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Por Filipe Garrett, para o TechTudo


A Intel decretou que vai descontinuar processadores Lakefield, lançados em 2020. A medida chama atenção por conta do pouco tempo de mercado, além de contarem com design ambicioso que promete maior eficiência energética para notebooks ultrafinos. Entre os modelos equipados com chips da linha estão o Galaxy Book S, da Samsung, que chegou ao Brasil em 2021 trazendo o Core i5 L16G7, e o ThinkPad X1 Fold, da Lenovo, que vem com o Core i3 L13G4 e não foi lançado por aqui.

Processadores híbridos da linha Lakefield serão descontinuados; design inspirado em chips de celular era novidade — Foto: Divulgação/Intel

Embora esse tipo de processo seja natural, acontecendo conforme a Intel lança novos produtos – boa parte das unidades divulgadas já têm suas substitutas de 11ª geração –, o fim da linha para processadores costuma envolver unidades com mais tempo no mercado. Os Lakefield têm proposta diferente de outros modelos da Intel, trazendo núcleos de alta velocidade com unidades Atom, mais lentos, em uma tentativa de entregar menor consumo e "imitar" CPUs ARM de celulares.

O site AnandTech lança algumas luzes a respeito de problemas com a tecnologia do chip e que podem ter encorajado a decisão da Intel. O primeiro problema é que o suporte no Windows para transitar entre núcleos de baixa velocidade e unidades de alta ainda não é maduro o suficiente para arquitetura x86, levando a problemas de performance.

Samsung Galaxy Book S era um dos modelos com Core i5 Lakefield; desempenho não surpreendeu, mas bateria foi bem — Foto: Yuri Hildebrand/TechTudo

Para a experiência de uso ser ideal, tarefas que dependem de maior velocidade – como o touchscreen em dispositivos como o Galaxy Book S – são enviadas para o núcleo de alta velocidade. Entretanto, se o suporte a essa transição não for maduro o suficiente, esse processo pode ser lento. Em nosso review, o notebook com Lakefield agradou na autonomia, mas não impressionou no desempenho.

Além do agendamento de tarefas e migração de linhas de execução entre núcleos lentos e rápido, a publicação também observa que produtos com Lakefield têm custo premium e costumam ser comparados a ultrafinos com processadores atuais com núcleos de alta velocidade. Portanto, o valor não acompanharia a performance nessa comparação.

Toque na tela exige uso dos núcleos de alta velocidade; caso o suporte não seja maduro o suficiente, pode ficar mais lento — Foto: Yuri Hildebrand/TechTudo

Outro detalhe técnico sobre esses processadores é o uso da tecnologia Foveros, que permite à Intel montar os chips em diferentes níveis. A camada inferior vem com componentes de entrada e saída, que controlam o fluxo de dados pelo PC, no meio estão os núcleos e, no topo, a memória RAM, emulando o que fazem componentes ARM em celulares. Essa organização permite economizar espaço e reduzir custos de manufatura, além de garantir uma troca mais rápida de dados com a RAM.

Embora a experiência da Intel com a série possa não ter sido tão bem sucedida, essas noções de design serão aplicadas na próxima arquitetura Alder Lake da marca, que vai trazer o conceito para processadores de desktop. Acompanham os Lakefield no processo de fim da vida modelos de décima geração das famílias Ice Lake-U e Comet Lake-U, como Core i7 10810U e i7 1065G7, ambos bem comuns em notebooks comercializados no Brasil.

Com informações de Computer Base, AnandTech e VideoCardZ

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