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Por Victor de Abreu, para o TechTudo


Gustavo "Baiano" Gomes é um dos maiores streamers do Brasil na Twitch. Com foco principalmente em League of Legends, ele se consolidou no cenário com a criação de diversos projetos. O destaque fica para a idealização do CBOLÃO, um torneio que reuniu milhares de espectadores e angariou muitas doações para a caridade. Antes de seu sucesso como streamer, Baiano foi jogador profissional de LOL e contou com uma trajetória de muita superação durante toda sua carreira. A seguir, conheça um pouco mais de sua história e seu caminho até chegar ao ápice como streamer.

Conheça Baiano LOL, um dos maiores streamers do Brasil — Foto: Divulgação/Bruno Alvares/Riot Games

Trajetória pessoal

Como diz seu próprio apelido, Baiano nasceu no estado da Bahia, na cidade de Bom Jesus da Lapa, mas viveu boa parte de sua vida em Recife, Pernambuco. Vindo de família humilde, ele sempre enfrentou bastante pressão dos pais para fazer faculdade e ter um bom futuro. Finalizou o ensino médio com apenas 15 anos e logo teve que decidir a carreira que seguiria. Nessa época, no entanto, ele já se sentia atraído por jogos online, como Gunbound e principalmente a primeira versão do DotA, game que o fez se interessar por competições de esports.

Ao tentar entrar em uma faculdade federal, Baiano foi aprovado em três cursos e escolheu Engenharia Ambiental para iniciar seus estudos no ensino superior. Infelizmente, ele percebeu que não era aquilo que gostaria de fazer e começou a entrar em um dilema. Tanto que, com 17 anos, foi diagnosticado com depressão por conta das dúvidas relacionadas ao seu futuro.

DotA foi o primeiro jogo que Baiano se dedicou para participar de competições — Foto: Divulgação/Blizzard

Início da carreira e do elojob

Baiano jogou algumas competições menores de DotA na região em que vivia. Esses torneios ofereciam premiações pequenas, mas que o ajudavam a mostrar à família que o jogo poderia lhe dar algum dinheiro. Porém, não demorou para perceber que o primeiro DotA não daria futuro e que havia outra opção ganhando a atenção dos fãs de MOBA: o League of Legends. Ele realizou a transição para o título da Riot Games e, graças à experiência que possuía no DotA, aprendeu a jogar muito rápido e não teve dificuldades em se destacar nas filas ranqueadas.

No começo de sua carreira, ele participava de um torneio semanal chamado de Go4lol, que era organizado pela ESL. As competições tinham uma premiação mínima de R$ 500 para time campeão, o que se tornou também em uma pequena renda nesse período. O que ele não sabia é que havia outra forma de renda mais lucrativa e polêmica por jogar LOL: o elojob. Essa prática funciona quando um jogador de alto nível cobra serviços para evoluir o elo da conta de terceiros. Com isso, ele pôde comprar um PC novo e seguir lucrando ao mesmo tempo que continuava jogando os torneios.

Baiano já comentou sobre a Go4LoL em sua stream e até afirmou que vencer a antiga competição valia mais do que vencer o CBLOL Academy — Foto: Divulgação/Clipes do Baiano

Banimento e ascensão no competitivo

Sua primeira equipe de destaque foi a Equipe Rocket, que viria a se tornar a Seven Wars (7W). Por sinal, ele utilizava o apelido de "OwninG" à época. O time contava com outros jogadores que faziam elojob, como André "esA" Pavezi, Bruno "Brucer" Pereira, Luccas "Zantins" Martins e Lucas "Krow" Rabaça. Em 2014, esse time surpreendeu o cenário e conquistou vitórias contra equipes já consagradas no competitivo do Brasil, inclusive levando uma vaga na IEM Season 8 Sao Paulo.

Infelizmente, aquele lucro mais fácil reservava uma grave consequência. Como o elojob é uma prática proibida no League of Legends, a Riot Games logo agiu e baniu os jogadores do competitivo por um ano. A punição foi pior para Baiano, que ainda recebeu um gancho de seis meses por ter terminado um serviço que já havia começado antes da primeira suspensão.

Equipe da 7W na IEM sem Baiano, que não pôde participar, pois a organização escreveu seu nome errado ao comprar sua passagem de Recife para São Paulo — Foto: Divulgação/Agência X5

A longa suspensão foi um choque para Baiano, que não poderia jogar no Campeonato Brasileiro de League of Legends (CBLOL) durante o período, competição que começava a dar seus primeiros passos. A opção foi disputar o Circuito Desafiante, a segunda divisão do CBLOL, onde atuou por INTZ RED, time que subiu para elite com sua ajuda, e a JAYOB e-Sports. No final de 2015, a punição havia se encerrado, e ele pôde jogar o CBLOL pela Keyd Stars em 2016. Nesse período, em meio à boa fase de sua nova equipe, ele precisou passar por uma cirurgia para a retirada de um tumor benigno que foi detectado em seu intestino. A operação o obrigou a ficar sem jogar por algumas semanas.

