Impressoras 3D
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Por Raquel Freire, para o TechTudo


Uma nova tinta para impressoras 3D feita de células bacterianas pode conseguir eliminar o BPA, material muito usado na fabricação de plásticos e que é associado à infertilidade e ao câncer. Além de limpar o ambiente, a biotinta também pode liberar azurina, uma droga que combate tumores cancerígenos.

Em laboratório, o gel imprimível mantém as estruturas vivas de forma estável por mais de dois anos, embora sua vida útil não tenha sido testada em usos específicos. O estudo foi realizado por 13 cientistas, a maioria da Universidade Harvard (EUA), e publicado na última terça-feira (23) na revista científica Nature Communications.

Tinta para impressora 3D feita de bactérias pode liberar remédio contra câncer e eliminar BPA do ambiente — Foto: Reprodução/Nature Communications

A tinta feita de micróbios é o primeiro gel imprimível feito inteiramente a partir de proteínas produzidas por células de E. coli — bacilos que se encontram, no geral, no trato gastrointestinal de animais de sangue quente, como os humanos —, sem adição de outros polímeros. Para criá-la, o primeiro passo foi desenvolver células geneticamente modificadas para produzirem subunidades de proteínas chamadas nanofibras de curli.

Os pesquisadores anexaram a essas nanofibras, de maneira alternada, módulos de carga oposta conhecidos como botão e orifício. Quando cultivaram essas duas células juntas, os botões de um tipo de fibra se conectam aos orifícios de carga oposta do outro tipo, formando uma rede.

A partir disso, os pesquisadores filtraram as bactérias usando uma membrana de nylon para concentrar as fibras reticuladas, antes de remover as células da mistura. Essa técnica produziu um gel com viscosidade e elasticidade adequadas para impressão em 3D. Os filamentos saem da impressora com cerca de meio milímetro de largura.

Criação da tinta a base de micróbios desde produção de bactérias geneticamente modificadas — Foto: Reprodução/Nature Communications

Dois experimentos foram feitos com esse gel. No primeiro, os estudiosos modificaram geneticamente outras células de E. coli para produzir azurina na presença de uma substância química chamada IPTG. Depois, a equipe introduziu essas células na biotinta, que foi transformada em uma estrutura viva que libera a droga anticâncer sob demanda.

O segundo teste usou outro grupo de células, desta vez modificadas geneticamente para produzir subunidades curli que conseguem se ligar ao BPA. Ao ser injetado no gel imprimível, o material conseguiu, em 24 horas, capturar quase 30% da toxina do líquido no qual foi imerso. "Ela é a primeira de seu tipo. Uma tinta viva que pode responder ao meio ambiente", disse Avinash Manjula-Basavanna, pesquisador do Instituto de Tecnologia de Massachusetts e um dos autores do estudo.

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