Celulares

Por Willian Rodrigues, para o TechTudo

Rodrigo Fernandes/TechTudo

Um grupo de cinco estudantes chineses decidiu processar a Apple depois de comprarem o iPhone 12 Pro Max e perceberem que o celular vinha sem carregador. Na ação, o grupo exige que a empresa não só lhes forneça o componente, como também lhes pague uma quantia de aproximadamente R$ 89 por quebra de contrato, além dos custos processuais.

De acordo com o grupo de alunos, a retirada do carregador seria apenas uma desculpa para a promoção do novo carregador sem fio da grife MagSafe. Os estudantes alegam que esse dispositivo consome mais energia do que a versão convencional, o que invalidaria o argumento da Apple de que a remoção do item teria como objetivo a preservação do meio ambiente.

iPhone 13 Pro — Foto: Divulgação/Apple

Não é a primeira vez que a Apple encontra problemas pela decisão de remover o carregador da caixa do iPhone. Recentemente, o governo Brasileiro notificou a fabricante por esse motivo. Em novembro de 2020, a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) enviou à empresa orientações sobre a venda dos aparelhos. No entanto, na avaliação da entidade, as medidas não foram devidamente implementadas.

Usuários da internet têm expressado opiniões mistas quanto às cobranças e notificações direcionadas à Apple. Enquanto alguns argumentam que as companhias deveriam fornecer o acessório, já que a ausência força os consumidores a gastarem mais, outros demonstram temor de que, caso a Apple seja realmente obrigada a rever a política, o custo seja repassado para o cliente final.

O MagSafe é uma da opções de carregadores para o iPhone — Foto: Divulgação/Apple

Seja no processo iniciado em Pequim, seja no Brasil, fato é que o iPhone já não é um aparelho barato, com preço inicial na casa dos R$ 7.599. A esse valor, serão acrescidos de R$ 200 a R$ 500 no carregador caso o cliente não possua outros produtos Apple para aproveitar o dispositivo.

A ação movida pelo estudantes se tornou viral na rede social Weibo, depois que o jornal local Shanghai Law publicou o relatório detalhado do caso. O processo ainda está em andamento no tribunal chinês.

Relembre a remoção dos carregadores

Loja oficial da Apple lista somente cabo de dados/energia na caixa do iPhone 13 — Foto: Reprodução/Apple

Em 2020, a Apple decidiu não incluir mais os fones de ouvido EarPods e nem o carregador de tomada nas embalagens do iPhone 12. O argumento é de que a atitude faz parte dos esforços da empresa para reduzir os impactos da emissão de carbono e preservar o meio ambiente. O fato, porém, é que a companhia teve uma economia milionária com a retirada dos acessórios.

No início do mesmo ano, a Europa começava a estudar um padrão de conexões que, em tese, solucionaria o problema da falta do acessórios no iPhone. A companhia de Cupertino tratou de rechaçar a hipótese, uma vez que a padronização sufocaria a inovação, em vez de incentivá-la.

O imbróglio deve permanecer e ganhar novos capítulos, já que pessoas no mundo todo têm argumentado contra a política da empresa da maçã. Os casos do Brasil e dos estudantes chineses podem incentivar que mais pessoas e governos se posicionem contra a prática de possível "venda casada" utilizada pelas fabricantes de celular.

Com informações de Vice, The Verge e Global Times

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