Fones de ouvido
Publicidade

Por Filipe Garrett, para o TechTudo


Na hora de investir em um fone de ouvido de maior qualidade, é importante ficar de olho na variedade de tecnologias presentes no gadget. Recursos como cancelamento ativo de ruído (ANC) e suporte a codecs de áudio de alta performance (para modelos via Bluetooth) podem fazer toda a diferença na experiência sonora. Alguns dispositivos, contudo, são mais limitados e não apresentam certos artifícios, podendo decepcionar o usuário.

Para evitar esse risco, vale a pena se informar sobre as propriedades dos aparelhos antes de comprá-los. Por isso, o TechTudo separou algumas tecnologias e dicas que você pode levar em conta na hora de procurar um novo fone de ouvido.

Som 3D (com Atmos ou não) é um recurso interessante, mas conteúdo compatível pode não ser tão abrangente — Foto: Yuri Hildebrand/TechTudo

1. Dolby Atmos e som 3D

Dolby Atmos é uma tecnologia de som surround virtual que tem o objetivo de reproduzir o áudio dando a sensação de que o som vem de diferentes direções. No caso de fones de ouvido, a ideia é permitir que o usuário aprecie o som percebendo com facilidade de onde vem a participação de cada instrumento.

Nem todo fone é compatível com Atmos, já que nem todo fabricante está disposto a pagar os custos de licença para usar a tecnologia em seus produtos. Mas isso não tem impedido essas marcas de criarem seus próprios recursos de som 3D: Samsung, Apple e Sony são bons exemplos. Em todos os casos, no entanto, o usuário precisa não só do fone, mas também de uma fonte de som compatível com o recurso.

2. Cancelamento ativo de ruído (ANC)

Cancelamento de ruído ativo aumenta imersão e aparece em muitos fones sem fio — Foto: Yuri Hildebrand/TechTudo

O cancelamento ativo de ruído é uma tecnologia presente em diversos tipos de fones de ouvido e que busca atenuar o som ambiente para aumentar a imersão do usuário. O mecanismo funciona usando microfones que captam o som externo, processando-o e anulando-o. Com o recurso ligado em um fone de boa qualidade, é um desafio tentar entender o que alguém está falando a poucos metros de distância.

Como depende de recursos mais sofisticados, o ANC tende a aparecer em fones mais caros e é mais associado a modelos sem fio, que contam com bateria para fornecer energia ao sistema de captação e processamento de som necessário para realizar o cancelamento. Fones como os AirPods Pro e os Galaxy Buds Pro são exemplos de in-ear com a tecnologia, enquanto modelos como o Sony WF-1000XM4 e Bose QuietConfort são referências entre os over-ears.

3. Modelos TWS

AirPods Pro usam tecnologia compatível com TWS+ — Foto: Divulgação/Apple

Para quem está de olho em fones sem fio, procurar modelos TWS é uma boa ideia, já que esse método de comunicação acaba garantindo conexão mais estável. Fones desse tipo funcionam recebendo o sinal Bluetooth de áudio em um dos falantes, o primário, que depois transmite o sinal para o falante secundário.

Há vantagens e desvantagens nessa abordagem. O ponto positivo é a estabilidade, já que ela evita oscilações, além de facilitar o recebimento do áudio. O ponto negativo, por outro lado, é que o som tende a perder qualidade e há mais delay.

Existe uma tecnologia da Qualcomm que leva nome parecido, mas funciona de forma diferente: o TWS+. Nela, cada fone se conecta de forma independente à fonte de áudio. Sincronia, estabilidade e qualidade do sinal são garantidas por meio de hardware e tecnologias próprias da empresa. Por conta disso, o aparelho — geralmente um celular, mas reprodutores de áudio com Android também entram na jogada — precisa ser compatível e oferecer hardware da Qualcomm, como processadores e controladores Bluetooth.

A Apple, embora não use tecnologia da rival e não use a mesma nomenclatura, trabalha com uma tecnologia que liga seus AirPods a produtos da marca adotando o mesmo princípio do TWS+.

