Por Bruno Magalhães, para o TechTudo


A Microsoft deu mais um passo decisivo no mundo dos games com o início da aquisição da Activision Blizzard nesta terça-feira (18). A empresa, responsável por franquias como Call of Duty, Overwatch, Diablo e Crash Bandicoot, foi comprada por US$ 68,9 bilhões (aproximadamente R$ 378 bilhões), considerada a maior transação da história dos videogames. Antes, a maior aquisição era a da Zynga pela Take Two Interactive, por US$ 12,7 bilhões — cerca de R$ 70 bilhões em conversão direta.

Vale notar que a notícia surge em meio a escândalos de abuso e assédio sexual dentro da Activision Blizzard, com acusações de que Bobby Kotick, atual CEO da companhia, teria acobertado as denúncias e colaborado com o ambiente tóxico de trabalho. Para entender o que esta aquisição significa para a dona do Xbox e quais serão os próximos passos, o TechTudo separou os tópicos a seguir para explicar em detalhes.

Microsoft compra Activision Blizzard, empresa responsável por Call of Duty, World of Warcraft, Diablo e mais — Foto: Reprodução/Microsoft

Transação ainda precisa ser aprovada

Assim como aconteceu com a recente compra da Bethesda pela Microsoft, as mudanças não entram em vigor desde já. Antes, a aquisição deve ser aprovada em um rigoroso processo de validação em órgãos de regulação, de modo a assegurar que não haja risco de monopólio ou quaisquer irregularidades legais.

Em e-mail interno a funcionários, Phil Spencer afirma que a estimativa é de que o processo de aquisição seja concluído neste ano fiscal de 2023 — ou seja, entre julho de 2022 e junho de 2023.

Bobby Kotick é CEO da Activision Blizzard e alvo de denúncias de má conduta em casos de assédio e abuso sexual na empresa — Foto: Reprodução/Eurogamer

CEO da Activision, Bobby Kotick, continua no comando

Bobby Kotick está no centro das polêmicas de abuso e assédio sexual dentro Activision Blizzard por supostamente acobertar denúncias de funcionários e estar diretamente envolvido em alguns casos, segundo uma apuração do The Wall Street Journal. O executivo tem sofrido pressão para renunciar ao cargo nos últimos meses, e a aquisição por parte da Microsoft foi interpretada como uma forma de afastá-lo pelos internautas.

No entanto, Bobby Kotick segue como CEO da Activision Blizzard pelo menos até a conclusão do negócio, quando a empresa passará a reportar a Phil Spencer. Embora ainda não haja confirmação, o The Wall Street Journal afirma ter consultado fontes próximas ao processo e constatado que Bobby Kotick deve deixar a empresa. Ainda assim, o executivo receberia quase US$ 293 milhões pela rescisão do contrato de trabalho — aproximadamente R$ 1,6 bilhão.

Em nota, Phil Spencer afirmou que a Microsoft está comprometida com a jornada em prol da inclusão em todos os aspectos dos games, incluindo funcionários e jogadores. Ele acrescentou, ainda, que o sucesso e a autonomia criativa andam de mãos dadas com o tratamento digno e respeitoso de todas as pessoas, e que o desejo é estender essa cultura proativa de inclusão para as equipes da Activision Blizzard.

Phil Spencer assume cargo de CEO da Microsoft Gaming após anúncio da aquisição da Activision Blizzard — Foto: Divulgação/Microsoft

Phil Spencer assume como CEO da Microsoft Gaming

O negócio bilionário da Microsoft também desencadeou mudanças internas na empresa. Phil Spencer, antes referenciado como chefe da divisão Xbox, foi promovido ao cargo de CEO da Microsoft Gaming, uma nova divisão dentro da empresa. Isso significa que ele estará à frente não apenas da marca Xbox, mas de todos os assuntos relacionados a jogos na Microsoft.

Isso mostra como os jogos estão sendo levados cada vez mais a sério pela empresa, que tem se destacado com o Xbox Game Pass, serviço de assinatura que superou a marca de 25 milhões de jogadores no mundo todo. Além disso, a companhia realizou a aquisição de outros grandes estúdios nos últimos anos.

A Microsoft agora é a terceira maior empresa de games e possui mais de 30 estúdios — Foto: Divulgação/Microsoft

Microsoft se torna a terceira maior empresa de jogos

Em receita global, a Microsoft agora é considerada a terceira maior empresa de jogos, ficando atrás apenas da Tencent e da Sony. A dona do Xbox contará com mais de 30 estúdios de games sob o seu guarda-chuva, incluindo nomes como: Mojang, Rare e Ninja Theory pela Xbox Game Studios; Arkane Studios e Tango Gameworks pela Bethesda; e Treyarch, Blizzard, King e Toys for Bob pela Activision Blizzard.

