Celular

Por Danilo Paulo de Oliveira, para o TechTudo

TechTudo

A Coreia do Norte passa por uma verdadeira febre de desbloqueio de celular, com número crescente de habitantes adotando este procedimento, de acordo com um relatório da Lumen, uma organização de direitos digitais focada naquele país asiático. O processo, conhecido como "root" (Android) ou "jailbreak" (iOS) é visto como solução para que moradores do regime político mais fechado do mundo possam acessar sites de notícia e aplicativos de outros países.

O que é jailbreak?

"Root" e "jailbreak" ficaram populares no mundo por permitirem personalizações especiais no aparelho e burlar jogos — Foto: Reprodução/CF-Auto-Root

O "jailbreak" significa "fugir da prisão" em tradução livre. O processo é utilizado para burlar restrições existentes no sistema do telefone. Apesar de ter caído em desuso, o método desenvolvido incialmente por grupos de hackers ficou muito popular entre os usuários que gostariam de realizar personalizações no celular, trapacear em jogos e praticar a pirataria.

É possível realizar esse desbloqueio em outros produtos como Playstation 4, da Sony, ou Xbox One, da Microsoft, por exemplo. Em dispositivos Android, o procedimento recebe o nome de "root".

Na Coreia do Norte não é permitido baixar aplicativos ou mesmo arquivos não sancionados pelo governo. Dois desertores norte-coreanos (ou seja, que fugiram do regime ditatorial) contaram à Lumen que hackearam celulares aprovados pelo governo sob os codinomes “Pyongyang 2423” e “Pyongyang 2413”. Os modelos possuem uma versão do Android modificada pelo governo capaz de deletar automaticamente apps e arquivos que não possuem uma certificação especial exigida pelas autoridades.

O objetivo do root foi de burlar essas restrições para poder acessar mídia estrangeira e e-books proibidos no país.

A crítica na Coreia do Norte

Os desertores realizaram o jailbreak nos próprios celulares e em dispositivos de diversos amigos. Eles revelaram que serviços de jailbreak são realizados secretamente por outras pessoas e por motivos variados. Além de impedirem download de conteúdo não aprovado, os smartphones da Coreia do Norte realizam capturas de tela de forma aleatória, de acordo com o relatório. Os usuários de smartphones ficam receosos porque as penas no país são rígidas contra a esse tipo de desobediência. Uma reportagem do The New York Times publicada em novembro, por exemplo, mostrou que a nação executou cidadãos apenas por assistirem a vídeos de K-pop.

As sanções impostas pela ditadura de Kim Jong-un levantam debates sobre direito à informação e liberdade no mundo digital. A região tem a pior nota entre os 210 países analisados pela Freedom House no ranking que classifica a liberdade digital. O país fica no fim da lista, com apenas três pontos de cem. Para efeito de comparação, o Brasil aparece com 73 pontos, enquanto os Estados Unidos alcançam 83.

Um especialista entrevistado pela Wired disse que o povo norte-coreano “está criando soluções alternativas” para acessar informações que o governo não quer que saibam. No país, a internet é monitorada e apenas uma pequena elite consegue ter acesso à internet sem muitas restrições para consumir veículos de notícia e entretenimento de outros países.

Com informações de The New York Times, The Wired e Freedom House

Mais do TechTudo