Por Filipe Garrett


A Sony revelou a Bravia XR A95K, primeira TV com tela QD-OLED do mundo durante a CES 2022. Tecnologia da Samsung, o QD-OLED representa uma evolução que combina virtudes de painéis LED com pontos quânticos para cores e brilho mais intenso com as qualidades do OLED, como o contraste infinito e os tons escuros mais precisos.

A seguir, você vai entender melhor como o QD-OLED funciona, quais são as vantagens da tecnologia e as diferenças desse tipo de display na comparação com tecnologias mais consolidadas, como as telas LED e OLED disponíveis atualmente.

O que é QD-OLED?

Nova Bravia estreia o QD-OLED no mercado — Foto: Divulgação/Sony

QD-OLED é uma tecnologia introduzida pela Samsung e que mistura o chamado QLED com o OLED. O objetivo da fabricante é criar um novo tipo de display para televisores e monitores que combine as vantagens das duas tecnologias: do OLED vem o contraste infinito e os tons escuros de alta precisão e qualidade, enquanto o QLED se aproveita a capacidade de gerar cores e brilho mais intenso do que o possível no OLED.

A princípio, essas são as promessas da Samsung. No material de divulgação, a marca fala num espectro de cor mais amplo, cobrindo 99,8% do padrão DCI-P3 de cor. É um registro que dá sustentação à promessa, mas telas OLED – sem os pontos quânticos – que atingem algo nessa mesma faixa já existem no mercado.

QLED + OLED

Telas QLED são do tipo LCD/LED, mas que usam os chamados pontos quânticos para garantir imagens com alta intensidade de brilho e grande qualidade de cores. Já o OLED dispensa completamente a necessidade de um painel de LED iluminando o display, já que nesse tipo de tecnologia cada pixel controla sozinho a sua luminosidade.

Pontos quânticos são cristais que emitem luz responsável por gerar cores mais vivas em telas LED e agora também em OLED — Foto: TechTudo

Essa diferença em abordagem entre as duas tecnologias acaba representando vantagens e limitações em cada uma delas. Uma tela QLED vai atingir brilho mais intenso e não deve distorcer cor, mesmo no máximo de brilho. Por outro lado, o display QLED pode não ter as melhores taxas de contraste – a medida da diferença entre tons claros e escuros na tela – e também terá tons escuros e pretos com aspecto mais lavados, distorcendo para o cinza.

Por outro lado, o OLED tem o chamado contraste infinito, já que cada pixel da tela pode ser desligado para emissão de tons escuros de alta precisão. No geral, a percepção é de que a qualidade de imagem do OLED é superior por conta dessas duas características. Ainda assim, a tecnologia tem limites em televisores e monitores: o nível máximo de brilho é menor e, com brilho alto, a tendência é que cores sofram distorção.

Isso tudo sem considerar questões de durabilidade: painéis OLED estão sujeitos a desgastes mais intensos, como perda de brilho e qualidade de cor, além dos riscos de burn-in, mas sobre isso falamos depois.

O que é um ponto quântico e diferenças para o OLED

OLED tem pixels que geram a própria iluminação. LED depende de uma série de camadas ocultas que distribuem a luz pela tela num processo que pode gerar desequilíbrios relacionados a baixo nível de contraste e tons escuros menos intensos (Foto: Divulgação/LG) — Foto: TechTudo

Pontos quânticos (ou os “quantum dots”, em inglês) são pequenas partículas com dimensões variando de 2 a 10 nanômetros de material semicondutor que, quando iluminadas por alguma frequência específica de luz, acabam emitindo algum tipo de luz colorida. Pontos maiores, de 10 nm, vão gerar cor vermelha e os menores, tons em azul.

Os diferentes tamanhos entre esses dois extremos geram cores diferentes, preenchendo assim o espectro com várias tonalidades que, combinadas no display, geram cores vibrantes e precisas. O ponto ruim dessa abordagem é o mesmo que vale para todo painel LED. A luz responsável por produzir cores acaba afetando a reprodução de tons escuros, prejudicando a intensidade de contraste desse tipo de tela.

