertar a bola mais forte, evitar seus adversários e, dessa forma, conquistar suas vitórias. Como esperado, a quantidade de dedicação para dominar os conceitos do Rocket League a um nível alto também é grande ao ponto de até jogadores profissionais admitirem que ainda têm muito a aprender.

Outros conceitos de Rocket League envolvem como saber aproveitar o máximo possível de todas as superfícies, compreender as melhores técnicas para defender seu gol e também utilizar do mindgame para enganar seus adversários de diversas formas.

Quake

Quake Champions é outro FPS que também tem sua própria liga profissional — Foto: Divulgação/Steam

Quake é uma das franquias que esteve presente nos primórdios do esportes eletrônicos e que, apesar de não ter a mesma força hoje em dia, segue com um cenário competitivo com a versão mais atual, Quake Champions, lançada em agosto de 2017. A franquia faz parte de um sub-gênero do FPS conhecido como "Arena Shooter", um estilo de jogo que coloca os players para duelarem em um deathmatch em uma arena com armas, munições e power-ups espalhados por todo o lugar. Geralmente, esse duelo acontece no modo um contra um ou dois contra dois.

Quake é um jogo difícil de dominar por diversas razões. Entre elas, está a simples tarefa de se movimentar. Correr no jogo é um ato bastante lento, o que faz os jogadores de alto nível optarem por outras técnicas para aumentar a velocidade, como o Strafe Jumping e o Crouch Slide. Quake ainda exige um conhecimento vasto de mapa e da localização de cada item para não ficar sem munição, armas, armaduras, energia, entre outros.

Por fim, o duelo armado pode ser outro enorme desafio, visto que muitas armas requerem que você preveja os movimentos dos adversários para acertá-los. Atingir os inimigos é ainda mais difícil quando eles dominam essas técnicas de movimentação.

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