Jogos de tiro

Por Yuri Hildebrand

Reprodução/Steam

Battlefield 2042 chegou às lojas em 19 de novembro e vem tendo um início de vida turbulento. O game entrou na lista das dez piores avaliações do Steam, muito por conta de bugs e problemas envolvendo armas e veículos. Apesar disso, DICE e EA garantiram atualizações e afirmam que o jogo já teria milhões de jogadores, superando o antecessor Battlefield 5. O título de fato tem uma boa base de usuários, e é possível perceber durante a jogatina que o cross-play ajuda muito nesse sentido, permitido partidas a partir de PC, PlayStation 5 (PS5) e Xbox Series X/S ao mesmo tempo.

Além disso, o jogo tem uma novidade interessante no modo Hazard Zone, que traz proposta diferente da tradicional Conquista. Por outro lado, não há uma campanha para seguir, e o game fica restrito aos combates multiplayer. O TechTudo testou o novo Battlefield 2042 e traz a seguir os principais erros e acertos do FPS militar da EA.

Battlefield 2042 — Foto: Reprodução/Yuri Hildebrand

Mandou mal…

  • Sem modo campanha

O contexto de Battlefield 2042 merecia um modo campanha. O jogo traz uma breve explicação de como está o mundo no momento em que o game se passa, mas nada além. Para conhecer os fundamentos e entender o que acontece no campo de batalha há uma espécie de tutorial no início, mas sem enredo e maiores explicações.

Cenários como a cidade de Doha com montanhas de areia ou uma base de exploração na Antártida mostrando alguns pontos de degelo são usados apenas como pano de fundo. Há até uma história por trás da boa ambientação presente no game, mas os desenvolvedores não trouxeram muito além de textos e vídeos publicados no site oficial do jogo.

Cenários como o de Doha, no Qatar, trazem elementos que mereciam maiores explicações dentro do jogo — Foto: Reprodução/Yuri Hildebrand

  • Cross-play é bom, mas…

Um dos pontos legais do Battlefield 2042 é o cross-play. Mas, ao mesmo tempo, pode ser um problema para os usuários, sobretudo iniciantes e jogadores de console. Isso porque, como é comum em FPS, o uso de teclado e mouse dá vantagens importantes na hora de mirar, apertar o gatilho, entre outros aspectos da gameplay.

O usuário pode mitigar essa questão aumentando a sensibilidade dos eixos X e Y do analógico, mas, ainda assim, não é a mesma coisa. Além disso, o chat utilizado por quem está no PC dificilmente vai ser usado da melhor forma por quem está no PS5 ou Xbox Series X/S. Esse problema não deve afetar jogadores de PlayStation 4 (PS4) e Xbox One, que entram em salas separadas.

Battlefield 2042 junta usuários de PlayStation 5 (PS5), Xbox Series X/S e PC no mesmo campo de batalha — Foto: Reprodução/Yuri Hildebrand

É possível reverter isso de duas formas: o jogador pode utilizar teclado e mouse no console ou mesmo desativar a opção de cross-play, entrando em servidores exclusivos para a sua plataforma. Ainda assim, o improviso para conectar os periféricos no videogame ligado à TV e o maior tempo de espera na formação de batalhas são pontos que continuam atrapalhando a experiência.

  • Combate um pouco confuso

A energia caótica das batalhas com muitos soldados e sem uma estratégia bem definida é algo comum na franquia, assim como em outros games que seguem a mesma lógica, como os Battlefront, baseados em Star Wars. No modo Conquista, mais tradicional do jogo, são até 128 jogadores reunidos em uma única batalha, onde entram pessoas experientes, iniciantes e mesmo aqueles que abandonam a partida ao não conseguir um bom desempenho.

