Jogos de estratégia

Por Yuri Hildebrand

Divulgação/Kinship

Skydome é um jogo brasileiro que mistura dois estilos diferentes: Tower Defense e MOBA. O título foi apresentado em 2016 na Brasil Game Show e, desde então, passou por diversas mudanças. Hoje, sua desenvolvedora Kinship planeja voos mais altos, com a intenção de trazer o game para o cenário competitivo e entrar de vez no mundo dos esports. Para isso, conta também com a Nomad, publisher criada junto à Octagon Brasil, empresa de marketing esportivo e entretenimento.

Com elementos que lembram MOBAs clássicos como League of Legends e Dota 2, o game promete diferenciais importantes para uma gameplay divertida e sem estresse. O TechTudo bateu um papo exclusivo com Cheny Schmeling, diretor de Skydome e cocriador da Kinship, que contou a história do título brasileiro, falou sobre a presença em países como EUA, Alemanha e China, além de planos para o futuro do jogo nos esports. Confira a seguir:

Skydome é um game brasileiro que mistura Tower Defense e elementos de MOBA; objetivo é ser opção no cenário de esports — Foto: Reprodução/Kinship

De MOBA para Tower Defense

"Skydome é aquele jogo em que você traz quatro amigos que querem vencer, mas não querem passar estresse. Traz os amigos, vem jogar competitivo, vem dar risada… você não vai xingar os outros, não vai sair tiltado… O Skydome é pra você!" – Cheny Schmeling

O projeto surgiu em 2016, quando o cenário dos esports estava em uma crescente com títulos como League of Legends, Dota 2 e CS:GO. Cheny, que já era fã de jogos competitivos à época, pensou em explorar um nicho ainda pouco presente no mercado, o de Tower Defense. Junto a outras cinco pessoas, o atual diretor de Skydome fundou então a Kinship, desenvolvedora do game.

Segundo Cheny, esse aspecto estava presente desde a primeira versão do jogo, demonstrada na Brasil Game Show do mesmo ano:

"A primeira versão era super simplificada, mas já passava essa ideia: a gente quer trazer as mecânicas competitivas dos jogos do momento, mas também com um apelo diferenciado para realmente destoar da concorrência."

Mapa. deSkydome tem duas arenas separadas, com duas rotas e uma selva cada uma; elementos de MOBA são atrativos — Foto: Divulgação/Kinship

Ainda assim, os elementos de MOBA se destacaram, e os jogadores que testaram o beta encararam o Tower Defense em Skydome como coadjuvante. O game voltou à BGS em 2017 e, apesar da presença positiva em um estande competitivo (sendo eleito inclusive o melhor jogo brasileiro do ano), os desenvolvedores perceberam que seria difícil bater de frente com alguns gigantes do mercado. Foi quando a Kinship conseguiu um contato na China para fazer uma consultoria.

A partir disso, Skydome inverteu sua proposta de jogo: passou a ser um Tower Defense competitivo com elementos de MOBA, e não o contrário. Cheny afirma que esse é, incluisive, o posicionamento do título no mercado: um action Tower Defense. "Skydome é um jogo para você realmente jogar competitivo e não passar raiva. Essa é a grande diferença", disse o cofundador da Kinship.

"Hoje, como a gente já fez o lançamento do jogo, presente na China, nos Estados Unidos, na Europa e também na América Latina, a gente vê que o nosso grande diferencial perante os outros (games) do mercado foi inverter: agora Tower Defense é o nosso objetivo."

Referências e diferenciais

O jogo é um Tower Defense, mas traz elementos importantes de MOBA; objetivo é atrair novos jogadores — Foto: Reprodução/Kinship

Skydome é um PvP indireto, ou seja, acontece em duas arenas separadas. Os times precisam defender seus respectivos Artefatos de inimigos que atacam por duas rotas diferentes. Há ainda uma selva, onde os jogadores podem derrotar monstros, conseguir recompensas e conquistar novas habilidades para ajudar na defesa das torres.

Ao todo, são dez campeões disponíveis, entre magos e criaturas diferentes. Cada personagem tem sua build de habilidades e os times podem criar suas próprias estratégias. Aqueles com bons ataques podem percorrer as rotas enquanto há uma defesa reforçada mais próxima às torres e ao Artefato. Já na Selva, um campeão mais rápido pode ser interessante para explorar mais possibilidades para virar o jogo.

O Artefato é uma espécie de Nexus do jogo; quem conseguir proteger o seu por mais tempo, ganha — Foto: Divulgação/Kinship

É fácil perceber as semelhanças para um MOBA tradicional, e Cheny afirmou que isso é parte de uma estratégia do game. "O fato da gente trazer um universo mais próximo do que os jogadores já estão acostumados facilita o entendimento deles no sentido estratégico de trazer eles mais para perto", afirma o diretor. Além disso, ao atrair o público pelo ambiente familiar, o diferencial consegue se destacar e virar uma nova oportunidade, ainda mais no cenário de esports.

