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Por Filipe Garrett, para o TechTudo


Pesquisadores do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Ulsan, na Coreia do Sul, desenvolveram um sanitário que "paga" o usuário por seus dejetos. A ideia é captar os resíduos para reaproveitamento e geração de biogás. O sistema, batizado de BeeVi, tem a missão de atenuar o impacto ambiental associado a saneamento básico e esgoto.

Liderado pelo engenheiro ambiental Jaeweon Cho, o projeto permite o pagamento a partir da mineração do Ggool, uma criptomoeda associada ao sanitário. A tecnologia adapta técnicas de compostagem para produzir gás metano – usado na geração de energia – e adubo, tudo sem gastar água.

BeeVi parece um vaso sanitário comum, mas por dentro as coisas são bem diferentes — Foto: Divulgação/BeeVi

Como funciona?

À primeira vista, o BeeVi parece um vaso sanitário comum. Por dentro, as coisas são diferentes, a começar pelo sistema de descarga: em vez de usar a água – um recurso escasso –, o BeeVi realiza o procedimento de descarga por meio de vácuo.

O material coletado é encaminhado para um sistema de filtros que separam líquidos e sólidos. O que for sólido é encaminhado a um biorreator povoado de bactérias anaeróbicas que digerem as fezes e liberam gás metano nesse processo. O gás é um combustível poderoso, que pode ser usado na geração de energia elétrica, por exemplo, e é aproveitado para ajudar no suprimento de eletricidade do campus da universidade.

Os números dão sustentação à ideia: segundo os cientistas sul-coreanos, uma pessoa gera 500 gramas de fezes por dia, quantidade que pode ser convertida num volume de 50 litros de metano. Esse volume é suficiente para gerar 0,5 kWh de eletricidade, ou a mesma energia elétrica suficiente para mover um automóvel elétrico por 1,2 quilômetro.

Caso um sistema parecido fosse usado em grande escala, os cientistas estimam impactos positivos, especialmente em áreas densamente povoadas, cenário comum nas grandes cidades da Ásia. O BeeVi não só reduz o consumo de água, como ainda colabora na geração de energia e apresenta uma solução de saneamento básico que pode ter custo mais barato do que os sistemas de esgoto tradicionais, sobretudo no longo prazo.

Realmente vira dinheiro?

A grana é pouca mas rende agradáveis mimos — Foto: Unsplash (by Dmitry Demidko)

Quem usar o sanitário sustentável no campus do instituto de Ulsan é remunerado em 10 Ggool por dia. A criptomoeda circula nas dependências da universidade e pode ser usada pelos estudantes para pagar por refeições, café, frutas e até livros.

Para desencorajar qualquer bolha ou “corrida aos sanitários” de gente interessada em especular com o Ggool, a moeda funciona com uma taxa de juros negativa de 7%. Com isso, a criptomoeda não valoriza ao longo do tempo, desencorajando o acúmulo, e incentivando seu uso exclusivamente para intermediar troca de produtos e serviços no interior da faculdade.

O projeto pode chegar aqui?

Embora as perspectivas da massificação de um sistema parecido possam ser bem positivas, há algumas barreiras: talvez a mais significativa delas seja a necessidade de investimentos pesados para readequação de casas e edifícios para um sistema de saneamento completamente novo, além da necessidade de biorreatores bem maiores para dar conta de casas, prédios e quarteirões.

Com informações de Inverse e Reuters

Essa matéria faz parte da iniciativa #UmSóPlaneta, união de 19 marcas da Editora Globo, Edições Globo Condé Nast e CBN. Conheça o projeto aqui 👈

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