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Por Victor de Abreu, para o TechTudo


Os torneios de esportes eletrônicos já encararam os mais diversos tipos de polêmicas. Entre elas, é possível citar manipulação de resultados (match fixing), abuso de falhas no jogo, uso de programas ilegais e desrespeito de jogadores com seus adversários. Torneios de jogos como Counter-Strike: Global Offensive (CS:GO), League of Legends e Fortnite já precisaram punir atletas profissionais por esse tipo de atitude, marcando seu respectivo cenário competitivo de forma negativa. A seguir, você confere algumas polêmicas ocorridas durante torneios de esports.

Casos controversos de match fixing, bugs, usos de programas ilegais já ocorreram durante torneios nos esportes eletrônicos — Foto: Divulgação/Bully Hunters

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Screen Hack no Mundial de League of Legends 2012

No Mundial de LoL 2012, em Los Angeles, Estados Unidos, alguns jogadores se envolveram em uma polêmica com "screen hack" ou "screen watching". Esse termo significa basicamente olhar para uma tela secundária no local do torneio com o objetivo de adquirir informação adicional dos adversários e obter uma vantagem obviamente injusta. No palco do mundial em 2012, os jogadores descobriram que era possível ver a tela que os espectadores no local utilizavam para assistir aos jogos e, com isso, conquistar informações relevantes para ajudar suas equipes.

Gao "WeiXiao" Xue-Cheng, da Team WE, Liu "Zz1tai" Zhi-Hao, da iG Gaming, Marcus "Dyrus" Hill e Shan "Chaox" Huang, ambos da TSM, e Wang "Stanley" June-Tsan, da Taipei Assassins, receberam advertências devido ao screen hack. Esse não foi o caso de Jang "Woong" Gun-woong, da Azubu Frost. De acordo com a Riot Games, foi provado que a informação adquirida por Woong modificou uma decisão da Azubu Frost logo no começo de um de seus jogos. Com isso, a equipe foi multada em US$ 30 mil (cerca de R$ 150 mil na cotação atual) e ainda perdeu 20% de seus ganhos no torneio.

Azubu Frost foi punida após Woong se aproveitar da tela de transmissão dos espectadores no Mundial de LoL 2012 — Foto: Divulgação/Riot Games

O boost de Olofmeister na DreamHack Winter 2014

Em 2014, Fnatic e Team LDLC eram tidos como os times mais fortes do cenário competitivo de Counter-Strike: Global Offensive (CS:GO). Os fãs do FPS aguardavam por um confronto entre eles no Major DreamHack Winter 2014, ocorrido em Jönköping, Suécia, e esse duelo, digno de grande final, ocorreu durante a fase quartas de final dos playoffs. Infelizmente, um jogo que poderia ser um verdadeiro show para os espectadores acabou sendo ofuscado pela polêmica do boost utilizado por Olof "olofmeister" Kajbjer, da Fnatic, na Overpass, terceiro e decisivo mapa da série.

A LDLC vencia por 12–3 e levou o segundo pistol para ficar em situação ainda mais confortável como TR. Foi quando olofmeister se utilizou de uma posição que só era visível pelo lado CT para abater seus adversários à distância e coletar informações sem ser descoberto. Vale destacar que o jogador aparentava ficar em cima de uma parede invisível para ter essa visão entre texturas transparentes. Assim, a Fnatic virou o confronto na Overpass e venceu por 16–13, mas a LDLC reclamou com a DreamHack sobre a polêmica.

Durante as investigações, a Fnatic lembrou que a própria LDLC também utilizou um boost no primeiro half na Overpass que concedia visão por texturas invisíveis, embora não tenha sido tão impactante. A princípio, a DreamHack havia decidido refazer a Overpass por conta do bug, mas a Fnatic optou no final por desistir da competição e entregar a vitória para a LDLC, que viria a ser campeã mundial. Posteriormente, a Valve resolveu esse problema no CS:GO.

