Telefonia

Por Sarah Gomes, para o TechTudo

Reprodução/EllaLink

O primeiro cabo submarino que liga o Brasil e a Europa foi inaugurado no começo de junho em Portugal. O cabo de fibra ótica possui 6 mil metros de extensão, fica a 4 mil metros de profundidade no Oceano Atlântico e conecta diretamente as cidades de Fortaleza, no Brasil, e Sines, em Portugal. A novidade abre as portas para um acesso de alta qualidade, além de reduzir a latência em até 50% e aumentar a velocidade de transmissão dos dados.

O projeto milionário foi financiado pela empresa EllaLink, pela Comissão Europeia e pelo Governo Federal brasileiro, por meio do Ministério da Ciência Tecnologia e Inovações (MCTI). Para entender melhor a importância do cabo submarino, o TechTudo responde as principais perguntas sobre o tema.

Chegada de fibra ótica ao litoral — Foto: Reprodução/EllaLink

O que é um cabo submarino?

Os cabos submarinos são feitos de fibra ótica e possuem isolamento especial. Como o próprio nome diz, os cabos são instalados no assoalho oceânico. São comumente utilizados em redes internacionais de telecomunicações e interligam países e continentes. No Brasil, essa tecnologia também é utilizada para fazer a conexão entre as cidades do litoral. Os cabos conseguem transmitir todo tipo de dados digitais, como mensagens de texto, áudio, imagens e vídeos, de um ponto a outro. Essa tecnologia é essencial para utilizar a internet da forma como conhecemos atualmente.

Por que conectar Brasil e Europa?

O novo cabo é o primeiro a conectar diretamente a América Latina à Europa. Nos demais cabos utilizados atualmente no Brasil, as informações passam pelos Estados Unidos, e graças ao novo cabo ótico isso não será mais necessário. A infraestrutura permite fluxo de dados de 100 Terabits por segundo e latência de 60 milissegundos. São quatro pares com 25 Terabits por segundo cada, de acordo com a empresa responsável. O contrato para utilização do cabo terá duração de 25 anos.

Ou seja, o cabo submarino permite maior tráfego de dados, com alta velocidade e com menor latência - tempo necessário para a transmissão de dados. Do ponto de vista científico, essa conexão vai aumentar as oportunidades de estudo e pesquisa entre a América Latina e a Europa, bem como o acesso a equipamentos científicos localizados em ambos territórios.

O cabo óptico proporcionará melhorias para o mercado financeiro, negócios digitais, serviços na nuvem, suporte para tecnologia 5G e mais qualidade nos serviços de streaming e jogos online.

Novo cabo que liga a América Latina a Europa traz diversos benefícios — Foto: Foto: Ministério da Comunicação/Reprodução

Quanto tempo demorou para construir?

O projeto do cabo submarino que liga o Brasil e a Europa começou a ser idealizado em 2013, mas a construção só começou em 2018. Ao todo foram necessários, aproximadamente, três anos para conclusão da obra.

Quem são os donos do cabo submarino?

O custo total do projeto ficou em 150 milhões de euros, cerca de R$ 885 milhões em conversão direta. Nem todos os detalhes financeiros foram divulgados, mas é sabido que o governo brasileiro entrou com 8,9 milhões de euros e a Comissão Europeia bancou 25 milhões de euros.

A EllaLink enviou o seguinte esclarecimento ao TechTudo: “O aporte da UE e do governo brasileiro foi feito no Consórcio BELLA (Building the Europe Link to Latin America), formado pelas redes de pesquisa e educação GÉANT (Europa) e RedCLARA (América Latina), que vão usar o cabo para trocar dados de pesquisas. O BELLA, juntamente com Cabo Verde Telecom e Emacom (Ilha da Madeira), não têm participação acionária no empreendimento – são clientes âncora, que vão usar os recursos empregados para utilizar o cabo.”

A internet vai ficar cara?

Apesar do alto investimento necessário para a instalação dos cabos submarinos, não há informações de que o valor da internet sofrerá alteração para os consumidores. O que se sabe é que a nova estrutura trará avanços para os serviços, como maior rapidez para a transmissão de informações, suporte para 5G e serviços na nuvem.

iPhone 12 é o primeiro com internet 5G — Foto: Reprodução/Apple

Além disso, o compartilhamento de informações científicas e culturais entre os países também receberá melhorias.

Este tipo de coisa é comum?

Os cabos submarinos são essenciais para a transmissão de dados – sejam de telefone, internet ou outros dados. No Brasil, o primeiro cabo totalmente submarino foi inaugurado em 1874 e conectava o Rio de Janeiro, Salvador, Recife e Belém. Posteriormente, novos cabos foram lançados para interligar o país com diversos territórios do mundo. A capital cearense, onde o cabo EllaLink está ancorado, possui 16 cabos em operação que conectam o país com a África, Europa, América do Norte, América Central e América do Sul. Por isso, é considerado o ponto de maior entroncamento de cabos do mundo, segundo o governo estadual.

Com informações do Governo Federal (1/2)

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