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Por Yuri Hildebrand

Reprodução/Yuri Hildebrand

eFootball 2022 chegou para PlayStation 4 (PS4), PlayStation 5 (PS5), Xbox One, Xbox Series X/S e PCs nesta quinta-feira (30) e mostra muitas diferenças em relação ao PES. As mudanças não são apenas quanto à versão 2021, mas envolvem todo o conceito da franquia. A Konami deixou de lado configurações táticas para focar em duelos 1v1, abandonando ainda comandos importantes e aspectos de controles tradicionais entre jogos do tipo. Também chama atenção a ausência do Campeonato Brasileiro entre as opções do modo online disponível, mas, segundo o site oficial do jogo, as séries A e B do Brasil ficam disponíveis na "grande atualização" de 11 de novembro.

A mudança de estratégia pode facilitar a adoção do game em diferentes plataformas sem muitas alterações, mas a primeira impressão não agradou aos fãs de PES e pode até mesmo afastar aqueles que estavam se aproximando da franquia nos últimos anos. No Steam, por exemplo, o jogo já aparece com muitas análises "extremamente negativas". O TechTudo traz a seguir algumas impressões do novo jogo e fala sobre a repercussão negativa das novidades trazidas em eFootball 2022.

eFootball 2022 deixa de lado avanços do PES e desagrada fãs; veja mudanças — Foto: Reprodução/Yuri Hildebrand

Repercussão negativa

As novidades impostas em eFootball deixaram os fãs de PES, no mínimo, chateados. As mudanças passaram por cima de diversas melhorias na jogabilidade que a franquia vinha trazendo nos últimos anos, e o novo título mais lembra um jogo mobile. Inclusive, o jogo pode funcionar muito bem por lá. No Twitter, um dos pontos mais criticados é a baixa qualidade dos gráficos.

Além disso, muitos usuários relataram bugs durante o jogo. É importante ressaltar que, durante os testes do TechTudo, não foi possível perceber muitos problemas nesse sentido.

A repercussão negativa foi tanta que o título já figura entre as piores notas no Steam, plataforma para jogar no PC. De acordo com o serviço, apenas 9% de quase 5,5 mil avaliações são positivas.

Apenas 9% das avaliações de eFootball 2022 no Steam são positivas; jogo aparece como "extremamente negativo" — Foto: Reprodução/Steam

Entendendo as mudanças

Tirando alguns detalhes gráficos, parcerias, faces de jogadores e outros aspectos, pouca coisa de PES se vê presente no novo eFootball. A franquia da Konami disputou mercado com o FIFA por alguns anos, e, recentemente, agradava não só no licenciamento completo do Brasileirão, mas também pela mecânica de jogo.

Apesar de não ser perfeito, PES 2021 trazia melhorias importantes e o futuro era, de certa forma, animador. A marcação, por exemplo, era mais tradicional em relação ao FIFA, bastante complexa, e a expectativa era por mudanças nesse sentido. A seguir, veja o que há de novo em eFootball e entenda o porquê da insatisfação de muitos jogadores.

Expectativa era por melhorias, mas jogo traz mecânica bastante diferente — Foto: Reprodução/Steam

Melhorias anteriores ficaram para trás

No jogo teste New Football Game, lançado em junho para apresentar algumas mudanças de jogabilidade, um novo mecanismo de pressão e bote foi demonstrado, mas ainda bastante cru. Só depois a Konami anunciou que o jogo passaria por uma reformulação, tornando-se o gratuito eFootball com a mesma proposta chegando às diferentes plataformas.

De fato, essa parte mudou. Agora, o jogador tem no L2 (LT) uma forma de cercar e disputar corpo a corpo a posse da bola. O X (A) faz o atleta tomar a frente, enquanto o quadrado (X) é o botão de bote e o bola (B) é o comando do carrinho. O desarme fica mais preciso e acontece de diferentes formas. Isso seria positivo, não fosse um detalhe importante: a marcação dupla.

