Redes sociais

Por Raquel Freire, para o TechTudo


O Facebook anunciou, na terça-feira (2), que irá desativar o sistema de reconhecimento facial presente em fotos e vídeos. Nas próximas semanas, todos os usuários deixarão de ser identificados automaticamente nos conteúdos publicados na rede social. Segundo comunicado feito por Jerome Pesenti, vice-presidente de inteligente artificial da Meta, os modelos individuais usados para mapear mais de um bilhão de rostos também serão excluídos do sistema.

Ao que tudo indica, a decisão foi tomada devido às crescentes preocupações com a privacidade dos usuários e com o tratamento dos dados por grandes empresas de tecnologia. Vale lembrar que a mudança da marca de Facebook para Meta baseou-se em uma estratégia para reposicionar a companhia como confiável em meio aos escândalos de privacidade e por conta das novas regulamentações do mundo virtual.

Facebook desativa sistema de reconhecimento facial para oferecer uma maior privacidade aos usuários — Foto: Reprodução/Facebook

Qual será o futuro da Meta? Opine no Fórum do TechTudo

O fim do reconhecimento facial automático fará com que as pessoas não sejam mais identificadas quando outros usuários postarem fotos e vídeos seus. A partir desta mudança, o recurso de Texto Alternativo Automático (AAT), que gera descrições de imagens para cegos e deficientes visuais, também será alterado. Apesar dos nomes das pessoas deixarem de constar das descrições de fotos, o AAT funcionará normalmente.

O comunicado da Meta afirma que mais de um terço dos usuários ativos diários do Facebook optaram pela configuração de reconhecimento facial, mas essa afirmação não corresponde completamente à realidade, já que representa uma parcela de usuários que já tinham a função ativada. O recurso foi habilitado por padrão desde sua introdução, em 2010, até o ano de 2019.

Há dois anos o sistema passou a perguntar explicitamente se o usuário desejava ter o seu rosto identificado. Vale lembrar que isso ocorreu mais de um ano após o escândalo da Cambridge Analytica, quando mais de 50 milhões de pessoas tiveram seus dados vazados para a empresa de marketing político, influenciando o resultado eleitoral das campanhas pró-Trump e pró-Brexit.

Em fevereiro de 2021, por exemplo, o antigo Facebook foi condenado a pagar US$ 650 milhões (cerca de R$ 3,7 bilhões, em conversão direta) devido a uma legislação de Illinois conhecida como Lei de Privacidade de Informações Biométricas (BIPA, na sigla em inglês), que veta a ferramenta de reconhecimento facial.

Além dos escândalos envolvendo a companhia recém denominada Meta, as diversas novas regulamentações — nos Estados Unidos, Europa e outras partes do globo — têm motivado a mudança de postura da empresa, que deseja se manter longe do epicentro dos problemas envolvendo privacidade dos usuários.

Com informações de Meta e G1

Veja também: Cinco coisas que seus amigos do Facebook sabem de você e como se proteger

5 coisas que seus amigos do Facebook sabem de você e como se proteger

5 coisas que seus amigos do Facebook sabem de você e como se proteger

Mais do TechTudo