Mesmo enfrentando problemas de saúde à época, ou seja, sem jogar 100%, Baiano conseguiu atuar em boa parte da campanha do vice-campeonato da Keyd na primeira etapa de 2016, quando perderam para o forte time da INTZ. Depois, no segundo split, ele e sua equipe ficaram com a quarta colocação após derrota para a CNB e-Sports Club. Essa foi a última competição de Baiano no Brasil, antes de partir para um desafio que nenhum brasileiro ainda havia tentado.

Baiano na equipe de LOL da Keyd — Foto: Divulgação/Riot Games

Primeiro brasileiro a competir no exterior

Em 2017, Baiano deixou a Keyd e vestiu a camisa da Big Gods Jackals para se tornar no primeiro jogador brasileiro a jogar LOL na liga profissional nos Estados Unidos. Ele também tinha a companhia do treinador brasileiro Ednilson "Jukaah" Vargas. Sua equipe chegou a contar com nomes já conhecidos no competitivo, como Oleksii "RF Legendary" Kuziuta, Jovani "fabbbyyy" Guillen e Thúlio "Sirt" Carlos, bicampeão brasileiro pela paiN Gaming e que chegou na Jackals alguns meses depois do surgimento da equipe.

Baiano aproveitou para evoluir nas filas ranqueadas do servidor local e conseguiu ficar entre entre os melhores do ranking por um bom tempo. Por sinal, seu desempenho na América do Norte chegou a arrancar elogios de Yiliang "Doublelift" Peng, um dos melhores jogadores da história dos Estados Unidos e uma das grandes referências para os atiradores desde o começo do competitivo do LOL.

A Big Gods Jackals disputou duas etapas da NACS 2017, a segunda divisão da LCS, liga norte-americana de LOL. Em ambas as oportunidades, a equipe de Baiano alcançou o Top 4, ficando sem a vaga para disputar o espaço para a LCS, mas mantendo-se na segunda divisão. No final do mesmo ano, a LCS anunciou o sistema de franquias, acabando de vez com o esquema de rebaixamento e acesso. Assim, a Jackals não viu outra alternativa que não fosse encerrar o projeto e liberar seus jogadores.

Baiano atuando na Big Gods Jackals — Foto: Divulgação/Big Gods

Reta final como pro player

Após deixar a Big God Jackals, Baiano assinou contrato com a CNB e-Sports Club para atuar na temporada de 2018 do CBLOL. Nas duas etapas do CBLOL 2018, o jogador voltou a bater na trave na disputa pelo título. Na primeira etapa, quarta colocação após derrota para a Vivo Keyd. Na segunda etapa, a CNB ficou com a terceira colocação depois de ser derrotada pelo Flamengo Esports. Baiano ainda participaria de um torneio chamado Superliga ABCDE 2017 no final do ano, mas anunciou que havia sido novamente diagnosticado com depressão, o que o levou a se afastar do competitivo.

A última equipe de Baiano foi o Santos e-Sports. Ele vestiu a camisa do Peixe durante a temporada de 2019 para tentar ajudar o time a conquistar uma vaga no Circuito Desafiante pela Série de Acesso. Durante esse ano, Baiano já realizava transmissões na Twitch e via seu canal crescer. Em outubro de 2019, o Santos conquistou o título do Logitech G Challenge 2019. Essa foi a última competição de Baiano antes de se aposentar do competitivo e partir para uma nova carreira.

Após atuar por CNB e Santos, Baiano se aposentou de vez da carreira de jogador profissional — Foto: Divulgação/Bruno Alvares/Riot Games

Carreira como streamer

Baiano passou a focar em seu canal da Twitch no final de 2019. No começo, sua média era de cerca de 100 espectadores o assistindo jogar League of Legends e também fazer análises de competições, o que viria a se tornar o quadro "Baianalista". Sua primeira grande oportunidade de aumentar os lucros com as streams surgiu em um contrato realizado com a plataforma Nonolive.

