Celulares

Por Thássius Veloso

Ehtoni Arruda e Uine Mendes

Dois incêndios de celular em tempos recentes acenderam o sinal de alerta entre os clientes da Xiaomi no Brasil. Em relatos postados nas redes sociais, as fotos impressionam pelas marcas de chamas nas duas unidades do Redmi Note 7, um smartphone que teve lançamento nacional em 2019.

Os episódios levantam dúvidas sobre os cuidados ao recarregar um item que se tornou indispensável na vida de tantas pessoas. Em nota ao TechTudo, a fabricante informa que os casos relatados abaixo estão em análise pelo time técnico.

Fora da tomada

Smartphone pegou fogo — Foto: Ehtoni Arruda/Arquivo pessoal

Na ocasião mais recente, em 3 de novembro, o administrador de empresas Ehtoni Arruda conta que recarregou o Redmi Note 7 pela manhã. Já à noite, deixou o aparelho sobre uma cômoda. O susto veio meia hora depois. “Escutei um chiado muito alto e saí correndo para ver o que aconteceu. O quarto estava cheio de fumaça branca saindo do aparelho”, relata.

Cabe frisar aqui que normalmente os acidentes de smartphones em chamas envolvem o produto estar plugado na tomada, mas este não é o caso do Redmi de Ehtoni, segundo o relato.

O morador de Fortaleza explica que não usava mais o carregador que vem com o smartphone porque ele já não funcionava mais. Em vez disso, recorreu a uma peça do Poco X3, outra marca da gigante chinesa. Arruda diz não saber a procedência do produto por se tratar de um presente. Admite, porém, que estava fora da garantia.

A Xiaomi costuma afirmar que só fornece atendimento para equipamentos comprados de maneira oficial, o que exclui muitos market places onde ocorrem vendas irregulares. Mesmo assim, a empresa prometeu ressarcir o cliente.

Por ora não se sabe o que motivou o incêndio. A Xiaomi diz ao TechTudo que são casos isolados e que pretende consultar os consumidores para compreender toda a situação. Quer saber, por exemplo, se houve alguma anormalidade prévia ou comportamento fora do comum. “A Xiaomi reitera que segurança e confiabilidade são pontos de partida na fabricação de seus gadgets”, afirma a empresa em nota.

Emergência durante o sono

Consumidora se queimou ao manusear o aparelho — Foto: Uine Mendes/Arquivo pessoal

Outro acidente ocorreu em 11 de outubro. A product owner Uine Mendes conta ao TechTudo que tinha dormido com o celular carregando ao lado do travesseiro. Acordou às 4h da manhã com chiados e estalos num volume muito alto.

“Por instinto, puxei o Redmi Note 7 da tomada e levantei correndo. O quarto estava completamente tomado de fumaça e tinha um buraco enorme no colchão, que havia derretido”, relata a também moradora de Fortaleza.

Ela lamenta ter queimado a mão ao tentar tirar o aparelho da cama. “Senti muita falta de ar e fiquei tossindo, então corri direto para a emergência”, completa.

De acordo com o relato de Uine, tanto a tomada quanto o carregador ficaram intactos, enquanto o problema de chamas se concentrou no próprio smartphone. Ela usava o carregador original, mas o cabo de dados/energia havia sido substituído por outro que nunca deu problema.

Roupa de cama derreteu — Foto: Uine Mendes/Arquivo pessoal

A fabricante chinesa passa atualmente por uma segunda incursão no Brasil, desta vez em parceria com o grupo nacional DL. Ela vem conquistando muitos fãs, caso da própria Uine. Ela admite que foi “testemunha de Xiaomi” a ponto de cogitar outro smartphone da marca, mas desistiu da ideia ao esbarrar com relatos similares aos dela.

Na resposta enviada ao TechTudo, a Xiaomi afirma levar em consideração situações extremas envolvendo os aparelhos e que “é papel da empresa sempre estar ao lado dos clientes, priorizando a empatia”.

Também neste episódio não é possível dizer o que levou ao início das chamas. Será necessário aguardar uma apuração detalhada da própria fabricante.

Em linhas gerais, os especialistas em elétrica recomendam usar as peças originais que acompanham os smartphones. Com o passar do tempo, o ideal é substituí-las por outras de igual qualidade.

Confira a resposta da Xiaomi na íntegra

“A Xiaomi informa que os casos que foram registrados junto ao Serviço de Atendimento ao Consumidor estão em análise pelo time técnico da marca. O procedimento para esse tipo de incidente, por serem casos isolados, é entender com o cliente toda situação, por exemplo, se houve alguma anormalidade prévia ou comportamento do aparelho fora do comum.

A Xiaomi reitera que segurança e confiabilidade são pontos de partida na fabricação de seus gadgets. Por fim, a marca se solidariza com os clientes e reitera o respeito e compromisso de prestar todo apoio necessário.

O pós-venda da Xiaomi segue um processo padrão, que leva em torno de três dias úteis para o contato com o cliente, quando envolvem situações mais delicadas que carecem de uma avaliação minuciosa. Algo que ocorreu nos dois casos em questão.

Em relação ao atendimento aos usuários de produtos que não foram adquiridos via canais oficiais, a Xiaomi realiza uma avaliação de cada caso, considerando algumas situações extremas envolvendo os aparelhos, o que também ocorre com os demais usuários, já que é papel da empresa sempre estar ao lado dos clientes, priorizando a empatia.”

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