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Por Filipe Garrett, para o TechTudo


FidelityFX Super Resolution (FSR) é a resposta da AMD ao DLSS 2.0, tecnologia semelhante da Nvidia. Com promessa de qualidade 4K e performance 2,4 vezes superior em games, a técnica vai funcionar não apenas em sistemas com placas Radeon, mas também em computadores com GPUs GeForce. O upscaling permite que jogos sejam apresentados em resoluções finais superiores à qualidade nativa em que o título está rodando.

O suporte vai desde PCs e notebooks até consoles, com suporte aos mais novos PlayStation 5 (PS5) e Xbox Series X|S. Segundo a AMD, a técnica, que está disponível abertamente a qualquer desenvolvedor, já é prevista em mais de 45 games no mercado e não exige placas da marca para funcionar.

Tecnologia de upscaling da AMD não estará restrita à placas da marca: FSR é compatível com as GeForce da Nvidia — Foto: Divulgação/AMD

Segundo a AMD, o FSR terá vários perfis de acordo com os jogos, oscilando entre maior performance, em que a resolução nativa é mais baixa, e maior qualidade, em que o jogo roda com uma resolução nativa maior, mas ainda inferior à resolução de saída compatível com o monitor ou TV.

Para entender melhor essa noção de diferentes resoluções, basta imaginar que a placa de vídeo é responsável por criar todas as imagens do jogo várias vezes por segundo. Se a resolução nativa do game for baixa, a GPU precisa processar um total de pixels menor, ganhando assim mais fôlego para fazer o trabalho de forma rápida e atingir performance maior, medida em quadros por segundo (fps).

Entretanto, essa resolução interna inferior, se enviada à tela, pode desagradar: monitores e TVs com alta resolução exibiriam o jogo em alta performance, mas com visuais de menor definição e com aspecto pixelado. O FSR funciona como uma etapa anterior ao envio da imagem à tela, desenvolvendo a resolução interna do jogo em outra maior, como o 4K. A ideia é não "penalizar" a performance e entregar um resultado final parecido com a qualidade que o jogo teria se estivesse rodando em 4K de forma nativa.

Imagem mostra resultados do FSR ativado em Godfall rodando em uma GeForce GTX 1060: à esquerda, resolução nativa. Na direita, FSR acionado e resolução nativa mais baixa — Foto: Divulgação/AMD

No material de divulgação liberado à imprensa, a AMD demonstra os resultados da técnica em alguns games que já oferecem suporte à novidade. Entre eles, Godfall, que, nos testes, é renderizado nativamente a 1920 x 1080p no modo performance, ganhando um fator de escala de 2x para ser entregue visualmente como 4K. O resultado é uma exibição sem muitas diferenças frente à versão 4K nativa.

Para o modo qualidade, o jogo é executado internamente a 2954 x 1662 pixels, mas o FSR entra em ação para aumentar a resolução final e entregar imagem a 4K. Na simulação oferecida pela AMD, todo o teste se deu com uma RX 6800 XT, rodando o game no ultra e com Ray Tracing.

No modo de qualidade máxima, o desempenho aferido ficou em 87 fps contra 59 fps do modo 4K nativo, sem FSR. Já no modo alta performance, que rodou o jogo internamente a 1080p, a AMD afirma ter alcançado 145 fps, um ganho bastante expressivo diante do que sistema e placa gráfica conseguem de forma "natural".

AMD FSR vs Nvidia DLSS 2.0

Embora possa ser superior, DLSS 2.0 da Nvidia está confinado à placas RTX — Foto: Divulgação/Nvidia

Embora possa ser posicionada como uma opção à solução da Nvidia, a abordagem da AMD aposta em um caminho diferente, e isso pode ter impacto no tipo de resultados que o FSR permite diante do DLSS. A grande mudança aqui é que a tecnologia da Nvidia usa processamento de Inteligência Artificial, oferecido em núcleos disponíveis nas placas GeForce RTX. Já a AMD criou uma tecnologia via software, que independe de hardware em si para funcionar.

Como a IA do DLSS usa um tipo de aproximação e inferência em que o aprendizado de máquina se sobressai, é possível que games com DLSS 2.0 se saiam melhor na tarefa de parecer 4K com boa performance. A vantagem do FSR da AMD é ser um padrão mais aberto: qualquer desenvolvedor pode aplicar a técnica em seus games, ciente de que ela é compatível com placas AMD e mesmo da Nvidia, além dos consoles. Quem decidir suportar DLSS terá de fazê-lo pensando em uma opção acessível apenas a jogadores com placas GeForce RTX.

Não é a primeira vez que as duas fabricantes seguem esse caminho. O formato FreeSync da AMD é aberto e não representa custos a fabricantes de monitores, enquanto o G-Sync da Nvidia é pago e aparece em menos modelos. Em 2019, a Nvidia acabou abrindo um pouco mais e começou a aplicar suporte ao FreeSync em suas GPUs GeForce.

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