4. Áudio Lossless

O termo "lossless" ("sem perdas", do inglês) refere-se a formatos de áudio em que o som é apresentado em arquivos sem compressão, ou seja, em formato bruto. Nele, a amostra não tem nenhum tipo de perda de qualidade, artefato de compressão ou outro problema associado a formatos mais econômicos, como o MP3. O lado ruim é que, enquanto um MP3 terá apenas alguns megabytes, a mesma música em formato lossless pode passar facilmente dos 50 MB.

Máxima qualidade de som? Vá atrás de fones com cabo — Foto: Anna Kellen Bull/TechTudo

Arquivos sem compressão são, portanto, muito maiores e não se dão bem com o Bluetooth. As conexões sem fio tendem a comprometer a qualidade do som, aplicando codecs que comprometem a qualidade para diminuir o estresse da transmissão, garantindo assim um sinal estável. É por conta disso que consumo de música lossless faz mais sentido com fones com fio — ou no mínimo opções híbridas, que podem ser usadas das duas formas.

Quem é exigente em termos de áudio vai sempre preferir som lossless associado a um fone de ouvido de alta qualidade. Em muitos casos, comparar a mesma música em MP3 de 128 kbps com um arquivo FLAC da mesma composição usando um fone top de linha pode ser uma experiência reveladora. Nuances da música, detalhes dos instrumentos, variações e transições na canção acabam muito mais aparentes, já que não foram perdidos por um processo de conversão que tende a achatar esses detalhes.

5. Prefere sem fio? Fique de olho nos codecs

Fones sem fio de boa qualidade usam codecs mais sofisticados — Foto: Yuri Hildebrand/TechTudo

O Bluetooth se faz cada vez mais presente em fones de ouvido, libertando o usuário dos fios e propiciando que atividades cotidianas sejam feitas ao som de músicas ou podcasts. Além disso, a presença dessa tecnologia também popularizou recursos como o som 3D e o cancelamento ativo de ruído em produtos mais acessíveis. Entretanto, seu ponto negativo é o sacrifício na qualidade de som.

Mas isso não quer dizer que não existam fones via Bluetooth com boa qualidade. Além do Sony WH-1000XM4 citado anteriormente, há também sua versão intra-auricular, o WF-1000XM4. Os Momentum 3 Wireless da Sennheiser também se sobressaem em qualidade de áudio, assim como os Bowers. & Wilkins PX7 e os Cambridge Audio Melomania 1 Plus.

Em comum, todos esses fones usam algum tipo de codec — o software responsável por traduzir a informação em música — que privilegia maior qualidade de som. Hoje, os principais codecs são LDAC, AAC, Scalable e aptX, e é fundamental que o fone suporte alguma combinação deles. Os fones da Sony até usam um recurso que, parecido com o upscaling da TV, promete aprimorar a qualidade de áudio de amostras de menor fidelidade.

A respeito dos modelos mencionados, nenhum deles é particularmente barato ou fácil de achar no Brasil. Para modelos disponíveis no nosso mercado — embora com uma qualidade inferior —, é possível encontrar o Galaxy Buds Pro ou os AirPods, da Apple.

6. Não esqueça do reprodutor

DACs podem ser usados com celulares e outros dispositivos para converter som preservando qualidade — Foto: Divulgação/IFI

Até aqui, distintas tecnologias foram mencionadas, desde algumas mais populares até outras que ainda não são encontradas facilmente no Brasil. Contudo, nenhuma delas será completamente efetiva se o reprodutor de áudio — o dispositivo que lê os arquivos de som — não for de boa qualidade e não oferecer um DAC (processador que analisa o arquivo digital e o converte no som final) de alta performance.

Smartphones top de linha tendem a oferecer DACs razoáveis — antes de desistir desse mercado, a LG se sobressaia no quesito —, mas as melhores opções são os reprodutores de som Android dedicados. Eles trazem hardware dedicado para tocar música na maior fidelidade possível. Como se trata de um mercado mais de nicho, esse tipo de aparelho não é muito comum no Brasil e a importação é um caminho mais comum.

Além de reprodutores, existem DACs e amplificadores dedicados que podem ser ligados ao celular ou ao computador para realizar a tarefa da conversão do sinal digital em analógico, proporcionando música de ainda maior qualidade. Um DAC dedicado tende a ser mais barato e fácil de encontrar — alguns funcionam até via Bluetooth.

Com informações de WhatHiFi, SoundGuys, TechRadar e Headphonesty

Mais do TechTudo