Um dos focos no eFootball foi melhorar a experiência no 1v1 — Foto: Divulgação/Konami

Uma das estratégias mais usadas em PES, sobretudo para evitar gols de cruzamento, é mandar um companheiro pressionar o adversário na linha de fundo, sem precisar trocar o jogador que está marcando no meio da área. Agora, isso é impossível: o comando sumiu e não aparece nem entre as opções de configuração, sendo necessário escolher o atleta mais próximo da bola (priorizando, mais uma vez, o duelo individual).

A bola, inclusive, ficou mais "viva" em eFootball, sobrando bastante e permitindo contra-ataques. Por sorte, a velocidade não é um forte do jogo, e você tem tempo para voltar e evitar o gol. Para protegê-la durante uma disputa, mais uma vez o usuário precisa usar o L2 (LT), mas é importante ter em mente que isso muda o comportamento do jogador, e não do controle de bola em si. O corpo do atleta vai fazer uma barreira para evitar que o adversário chegue nela, mas não mantém a posse, necessariamente.

Marcação tem vantagens, mas ataque nem tanto

Bola fica mais "viva" em campo no eFootball 2022; mudanças. nocontrole de bola dificultam construção de jogadas — Foto: Reprodução/Yuri Hildebrand

O controle de bola também tem outras mudanças importantes. Como o L2 (LT) passou a ter essa função de proteção, não é mais possível direcionar o toque ou chute como em PES. O passe curto agora está mais preciso, e é necessário pressionar X (A) por mais tempo para evitar que a bola vá muito lenta e seja interceptada.

A principal diferença em relação ao que já é tradicional em simuladores de futebol é o R2 (RT): ao invés de simplesmente correr, ele é necessário para controlar a bola e driblar o jogador no duelo individual. Um toque rápido no botão junto ao analógico para um dos lados faz o jogador passar pela marcação, enquanto dois toques vão permitir uma tímida arrancada na direção indicada. É algo diferente, ousado e poderia até mesmo ser positivo, mas parece uma mudança muito drástica para quem passou anos construindo um estilo de jogo em que os fãs já confiavam.

Pobreza tática (ao menos por enquanto)

Opções táticas ficam resumidas na imagem — Foto: Reprodução/Yuri Hildebrand

Desde o início, eFootball 2022 prometeu chegar como uma espécie de demo, com poucos times disponíveis, apresentando novos conceitos e com atualizações por vir. Ainda assim, o menu de configurações do time é bastante limitado. As opções táticas se resumem a estilo de jogo (contra-ataque e posse de bola no ataque, por exemplo), e não há mais como selecionar formações diferentes, regular o distanciamento entre jogadores, entre outros.

A própria interface também incomoda um pouco, mostrando os jogadores posicionados em uma das metades do campo, com orientação horizontal (e não mais vertical, como de costume não só na franquia, mas também no FIFA).

Jogadores aparecem em orientação horizontal; formato é diferente do usado normalmente — Foto: Reprodução/Yuri Hildebrand

Em jogo, mesma coisa. Sem a possibilidade de mandar outro jogador marcar na linha de fundo, é necessário trocar de atleta a todo tempo, e não há muito como fugir do duelo individual. Para atacar, a triangulação é a melhor opção, já que os comandos com o analógico direito são um pouco confusos.

Uma alternativa é usar o novo recurso para um drible de corpo com R2 (RT), mas isso vai exigir algum treinamento. O clássico chute falso (quadrado/bola + X ou X/B + A) também é uma saída. Há outros comandos detalhados no menu durante o jogo, mas os movimentos não são muito intuitivos.

Times, estádios e torcida

As faces reais já presentes em PES 2021 não foram atualizadas — Foto: Reprodução/Yuri Hildebrand

A Konami divulgou nove times para essa primeira etapa do lançamento, entre eles três brasileiros: Corinthians, Flamengo e São Paulo. As outras equipes disponíveis para jogar amistosos locais são Manchester United, Barcelona, Bayern, Juventus e River Plate. Os elencos estão um pouco desatualizados e têm algumas baixas.