Aliança de funcionários da Activision seguirá cobrando mudanças

A notícia obviamente chamou a atenção da aliança de funcionários da Activision, que tem cobrado ativamente por melhores condições de trabalho e atuado na justiça para isso. Apesar do discurso pró-inclusão de Phil Spencer, a aliança seguirá cobrando mudanças na Activision Blizzard, especialmente tendo em vista que Bobby Kotick seguirá no cargo de CEO pelo menos até junho de 2023.

Vale lembrar que ao menos 37 funcionários já foram demitidos como resultado das investigações internas sobre assédio sexual e má conduta. Em nota nas redes sociais, a aliança afirma que continuará comprometida com a luta por melhorias no ambiente de trabalho e pelo direito dos seus funcionários, independente de quem esteja no controle financeiro da empresa.

Jogos da Activision devem chegar ao Xbox Game Pass

Um dos objetivos imediatos com a aquisição da Activision Blizzard, segundo Phil Spencer, é disponibilizar o máximo de títulos no Xbox Game Pass, que é o principal carro-chefe da Microsoft nesta geração. Vale lembrar que os jogos não devem entrar no catálogo até a conclusão do negócio, esperado para junho de 2023.

Entre as franquias que passarão a pertencer à Microsoft estão Call of Duty, Diablo, Guitar Hero, Tony Hawk’s Pro Skater, Spyro the Dragon, Crash Bandicoot, Diablo, Overwatch, Starcraft, World of Warcraft, entre outras. Os jogos dos estúdios da Microsoft costumam entrar no Xbox Game Pass no dia do lançamento e é esperado que isso também aconteça com os próximos títulos da Activision.

Call of Duty: Vanguard é um dos grandes títulos no catálogo da Activision Blizzard — Foto: Divulgação/Activision

Os jogos da Activision passarão a ser exclusivos de Xbox?

Ainda não está certo qual será o futuro dos jogos da Activision em outras plataformas. Em entrevista ao Bloomberg, Phil Spencer destacou que a Microsoft não tem a intenção de expulsar comunidades de uma determinada plataforma. No entanto, uma fonte do site aponta que a empresa deve lançar alguns dos seus jogos para plataformas PlayStation, enquanto outros conteúdos serão exclusivos de Xbox.

Quando a Microsoft adquiriu a ZeniMax Media, proprietária da Bethesda, demorou um tempo até que os primeiros jogos exclusivos de Xbox fossem revelados. Até o momento, Starfield e The Elder Scrolls 6 já estão confirmados como exclusivos. No caso de Deathlooop e GhostWire: Tokyo, a Microsoft optou por respeitar o contrato de exclusividade temporária que os estúdios já tinham com a PlayStation.

Em outras palavras, os casos serão avaliados individualmente. Apenas o tempo pode dizer quais jogos chegam somente ao Xbox e quais estarão em outras plataformas. De qualquer forma, os assinantes do Xbox Game Pass poderão tirar todo proveito do catálogo da Activision Blizzard.

Call of Duty: Warzone traz tiroteios intensos em um Battle Royale com até 150 jogadores — Foto: Reprodução/Xbox Game Store

Planos para o metaverso

A compra da Activision Blizzard também cumprirá um papel importante para a fundação do que seria o metaverso — uma espécie de convergência do mundo real com o mundo tridimensional, utilizando realidade virtual, aumentada e outras tecnologias. Embora o conceito ainda seja muito abstrato, a empresa espera que a aquisição tenha reflexos no mercado mobile, nos serviços de assinatura e na sua concepção do que é o metaverso.

Em uma conferência para investidores nesta terça-feira (18), Satya Nadella, CEO da Microsoft, afirmou que a visão da empresa é um "rio de entretenimento em que o conteúdo e o comércio fluem livremente, impulsionando um renascimento pela indústria para tornar os jogos mais inclusivos e acessíveis para todos". Ele acrescenta que a remoção de barreiras se tornará mais importante à medida que "os mundos digital e físico se unirem e as plataformas do metaverso se desenvolverem".

É interessante notar que outras grandes marcas também estão investindo no que virá a ser o metaverso. O exemplo mais significativo é o Facebook, que mudou o nome da empresa para Meta em outubro do ano passado para destacar seu comprometimento com essa visão. Será preciso esperar para ver o resultado disso, no entanto.

Com informações de GameSpot (1, 2), IGN, Eurogamer, Bloomberg, The Guardian, Windows Central e Xbox Wire

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