Por Thássius Veloso

Divulgação/LariCel

A notícia de que “Larissa Manoela lança operadora de telefonia celular” causou burburinho e muita curiosidade na última semana. Seria possível uma jovem de 20 anos competir num mercado multibilionário? Ninguém melhor do que a própria atriz, cantora e empreendedora para responder esta questão. Na quarta (09), eu passei 40 minutos numa conversa com ela – via celular, claro! – para saber o que é a LariCel.

Sim, Larissa passa a estampar um serviço de telecomunicações. Ela me revelou com exclusividade que foram vendidos 2 mil chips da Larissa Manoela em menos de uma semana, número considerado um “sucesso” por ela. E vem mais por aí: a atriz abre o jogo sobre planos no futuro e sonha com benefícios exclusivos para os fãs. Não descarta, por exemplo, abrir a mansão de Orlando, nos Estados Unidos, para assinantes.

Larissa Manoela em vídeo oficial — Foto: Reprodução/Larissa Manoela

Sei que você quer ler o bate-papo com o rosto da LariCel. Antes disso, porém, cabe explicar que o serviço é classificado como MVNO, uma espécie de operadora virtual. O formato é autorizado pela Anatel e está em uso por Correios Celular, Fluke e Veek. O plano básico, que custa R$ 25, traz pouca internet – apenas 1,5 GB –, mas concede acesso ilimitado ao WhatsApp. Já o mais parrudo sai a R$ 75 com franquia de 15 GB.

A empresa por trás do projeto é a Dry Company, que contrata capacidade de transmissão da TIM. Além da Larissa, ela também fornece serviços e chips de telefonia de Botafogo, Corinthians, Flamengo, Grêmio, Palmeiras e outros clubes esportivos. O projeto da LariCel vem sendo desenhado há um ano.

Por que se meter num setor tão competitivo?

Eu já vinha fazendo algum suspense nas minhas redes sociais. Ficou um ponto de interrogação na cabeça das pessoas… ninguém esperava, o que causou todo este rebuliço. A novidade balançou o setor de empreendedorismo por ser ousado e novo no Brasil. O formato em si já é bem conhecido no exterior. Decidi unir esforços com a Dry Company. Eles são conhecidos pelos chips de times, mas é a primeira vez que um artista tem essa possibilidade. O intuito não é apenas levar 4G para o smartphone dos clientes, mas sim gerar conexões com as pessoas que me seguem.

Quem você imagina como público da LariCel?

Inicialmente penso em atrair as pessoas que buscam meus produtos, desde os físicos até a minha arte – seja na música, na dramaturgia. São principalmente crianças, adolescentes e jovens. Estamos pensando em benefícios especiais que vão além do serviço de telecomunicações, como talvez abrir a minha casa em Orlando para as pessoas que mais interagiram. Quero algo direto comigo. No futuro, pretendemos lançar planos familiares, para que o pai ou a mãe também estejam na LariCel.

Seria um acesso VIP?

Dá para chamar assim. Ainda estamos observando a repercussão do assunto. Depois deste feedback, queremos viabilizar a ideia. O acesso à minha casa é uma possibilidade no futuro.

Você é atriz e cantora, está no cinema e na TV. Telecom parece algo distante desse mundo. O que viu de legal no projeto da LariCel?

Eu sou porta-voz de uma geração que vem para revolucionar. Pensei fora da caixinha, saí das questões mais óbvias. Percebi com a Dry Company que uma operadora de telefonia seria um marco para adolescentes que estão sempre conectados.

Planos da LariCel começam em R$ 25 — Foto: Reprodução

A gente sabe que o serviço de telefonia é muito irregular no Brasil. O sinal pode cair, pode ficar lento. E se for uma experiência ruim para os clientes?

Temos total noção de que isso pode acontecer e levamos como inspiração as outras empresas que já estão no mercado. A gente compartilha a infraestrutura de rede [da TIM] e distribui a conexão. O retorno dos novos consumidores vai me ajudar a entender e ajustar estes pontos. Estamos numa construção. Queremos compreender a reação do público, sabendo a possibilidade que alguns pontos não sejam tão bem aceitos.

O assunto dominou as redes sociais e deu margem para memes, claro. Quais foram as repercussões que mais te chamaram a atenção?

Tudo foi muito maior do que eu imaginava. Antigamente dava para achar meu número no Google, por exemplo. Brincaram que eu estava cansada disso e que decidi abrir uma operadora! A reação foi um misto de surpresa, curiosidade e sentimento de que somos inovadores. Também consegui captar algumas ideias para seguir evoluindo com o projeto.

Este é um projeto de longo prazo?

Ainda somos um nenenzinho dando os primeiros passos. Ainda queremos crescer muito enquanto serviço. A ideia é ter nosso espaço.

Página estimula a portabilidade de outras operadoras para a LariCel — Foto: Reprodução

Quando você pensa no futuro – talvez distante –, quais são as tecnologias que gostaria de usar?

A gente já vive com inovações muito à frente do que eu imaginava. Eu vejo muito filmes e estou totalmente imersa na dramaturgia, já que vivo essa realidade. Então visualizo o teletransporte. Será que teremos isso? Será que vamos viajar no tempo? Seria interessante. Carros voadores também são uma possibilidade. São temas ousados, mas talvez se tornem realidade um dia.

O que você usa diariamente no seu smartphone?

O celular virou uma extensão do nosso braço, a gente não vive sem. A minha rotina inclui contatos, entrevistas como essa, as redes sociais. Mas eu tenho um limite de uso. O meu filme “Modo Avião” mostra que não pode ser nem além, nem aquém. O meu iPhone me permite ver [com a função Tempo de Uso] se exagerei num dia. Se for o caso, eu tento me regrar melhor no dia seguinte. Viver o virtual tá sendo muito importante na pandemia, mas deu a noção do quanto precisamos do real.

Lançado em 2020, o filme “Modo Avião” está na Netflix — Foto: Reprodução/Netflix

Você tem mais de 38,4 milhões de seguidores no Instagram e 2,5 milhões no Twitter. O que não pode faltar num post seu?

Eu parto do princípio de que é preciso ser eu mesma, sem máscaras. Eu sou essa pessoa humana, que fala de empatia, que detesta desigualdade. Ter personalidade e ser transparente ajuda a passar o que você tem de mais verdadeiro. Gosto da máxima de que você é o que escolhe ser. Uso isso todos os dias.

Sendo tão ativa nas redes... você já se perdeu no personagem?

Só tenho personagem nos meus trabalhos! Nos filmes, nas séries, nas novelas. A Larissa real é a que está na internet. Às vezes as pessoas brincam dizendo que eu pareço um robô, mas essa sou eu mesma. Tenho maturidade para tratar dos assuntos e mando a real. E é por isso que o público chega ao meu conteúdo.

Thássius Veloso é jornalista especializado em tecnologia, setor que cobre há dez anos. É editor do TechTudo e comentarista da CBN e da GloboNews. Entre em contato pelo email thassius@edglobo.com.br.

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