Combates podem ficar bastante confusos em Battlefield 2042; vale lembrar que são 64 pessoas de cada lado, cada um com sua ideia de jogo — Foto: Reprodução/Yuri Hildebrand

No combate em si, a presença de muitos usuários lutando pelo mesmo objetivo levam a trocas de tiro confusas, fogo amigo e pouquíssima estratégia. Diferente de um Battle Royale ou do próprio modo Hazard Zone, que trazem objetivos mais concretos e equipes menores, são 64 jogadores lutando pela mesma bandeira.

Isso, somado à comunicação difícil para quem está no console, também dificulta uma gameplay mais estratégica em grupo. Vale ressaltar que há outros modos, como o próprio Hazard Zone. Com grupos menores de usuários e objetivos mais definidos, fica mais fácil explorar o que o game tem a oferecer.

Battlefield 2042 poderia melhorar a comunicação entre usuários; expectativa é que isso mude com updates ainda em 2021 — Foto: Reprodução/Yuri Hildebrand

  • Veículos

Battlefield sempre teve veículos a serem escolhidos livremente pelo usuário. São aviões, helicópteros, jipes e até tanques de guerra, todos facilitando o acesso a objetivos mais distantes e garantindo maior segurança para evitar ataques no meio do caminho. Apesar disso, dois pontos precisam ser destacados: os controles e a dificuldade de enfrentá-los do outro lado.

Quando você está a pé e um inimigo aparece dirigindo um carro que seja, a chance de abate aumenta consideravelmente. Isso porque não há muito tempo para se esconder e, caso o seu adversário queira ficar dentro do automóvel, o combate fica travado e depende da exposição de um dos dois.

Battlefield 2042 tem física pouco agradável na hora de usar veículos; enfrentá-los beira o impossível — Foto: Reprodução/Yuri Hildebrand

No caso de um tanque, a missão é quase impossível para quem está em desvantagem: basta um tiro do canhão para derrubar o jogador, enquanto quem está a pé precisa de muitas explosões e balas de bazuka (que pode ser equipada por qualquer classe) para destruir o veículo. Atropelamentos e bombardeios de quem está pilotando algum veículo aéreo também são muito comuns em Battlefield 2042, deixando algumas partidas impossíveis de jogar de forma mais tradicional.

Mandou bem!

  • Diferentes opções de jogo

Battlefield 2042 oferece alguns modos de jogo, sempre focados em multiplayer ou coop. O Conquista é o principal deles, onde uma das frentes precisa conquistar os territórios até que as forças rivais sejam totalmente suprimidas. Esse formato tradicional é acompanhado pelo Ruptura, onde um dos times precisa conquistar zonas e avançar em uma ofensiva unilateral. Ao outro, resta defender as bases até que seus adversários não tenham mais reforços disponíveis, o que vai definir o resultado da partida.

É possível jogar em mapas e com personagens, itens e armas de Battlefield 1942, Bad Company 2 e Battlefield 3 — Foto: Reprodução/Yuri Hildebrand

Já o modo Portal traz alguma nostalgia para os jogadores de outros títulos da franquia. É possível transitar por Battlefield 1942, com alguns operadores da Segunda Guerra, Bad Company 2 e Battlefield 3, trazendo mapas característicos, além de armas atuais (e não futuristas). Uma das opções de jogo é personalizada e pode misturar batalhões de diferentes épocas em uma batalha cujos objetivos e mapas variam de acordo com a sugestão do game. Há ainda modos Conquista para 1942 e Battlefield 3, além de Retirada para Bad Company 2.

O usuário também pode transitar por diferentes servidores criados pela comunidade, com regras variadas e muitas vezes misturando itens e personagens dos jogos da franquia. Há salas feitas de amigos para amigos, outras abertas com inimigos IA desarmados para farmar XP, e mais exemplos.

Modo Portal é prático e divertido; usuário pode misturar mapas e soldados de diferentes épocas — Foto: Reprodução/Yuri Hildebrand

Hazard Zone é o mais diferente entre os modos disponíveis, colocando o jogador em uma situação que exige bem mais estratégia que agilidade no combate em si. É a grande novidade do Battlefield 2042.