Um dos maiores nomes da história do competitivo de CS:GO, olofmeister utilizou de bug polêmico no mundial em 2014 — Foto: Divulgação/StarLadder

Mylon e o gesto obsceno em 2014 e 2016

Matheus "Mylon" Borges é um jogador profissional de League of Legends aposentado e que conquistou três títulos nacionais com vTi Ignis, Keyd Stars (Vivo Keyd) e paiN Gaming. Hoje ele é analista do Campeonato Brasileiro de League of Legends (CBLOL) e segue sendo respeitado e considerado como um dos melhores top laners brasileiros da história do MOBA. No entanto, sua carreira contou com duas polêmicas envolvendo um gesto obsceno, o que gerou punições para ele e também para as equipes que ele atuava.

O primeiro caso foi em 2014, em partida da Keyd Stars contra a paiN Gaming pela Liga Brasileira Série dos Campeões. Ao vencer um duelo contra seu rival de rota Han "Lactea" Gi-hyeon, ele comemorou e mostrou o dedo do meio para a câmera. Ao perceber a atitude, a Riot Games levou uma advertência ao jogador e puniu a Keyd Stars com um ban em todos os jogos das próximas duas séries.

Dois anos depois, em 2016, quando vestia a camisa da paiN Gaming, Mylon fez o mesmo gesto com seus parceiros de time durante um intervalo. Apesar de parecer ser apenas uma brincadeira entre companheiros de time, a Riot multou o jogador em R$ 2 mil e ainda o suspendeu de todos os jogos das duas semanas seguintes do CBLOL 2016.

Mylon teve uma carreira muito sólida como jogador e hoje atua como analista do CBLOL — Foto: Divulgação/CBLOL

O exploit da BIG no PGL Major Kraków 2017

Na primeira rodada do PGL Major Kraków 2017 de CS:GO, um jogo se destacou entre os demais. BIG e FaZe Clan fizeram um confronto na Inferno, e a equipe alemã venceu por 16–8. No entanto, foi descoberto que a BIG utilizou um exploit chamado de "Crouch Jump". No CS:GO, é muito comum os jogadores saltarem atrás de algum obstáculo para coletar informações, o que também pode ser arriscado por deixar o player exposto a disparos. O Crouch Jump basicamente retira o risco de contra-ataque. Se pular enquanto estiver na posição agachada, a informação pode ser obtida sem que os adversários possam ver.

O primeiro uso desse pulo se deu por parte do jogador Nikola "⁠LEGIJA⁠" Ninić, da BIG, que popularizou a artimanha em uma caixa no mapa Cache pelo lado CT. Os alemães se utilizaram disso na Inferno para derrotar a FaZe, mas, diferentemente do boost de Olofmeister, não houve punição aqui. Por sinal, a PGL ainda liberou o uso do Crouch Jump durante o PGL Major Kraków 2017, o que gerou indignação por parte de alguns jogadores. Houve também acordos entre equipes para que ninguém utilizasse do exploit de forma abusiva durante o mundial.

⁠LEGIJA trouxe o bug ainda nas classificatórias do PGL Major Kraków 2017 e o utilizou para ajudar a BIG a derrotar os brasileiros da Immortals — Foto: Divulgação/StarLadder

Manipulação de resultados

A manipulação de resultados, ou match fixing, também acontece nos esportes eletrônicos para que os envolvidos lucrem com apostas. Muitos casos emblemáticos ocorreram em competições de CS:GO, como na polêmica com a iBUYPOWER, as prisões na Austrália, e a recente acusação contra o jogador Abay "⁠HObbit⁠" Khasenov, da Cloud9, em um caso ocorrido em 2015. Porém, match fixing não se limita apenas ao CS:GO e já apareceu para atormentar cenários competitivos de jogos como League of Legends, Rainbow Six Siege e Valorant. Dada a natureza grave da infração, que mancha qualquer torneio, as punições aplicadas para os jogadores são muito severas.

