Por Yuri Hildebrand


Steve Wozniak, cofundador da Apple junto a Steve Jobs, declarou apoio ao movimento “right-to-repair” – direito ao reparo, em tradução livre. A proposta é facilitar o acesso de usuários a peças e informações necessárias para o conserto de seus próprios dispositivos, algo limitado por políticas de muitas empresas. Entre elas, está a maçã, que costuma ganhar notas baixas no índice de reparabilidade do iFixit, como aconteceu no mais recente iMac com processador M1.

O movimento “right-to-repair” tem ganhado força nos EUA e no Reino-Unido. Em contrapartida, há uma resistência por parte de gigantes da tecnologia alegando riscos de segurança em consertos feitos pelos usuários de forma independente. O TechTudo entrou em contato com a Apple para saber o posicionamento da empresa sobre o assunto – e também a respeito da fala de Wozniak –, mas ainda não obteve resposta.

Steve Wozniak se posicionou a favor do movimento "right-to-repair", que prevê maior liberadade do usuário para realizar consertos independentes em seus produtos — Foto: Reprodução

O depoimento de Steve Wozniack foi feito para a rede social Cameo, plataforma que permite ao usuário pagar por vídeos de celebridades. Nesse caso, a solicitação foi feita por um ativista do “right-to-repair” ao cofundador da Apple.

De acordo com o cofundador da gigante de Cupertino, essa liberdade para realizar reparos de forma independente é importante sobretudo para a educação, estimulando “mentes criativas”.

No conteúdo, Steve afirmou que a maçã não existiria caso ele não tivesse “crescido em um mundo tecnológico bastante aberto”. O primeiro computador da empresa, Apple I, só foi possível pela capacidade de consertar aparelhos por conta própria.

Apple-1 só foi possível pela capacidade de consertar e modificar peças por conta própria, segundo Wozniak — Foto: Reprodução/eBay

Wozniak deu ainda como exemplo um dos sucessos da maçã no mercado, o Apple II, cujas unidades eram enviadas com detalhes de sua construção. Segundo ele, mesmo com a plataforma aberta, essa foi a principal fonte de lucro da fabricante na primeira década de existência.

Confira o vídeo de Steve Wozniak na íntegra:

As declarações de Wozniack vão de encontro com o que propõe a Apple em seus produtos. O iFixit, site especializado em desmontar novos dispositivos e mostrar passo a passo como eles são construídos, não costuma dar boas notas para modelos da maçã no índice de reparabilidade. Isso significa que as máquinas são difíceis de consertar e o usuário não tem muitas opções a não ser recorrer a uma autorizada para realizar o reparo.

O MacBook Pro de 16 polegadas, por exemplo, lançado em 2019 e ainda disponível para comprar no Brasil, ganhou nota 1, enquanto o iMac com M1, computador mais recente da marca, ficou com 2 no conceito, que vai até 10. Além disso, o processador de fabricação própria por si só já limita o acesso do usuário à memória RAM, que vem soldada diretamente no chip.

O TechTudo entrou em contato com a Apple para saber o posicionamento da fabricante tanto em relação ao movimento "right-to-repair", quanto sobre o que falou Wozniak, mas não obteve resposta até o fechamendo da matéria.

Com informações de BBC (1 e 2), iFixit (1 e 2) e YouTube

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