  • Hazard Zone

Como ressaltado antes, esse é o modo ideal para quem busca montar estratégias de guerra e priorizar missões além do combate em si. O jogador vai a campo com mais três pessoas para recuperar drives de dados em satélites caídos pelo mapa e, depois, sair de cena em uma das duas extrações disponíveis. O modo é bem divertido, mas é preciso ter um pouco de paciência: o tempo de espera para criar salas é maior, e pode ser difícil pegar o jeito nas primeiras vezes.

Battlefield 2042 traz Hazard Zone pela primeira vez; objetivo é extrair drives de dados e sair de cena com todo o batalhão — Foto: Reprodução/Yuri Hildebrand

Uma vez compreendida a ideia central, é possível montar esquemas para recuperar discos, ativar links para reposicionar seu batalhão em caso de muitos abates e fugir para a zona de extração a tempo. Aqui, faz bastante falta um bom sistema de comunicação, sobretudo para quem joga no console.

O modo também conta com uma economia interna interessante, onde o usuário consegue dinheiro com abates, cumprimento de objetivos e outras atividades em cada partida. Esse valor total é cedido ao final do jogo e, na próxima sala aberta, é possível gastar com armas e itens melhores para mudar a estratégia ou mesmo conquistar valores mais altos.

Uma espécie de binóculo ajuda a sinalizar satélites com drives de dados disponíveis pelo mapa — Foto: Reprodução/Yuri Hildebrand

  • Troca de acessórios em campo

O novo jogo da franquia tem outra novidade interessante: o usuário pode trocar os acessórios das armas durante as partidas, sem precisar de um respawn para isso. Essa mudança na gameplay faz bastante diferença, sobretudo em modos de jogo que exigem mais estratégia – caso do Hazard Zone.

Você pode usar um fuzil de assalto com mira óptica e, ao invés de atirar vários projéteis juntos, configurar a arma para dar um tiro por vez. Na hora do combate mais próximo, é só tirar a mira, voltar com a opção de rajada e aumentar suas chances na hora de correr pelo mapa.

Usuário pode ajustar mira, pente e outros pontos da arma durante as partidas — Foto: Reprodução/Yuri Hildebrand

Pistolas também ganharam mira, o que deve facilitar a vida de quem curte jogar como sniper, por exemplo, e precisa de uma arma mais rápida para sobreviver a ataques surpresa. Vale ressaltar que esses itens são conquistados ao longo do jogo, e ficam disponíveis para instalar a qualquer momento.

  • Boa base de jogadores

Uma vez feitas as críticas ao cross-play no FPS, é importante dizer: faz muita diferença ter uma grande base de jogadores disponível. Apesar da demora em Hazard Zone, modo novo que ainda não tem total confiança de novos usuários, as opções mais tradicionais Conquista e Ruptura estão sempre com salas cheias e de rápido acesso. Alguns poucos segundos separam o jogador das partidas, o que anima bastante para jogar, sobretudo em um game focado no multiplayer.

  • Ambientação

Tornados destroem estruturas e podem atrapalhar estratégias durante o jogo; apesar disso, são um "extra" interessante — Foto: Reprodução/Yuri Hildebrand

Se a falta de um modo campanha é algo negativo, é muito por conta da ambientação de Battlefield 2042. Por se passar no futuro, o jogo retrata um mundo com adversidades climáticas, prédios com LEDs gigantes e até mesmo um estádio soterrado pela areia em Doha, no Catar – provavelmente o palco da final da Copa do Mundo de 2022.

Além dos cenários em si, há tecnologias como o sensor de proximidade e elementos naturais que aparecem durante as partidas, como tornados, tempestades de areia, entre outros. Esses fatores afetam a gameplay, dificultam o funcionamento de equipamentos e mesmo destroem construções, modificando o mapa em tempo real.

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