No OLED não existe um LED iluminando todo o display, de forma que os pixels individuais podem ser desligados para criar tons escuros de alta qualidade, gerando contraste muito mais intenso. Sem pontos quânticos, o OLED conta com substratos que emitem luz que passa por filtros para vermelho, azul e verde (do padrão RGB, algo que você pode ver com uma lente macro aplicada sobre a tela de um smartphone) gerando as cores e padrões finais que você vê na tela. OLEDs usados em televisores podem contar ainda com um filtro para branco, incluído para que a tela atinja níveis maiores de brilho.

Samsung tem bastante experiência com pontos quânticos nas linhas QLED dos últimos anos — Foto: Yuri Hildebrand/TechTudo

No entanto, a tecnologia OLED tem algumas limitações: esse processo de filtragem de luz e a forma como ela é emitida representa dificuldades para que esses painéis gerem brilho intenso. Em muitos casos, o brilho mais alto pode até distorcer cor e comprometer a vida útil do painel.

A tecnologia QD-OLED da Samsung corrige essa deficiência porque elimina os tais filtros e usa pontos quânticos para produzir cor. Como a luz gerada pelo OLED não acaba difusa e abatida por filtros, a tendência é que o brilho do painel seja mais intenso e contribua para que as cores permaneçam fiéis mesmo com maior intensidade, sem distorcer o contraste entre áreas claras e mais escuras da tela.

Como também emitem cor de forma uniforme, os pontos quânticos do QD-OLED devem contribuir para ângulos de visão muito mais abertos do que os possíveis em painéis OLED comuns.

A Samsung traçou alguns dados que ajudam a ter uma ideia do que o QD-OLED pode representar em qualidade de imagem. Nas contas da marca, uma tela QD-OLED pode bater 200 nits em toda a superfície do display, ou 1.000 nits numa área mais condensada da tela. O site CNET, ao fazer um review da LG C1, notou que a tela bate 800 nits numa área de 10% do display.

O QD-OLED corrige burn-in e problemas de vida útil?

O OLED vem sendo referência em termos de televisores de alta qualidade por alguns anos. Entretanto, há dois pontos que podem afastar o consumidor: o primeiro deles é o problema de retenção de imagem, o famoso burn-in.

A retenção de imagem ocorre quando a tela apresenta elementos estáticos que mudam pouco com o tempo: um HUD num game ou a barra de tarefas do Windows, por exemplo. Se essa imagem for estática e mudar pouco ao longo do tempo, ela pode ficar gravada de forma permanente nos pixels, marcando a tela para sempre.

O burn-in (ou retenção de imagem) é um problema causado por imagens estáticas exibidas durante muito tempo — Foto: TechTudo

Televisores e monitores OLED mais recentes têm técnicas de mitigação integradas, que atenuam o problema, mas não o impedem completamente.

Segundo o site CNET, a Samsung indica que painéis QD-OLED são no mínimo tão bons (ou ruins, depende do seu ponto de vista) em gerenciar burn-ins quanto as telas OLED atuais. A fabricante promete um mecanismo automático de compensação para amenizar os riscos, mas a princípio o QD-OLED não deve representar o fim do burn-in.

Outro porém em torno do OLED é a vida útil: telas desse tipo tendem a perder qualidade em um ritmo mais acelerado do que outras tecnologias. Questões sobre desgaste não foram abordadas pela Samsung e terão de ser observadas por análises independentes quando produtos com a nova tecnologia alcançarem o mercado.

No momento, painéis OLED estão confinados a televisores mais caros porque a tecnologia representa custos e desafios importantes de manufatura, impactando diretamente nos custos finais de produtos que contam com displays do tipo. A expectativa em torno do QD-OLED é de que os preços sejam altos, sobretudo considerando a oferta reduzida. Apenas a Samsung domina a tecnologia no momento e isso deve ter impacto sobre os preços de TVs e monitores com o recurso.

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