"Quando a gente fala de um jogo competitivo, de um gênero novo, é também uma oportunidade de crescimento profissional. Desde o começo do desenvolvimento vimos jogadores querendo montar time, estratégias, falando que não veem a hora de o jogo entrar no competitivo... Eles próprios acabam fazendo pitching para outros players"

Por ser um PvP indireto, o jogo tem um quê de sobrevivência, onde a defesa se dá sucessivamente até que o outro time não consiga mais defender seu Artefato. Cheny garante que isso permite um competitivo menos estressante que o normal, mas houve uma preocupação com o andamento das partidas. Entre os diferenciais adicionados estão duas mecânicas: intervenção e invasão.

O game traz duas rotas e uma Selva, que permite desbloquear habilidades e reforçar seu time — Foto: Reprodução/Kinship

A primeira envolve uma habilidade disponível para todos os campeões do jogo: além do kit de combate, há um kit de intervenção que permite atrapalhar o time adversário. "Cada campeão tem um poder diferente: pode ser atacar diretamente a equipe rival, dar um boost nas tropas do outro lado fazendo com que elas corram mais rápido ou atravessem as defesas mais facilmente, entre outros", conclui Cheny.

Já a segunda mecânica incluída no jogo é a de invasão. Ela quebra justamente a premissa do PvP indireto, dando mais dinamismo às partidas.

"Os jogadores conseguem trabalhar na Selva da Arena deles, matar uma criatura (Erebus) e obter seus poderes, que envolvem invadir a arena inimiga com a forma do monstro em si. Você pode, literalmente, matar todo mundo (da equipe rival) e virar o jogo, se tiver um bom timing".

Erebus é uma adição recente que permite o PvP direto em Skydome; o monstro pode ser derrotado e leva equipe à Arena rival — Foto: Divulgação/Kinship

Primeiro torneio e próximos passos

Skydome vem sendo preparado para entrar no cenário competitivo, tanto na gameplay quanto em novos modos disponíveis. Cheny afirma que o game está em open beta desde novembro de 2020, e a Kinship vem mexendo em mecânicas, adicionando novas, e deixando o título "com um pé" nos esports. Há, por exemplo, uma opção de gameplay competitiva, onde o jogador pode começar a montar times e lutar pela classificação. Também é possível criar partidas customizadas que permitem montar cenários e disputar amistosos como forma de treinar para diferentes situações de jogo.

O primeiro torneio de Skydome aconteceu em julho de 2021, e a página do game ainda traz a interface convocando a comunidade para se inscrever. Chama atenção a possibilidade de inscrição individual, estimulando mesmo aqueles que ainda não têm equipes para jogar.

Defense Alfa foi o primeiro torneio de Skydome; Kinship já tem planos maiores para 2022 — Foto: Reprodução/Kinship

O Defense Alfa teve a final disputada em 13 de agosto, com direito a troféu e prêmios em produtos para a campeã TOPI, que superou os rivais da Nord.gg por 3 a 0. Ainda é um início, e, de acordo com Cheny, foi um bom primeiro passo. O objetivo era, justamente, reforçar que Skydome está chegando nos esports. "Foi um torneio para a comunidade e feito por ela, para dizer: tem alguma coisa de campeonato chegando", concluiu.

O diretor do game deixou em aberto a realização de mais um torneio ainda em 2021, também pensando em aquecer a comunidade para os próximos passos. "O grande trunfo é ano que vem, quando a gente entra no São Paulo - Jogos de eSports", disse Cheny. A competição, organizada anualmente pelo governo estudual de São Paulo, já garantiu Skydome como uma das categorias a partir de 2022.

"Vão ter quatro jogos, se não me engano, mas um deles, com certeza, já é o Skydome. A gente espera que os brasileiros se orgulhem do que os desenvolvedores nacionais estão fazendo. Que possam ver que realmente tem potencial dentro do Brasil em desenvolvimento de jogos."

Próximo torneio ainda não tem data marcada, mas expectativa é de que aconteça ainda em 2021 — Foto: Reprodução/Kinship

Ao TechTudo, Cheny adiantou que essa próxima competição, que se chamaria Defense Beta, está em fase de planejamento, mas ainda não tem data para acontecer. Segundo ele, o foco será em faculdades de desenvolvimento de jogos, pensando em fomentar o mercado nacional.

Com as disputas locais começando aos poucos, Skydome já vislumbra voos mais altos. O game está em open beta na Europa e nos EUA, além de já ter chegado na China. Segundo Cheny, a versão do título ainda está defasada em relação ao Brasil, mas a ideia é igualar as versões e realizar um lançamento global. "A ideia é unificar as versões, fazer servidores pelo mundo todo. É o nosso grande objetivo", afirma.

Sobre a possibilidade de realizar um Mundial, o diretor diz que seria um sonho para a Kinship como desenvolvedora e um "super portfólio" para a Nomad. Observando o cenário de hoje, Cheny apontou EUA, Europa e América Latina como principais regiões, mas o torneio poderia ser em outro local para mostrar Skydome em maior escala. "Estamos trabalhando para isso, tentando chegar lá. Acho que os passos estão sendo dados, e já estamos com o pezinho lá fora… O que será que vem pela frente?", concluiu.

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