Privacidade

Por Clara Fabro, para o TechTudo

Arte/TechTudo

O Voilà AI Artist, aplicativo que transforma foto em caricatura, tem chamado a atenção do público durante as últimas semanas. Segundo análise dos termos de privacidade do app, feita pela empresa de cibersegurança Kaspersky nesta terça-feira (8), uma cláusula do Voilà afirma que as fotos utilizadas no aplicativo se tornam propriedade da empresa, o que levanta debates sobre segurança. Contudo, a empresa considera que o aplicativo Voilà é confiável porque o app tem monetização própria e não apresenta comportamento malicioso.

O editor de caricaturas Voilà AI Artist caiu nas graças da Internet recentemente: o Google Trends, plataforma que avalia as tendências de busca na web, revela que pesquisas sobre o app cresceram mais de 5000% nesta semana. Com o crescimento repentino do aplicativo de desenho, questionamentos sobre segurança e privacidade de dados de reconhecimento facial dos usuários ficaram em evidência. Procurado pelo TechTudo, desenvolvedores do Voilà AI Artist declararam que "Não armazenamos as fotos de usuários em servidos; nós não temos acesso às imagens processadas pelo aplicativo. As fotos são usadas apenas para gerar caricaturas, e elas não são usadas para bancos de dados ou aprimoramento dos nossos serviços".

App que transforma foto em desenho é seguro? Veja possíveis riscos de usar o Voilà AI Artist — Foto: Rodrigo Fernandes/TechTudo

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Os pesquisadores da Kaspersky indicam que essa cláusula dos termos de privacidade suscita questionamentos sobre os possíveis usos dessas imagens enquanto "propriedade" da desenvolvedora do app. Apesar disso, os especialistas afirmaram que, como o Voilà exibe muitas propagandas e tem modelo de monetização, é provável que o interesse comercial — ou seja, a venda de fotos dos usuários — não seja principal objetivo do aplicativo.

Os termos de privacidade do Voilà AI Artist determinam que as imagens e dados de reconhecimento facial do usuário são usados apenas para o recurso de caricatura do aplicativo. A política do app também estabelece que as informações pessoais coletadas pelo serviço são excluídas dos servidores Google Cloud Platform do Voilà dentro de um período de 24 a 48 horas desde o último uso da foto no aplicativo. Ao TechTudo, os desenvolvedores explicaram que as imagens não são armazenadas e que eles não têm acessos a elas.

Mas a Kaspersky lembra que é possível que as imagens sejam utilizadas para treinar e aprimorar tecnologias de Inteligência Artificial (AI) e reconhecimento facial, de maneira similar ao que é realizado pelo FaceApp. O aplicativo ficou bastante famoso em 2017 e voltou a bombar em 2020, usando fotos dos usuários para mostrar como ficariam se fossem mais velhos ou tivessem o gênero oposto. No caso do app Voilà AI Artist, a equipe alegou que não usa as fotos para aprimorar o serviço.

O FaceApp foi um sucesso para deixar as pessoas mais novas, mais velhas ou com aparência do sexo oposto — Foto: Rodrigo Fernandes/TechTudo

Na época, os especialistas também criticaram os termos de uso e de privacidade do FaceApp, afirmando que as políticas do aplicativo eram muito "vagas" e não ofereciam proteção aos usuários. Diante da polêmica, a empresa passou a veicular informações que permitiam aos usuários remover seus dados dos servidores do app.

De acordo com o analista sênior de segurança da Kaspersky, Fábio Assolini, os maiores riscos trazidos pelas tecnologias de reconhecimento facial podem ser possíveis ataques hackers ao sistema de armazenamento de dados dessas empresas. Dessa forma, as informações dos usuários seriam utilizadas para burlar plataformas que têm a tecnologia como senha ou forma de autenticação, na intenção de aplicar golpes. Assim, uma pessoa que usa reconhecimento facial como senha para acessar informações bancárias, por exemplo, poderia ter suas informações roubadas caso houvesse um ataque cibernético à desenvolvedora do Voilà.

Fábio Assolini também destacou que, se as imagens passam a ser de propriedade da empresa, a companhia deve ser responsável em seu armazenamento de dados, buscando servidores seguros. Segundo o analista, "uma vez que as imagens passam a ser da empresa, é ela que tem a responsabilidade de protegê-las e garantir que cibercriminosos não terão acesso ao banco de dados".

Como se proteger de apps do tipo

Segundo Assolini, os brasileiros estão ficando cada vez mais preocupados com a sua privacidade na Internet. Uma pesquisa encomendada pela Kaspersky em 2019 mostrou que cerca de 60% dos brasileiros não liam as políticas de privacidade dos aplicativos — número que diminuiu para 22% em 2020. Além disso, a empresa de segurança também dá dicas para se proteger de possíveis aplicativos maliciosos.

Uma delas é conferir o desenvolvedor do aplicativo antes de baixá-lo. Assim, você evita baixar apps falsos, que costumam utilizar nomes de pessoas ou nomes falsos de empresas. Outra dica é baixar sempre os apps das lojas oficiais, já que eles passam por análises que diminuem as chances de virem acompanhados de programas maliciosos.

Além disso, também é importante ler os termos de uso e as políticas de privacidade dos aplicativos antes de baixá-los. Dessa forma, você evita surpresas desagradáveis com o uso de seus dados.

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