Celulares

Por Thássius Veloso

Divulgação/Xiaomi

A Xiaomi tem planos de lançar mais lojas físicas no Brasil. Hoje em dia, a marca chinesa conta com duas unidades na cidade de São Paulo, e outras mais estão no radar. É o que revela Tony Chen, gerente-geral da Xiaomi na América Latina, em entrevista exclusiva.

O dirigente também disse que a empresa não tem o desejo de se tornar ultra-lucrativa, tal qual aconteceu com Apple. No mês passado, os chineses ultrapassaram os americanos e agora ocupam o segundo lugar no ranking global de venda de celulares, atrás apenas da Samsung.

Chen contou que o Redmi 9A figura entre os queridinhos dos brasileiros. A conversa também passou pelo alto volume de celulares não oficiais. É normal esbarrar em comentários de clientes contando vantagem por terem comprado aparelhos a preços muito mais baixos do que na loja oficial. Apesar do gritante mercado cinza, por ora o chefão da Xiaomi não demonstrou preocupação com o tema.

Redmi 9A tem traseira texturizada e tela em formato 20:9 — Foto: Divulgação/Xiaomi

A Xiaomi recentemente ultrapassou a Apple e se tornou a segunda maior vendedora de celulares do planeta em volume de aparelhos. Como vocês trilharam este caminho?

É a primeira vez que nós chegamos a este resultado. Nossa intenção é de permitir a todos no mundo que aproveitem a tecnologia a um preço acessível. Nós temos muita confiança para implementar esta visão de negócio em mais mercados.

A Xiaomi ganhou o apelido de “Apple chinesa” no passado. Como é ultrapassar a própria Apple?

A Apple é uma grande companhia. Já na Xiaomi nós somos únicos porque temos nossa unidade de serviços. Nosso objetivo é dar ao consumidor a possibilidade de aproveitar uma vida mais inteligente e fácil. Nós temos a maior plataforma de IoT – Internet da Coisas – do planeta.

Quais os planos para as lojas próprias?

Nós vamos lançar mais lojas Mi Store e expandir a Xiaomi no Brasil. Ainda estamos trabalhando nisso com nossos parceiros para estruturar um plano. Vamos divulgar mais informações em breve.

A Apple ainda lidera o mercado com folga quando o parâmetro é receita proveniente de smartphones (no caso dela, os iPhones). Como a Xiaomi trabalha para se tornar mais lucrativa?

Nós precisamos continuar os investimentos em pesquisa e desenvolvimento (R&D, na sigla em inglês). Nosso CEO anunciou que jamais cobraríamos mais do que 5% de margem de lucro. Caso isso aconteça, nós vamos devolver o lucro aos compradores. Nossa empresa não é focada em ser lucrativa, mas sim em levar inovação a todos. Lógico que o lucro é importante, mas talvez não tanto quanto em outras empresas.

Como o consumidor brasileiro se diferencia do restante do mundo?

Nós ainda não temos uma grande participação no mercado brasileiro de celulares. Ainda assim, nossa base de fãs é gigantesca, com mais de 2 milhões de seguidores. Isto prova que a Xiaomi é bem recebida pelos brasileiros. Nossos produtos incríveis são acessíveis e estão em várias faixas de preço.

Loja Mi na Malásia — Foto: Divulgação/Xiaomi

Vocês pretendem inaugurar fábricas no Brasil?

Este assunto está em discussões internas. Antes de decidir qualquer coisa nós precisamos compreender bem as regras locais e a estrutura de impostos. Com certeza o Brasil será muito importante para nós, até porque é o maior mercado da América Latina e o quarto maior do mundo.

Muitos consumidores optam por celulares Xiaomi não oficiais. A empresa é o principal alvo desta prática, com vendas intensas em lojas no formato market place. Como vocês pretendem combater o chamado mercado cinza?

Em alguns países nós temos parceria com market places, então parte destes produtos pode ser regular. Eu preciso entender melhor a situação. Nosso foco no Brasil é a expansão do negócio e a parceria com varejistas como a Casas Bahia.

A Xiaomi oferece garantia apenas para celulares oficiais. Produtos irregulares não recebem este tratamento e correm o risco de não funcionar corretamente na rede de telefonia. Como fica esta questão?

Nós estamos trabalhando com as principais operadoras e lojas do Brasil. Temos nosso plano para crescer no país. Preciso me inteirar quanto a isto.

Mi Band 6 está à venda no país — Foto: Thássius Veloso/TechTudo

Quais são os queridinhos dos brasileiros?

Diversos produtos vendem muito bem. As pessoas preferem smartphones a preços acessíveis, como o Redmi 9A. A linha Note é muito popular. Mi Band, fones de ouvido e robôs aspiradores de pó são muito procurados. Isto nos encoraja a dar toda a atenção aos brasileiros.

Qual será a importância do 5G nos próximos lançamentos?

Atualmente nosso portfólio tem mais celulares com 5G do que outras empresas. Inclusive, o modelo mais interessante entre os smartphones intermediários no Chile e no Peru. O 5G vai impactar a vida das pessoas em muitos aspectos.

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