Após um mês, o acordo foi encerrado, mas ele recebeu mais uma boa proposta do Facebook, que o daria um lucro ainda maior. Apesar disso, o contrato também terminou antes do planejado e ele precisou voltar para a Twitch. Na plataforma da Amazon, Baiano havia perdido a parceria por ter realizado transmissões em uma plataforma rival e não poderia monetizar o seu canal. Por conta disso, passou um tempo recebendo apenas doações realizadas por seus espectadores.

Após tentar outras plataformas, foi na Twitch que Baiano acabou por seguir sua carreira — Foto: Divulgação/Twitch

O streamer também utilizava das lives como uma forma de ajudar seu quadro depressivo, que voltou com força após a decepção com o fim precoce do contrato com o Facebook. Fazer transmissões ajuda ele a poder ver o lado mais humano da comunidade brasileira de League of Legends e se divertir entrando em contato com seus fãs.

O ponto de real mudança em sua carreira de streamer aconteceu no começo do ano de 2020. Sem competições oficiais ocorrendo na época, Baiano teve a ideia de fazer seu próprio torneio, o CBOLÃO, um evento que nem ele próprio imaginava a proporção que iria tomar.

Criação do CBOLÃO

Primeiro CBOLÃO beneficente aconteceu em março de 2020 — Foto: Reprodução/Baiano

O CBOLÃO é um torneio beneficente idealizado por Baiano. Além de angariar fundos para caridade, o evento também busca reunir grandes nomes do cenário competitivo de League of Legends em disputas amistosas e dar outra opção de entretenimento à comunidade. A primeira edição, realizada em março de 2020, não teve ajuda financeira de patrocinadores e foi organizada de forma independente por Baiano e alguns de seus amigos. Como na época era o começo da pandemia de Covid-19, as doações foram focadas no combate contra a doença.

O evento levou apenas uma semana para ser organizado, mas a criatividade de Baiano fez com que tudo ocorresse melhor do que ele próprio imaginava. Para agregar ainda mais ao projeto, ele chamou nomes como Diego "Toboco" Pereira e Matheus "Mylon" Borges para participarem da narração, além de jogadores como Felipe "brTT" Gonçalves, Filipe "Ranger" Brombilla e Leonardo "Robo" Souza. Outros destaques nas filas ranqueadas também foram convidados para competirem no torneio. Baiano esperava um número próximo de 10 mil espectadores, mas a audiência viria a atingir um nível bem superior.

Qualidade do CBOLÃO cresceu em todos os aspectos com o passar das edições — Foto: Reprodução/CBOLÃO

A comunidade aderiu à ideia e fez desta primeira edição um grande marco para o League of Legends e também para os esportes eletrônicos no Brasil. Foram mais de 100 mil espectadores acompanhando as mais variadas equipes no torneio e mais de R$ 90 mil em doações.

Figuras populares do cenário internacional, como Carlos "ocelote" Rodríguez, CEO da G2 Esports; e Eefje "Sjokz" Depoortere, apresentadora da LEC, também ajudaram nas doações. Além disso, nomes como Alexandre "Gaules" Borba e Epitácio "TACO" de Melo, ambos do Counter-Strike: Global Offensive (CS:GO), marcaram presença.

Além de ajudar muito com uma excelente causa, Baiano também se encontrou em uma nova fase da carreira de streamer. Com o sucesso do CBOLÃO, a Twitch entrou em contato com ele e ofereceu novas propostas para que seu canal pudesse ser mais uma vez monetizado. Assim, Baiano começou a crescer mais na plataforma, até se tornar no sucesso que é hoje. Ele seguiu fazendo seus quadros nas transmissões, como o "Baianalista" e o "Depois do Crime", e já conta com quatro edições do CBOLÃO realizadas até o momento.

Premiações, projetos e pausa

Projetos como Baiburger e Só Agradece devem retornar no futuro após Baiano focar em cuidar de sua saúde — Foto: Divulgação/Baiburger

Baiano foi indicado na categoria "Melhor Streamer" pelo Prêmio eSports Brasil 2021, e também como "Personalidade do Ano" na premiação internacional do Esports Awards 2021. Outros projetos também foram idealizados por ele, como a hamburgueria chamada de "Baiburger" e a organização de esportes eletrônicos "Só Agradece" com uma equipe de League of Legends: Wild Rift. O time, inclusive, por muito pouco não se tornou campeão brasileiro.

Em dezembro de 2021, Baiano anunciou uma pausa em seus projetos para cuidar da saúde. Em sua nota, ele afirmou passar mais dias se sentindo doente do que saudável e que tocou alguns projetos mesmo não estando nas melhores condições. Logo, percebeu que era o momento de focar em ficar bem para retomar os projetos no futuro com um novo ritmo. Atualmente, ele realiza apenas suas tradicionais transmissões.

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