O Corinthians, por exemplo, não traz nomes importantes como Renato Augusto e Roger Guedes, enquanto o Flamengo está sem David Luiz, Andreas Pereira e Kenedy. O elenco rubro-negro, inclusive, também não vem com Gabi e Diego Alves, dois ídolos recentes que marcaram presença em PES.

Ainda não há estádios brasileiros em eFootball. O Monumental de Nuñez, do River Plate, também ficou de fora. Os times europeus parceiros, por sua vez, têm suas casas presentes, sendo possível jogar em Old Trafford, Allianz Stadium, Allianz Arena e Camp Nou. A outra opção é um campo genérico, o eFootball Stadium.

Old Trafford é um dos estádios disponíveis no jogo — Foto: Reprodução/Yuri Hildebrand

Voltando aos jogadores, chama atenção a pouca evolução gráfica em relação a PES 2021. Algumas faces genéricas estão mais naturais e parecem menos com bonecos, como antes. Apesar disso, quem tem seu rosto digitalizado em eFootball não teve atualizações. Inclusive, muitos usuários reclamaram dos gráficos do game, comparando a edições anteriores de PES.

A torcida, um fator de destaque no rival FIFA 22, ficou em segundo plano no novo game da Konami. Os movimentos são robóticos e a sensação é de que os fãs têm um acabamento 2D em algumas situações, apesar do capricho nos estádios em si. A atmosfera, portanto, não interfere tanto na experiência de gameplay.

Torcida segue robótica e com aspecto 2D em eFootball — Foto: Reprodução/Yuri Hildebrand

Interface, modos de jogo e mais equipes

A interface de eFootball parece ser uma das poucas partes realmente positivas do jogo. As animações antes do início das partidas são bem interessantes, e mostram os jogadores chegando ao estádio, aquecendo em campo, entre outros exemplos.

A escolha dos uniformes traz as camisas no vestiário, enquanto as configurações de campo e escolha do estádio mostra as mudanças em tempo real. Na seleção dos times, por sua vez, o jogo mostra o escudo do clube na posição em que sua cidade fica no globo (Flamengo fica próximo a Corinthians e São Paulo, por exemplo). É um formato interessante de menu, mas com pouco impacto no jogo em si.

Seleção de uniformes mostra vestiário antes do jogo; animações ficaram interessantes — Foto: Reprodução/Yuri Hildebrand

Já os modos disponíveis no momento são a disputa de amistosos locais ou um evento online, o Worldwide Clubs, onde é possível selecionar mais equipes mundo afora. Entre elas, estão desde times genéricos do futebol inglês, como Chelsea B e Liverpool R, além de mais brasileiros, incluindo Vasco da Gama, Internacional e Santos. Há ainda clubes sul-americanos, do Oriente Médio e de outros países da Europa.

Na hora da seleção da equipe para utilizar no evento, há uma divisão entre campeonatos locais e "outros times". É importante ressaltar que os brasileiros ficaram nessa parte separada, enquanto o Campeonato Chileno, por exemplo, teve seu próprio espaço. Apesar disso, as séries A e B do Brasileirão estão confirmadas na "grande atualização do título, prevista para 11 de novembro.

Times brasileiros aparecem de forma independente em evento online, enquanto outras ligas vêm completas — Foto: Reprodução/Yuri Hildebrand

O menu principal mostra mais opções de jogo ainda inacessíveis. Os amistosos e eventos ficam em "Partida - Autêntico", mas há ainda "Partida - Criativo", que deve trazer times montados pelo usuário, "Plano de jogo", "Meu time" e "Contrato". Ao que tudo indica, o formato do myClub se estende ao jogo como um todo, e, por enquanto, não há uma alternativa para jogar torneios locais, copa ou a tradicional Master League.

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