O caso mais recente ocorreu em abril de 2022 na LPL, a liga chinesa de League of Legends. Chen "Jay" Bo, mid laner da LGD, foi banido permanentemente do competitivo após ter sido descoberto neste tipo de esquema graças à divulgação de mensagens onde o mesmo afirmava que forçaria a derrota em certos jogos de sua equipe. No mesmo período, mais quatro jogares presentes no escândalo de apostas também sofreram da mesma punição. Curiosamente, um sexto jogador chamado Liu "lilac" Yi-Chen, que atuava pela equipe MAX, se livrou do banimento eterno pelo match fixing, mas só poderá voltar a atuar em fevereiro de 2025.

Jay esteve envolvido no último grande escândalo de match fixing nos esportes eletrônicos — Foto: Divulgação/LGD

Hack em torneio presencial

A utilização de programas ilegais para ganhar alguma vantagem sempre é uma preocupação em torneios online. Porém, alguns jogadores vão além e tentam utilizar hacks em torneios presenciais. Durante um evento chamado Zowie eXTREMESLAND Asia Finals, em 2019, o jogador indiano Nikhil "⁠forsaken⁠" Kumawat, da OpTic India, surpreendeu os fãs de CS:GO, mas de forma negativa. Depois de algumas suspeitas no jogo contra a equipe Revolution, do Vietnã, um dos árbitros da competição foi conferir o PC de forsaken e descobriu que programas ilegais estavam sendo utilizados.

Como resultado, a OpTic foi eliminada da competição e dispensou todos os seus jogadores, embora os outros quatro não soubessem da trapaça de seu companheiro. Para piorar a situação de forsaken, a ESL Índia descobriu que jogador havia usado os mesmos programas para ser campeão na ESL India Premiership: Fall 2018, outra competição presencial, e retirou o título da OpTic. No final, forsaken recebeu um banimento de cinco anos do competitivo de CS:GO.

O jogador forsaken chegou a tentar deletar o cheat durante a verificação, mas foi tarde demais — Foto: Reprodução/OpTic India

Screen Hack no Fortnite

A Fortnite World Cup 2019 contou com algumas polêmicas de trapaças durante suas classificatórias online. Porém, um caso de screen hack durante a fase final do mundial, sediada em Nova Iorque, Estados Unidos, também se destacou. Por conta da forma como foi feito o palco do evento, alguns jogadores podiam ver parcialmente a tela principal reservada para os espectadores. A Epic Games prestou atenção nesse detalhe e acabou flagrando o russo Mark "Letw1k3" Danilov olhando essa mesma em algumas oportunidades.

A infração levou Letw1k3 a ser removido no meio da competição na categoria solo, impedindo-o de buscar mais pontos para melhorar sua colocação. Alguns jogadores questionaram a punição e a compararam com a punição recebida por outros jogadores que legitimamente trapacearam nas classificatórias. A Epic Games explicou que sua única ação foi apenas remover Letw1k3 da partida em questão. O jogador também não foi multado, encerrou o mundial na 59° colocação entre os 100 participantes e levou para casa US$ 50 mil (cerca de R$ 250 mil).

Jogador foi desqualificado na Fortnite World Cup por observar a tela dos espectadores — Foto: Divulgação/Epic Games

A câmera na Breeze

No Valorant Champions 2021, mundial do FPS da Riot Games, a brasileira Vivo Keyd venceu a Acend e se aproximou da vaga do Grupo A nos playoffs. Porém, o resultado foi revertido pela Riot Games após a descoberta do uso de um exploit na Breeze, terceiro mapa da série. Em comunicado, a empresa revelou que o jogador Jonathan "JhoW" Glória usou a câmera do agente Cypher em uma localização que é considerada um exploit em seis rounds. Apesar de a derrota chegar a ser confirmada, a Riot Games optou por refazer o confronto, mas com a Acend tendo a vantagem de sete rounds.

A Vivo Keyd foi valente no duelo e assustou a equipe europeia mesmo com aquela enorme desvantagem, mas acabou derrotada por 13–10. Curiosamente, após esse jogo, a Acend não perderia mais séries na competição e viria a se tornar na primeira campeã mundial de Valorant.

Vivo Keyd quase reverteu uma desvantagem de sete rounds após a punição da Riot Games, mas não conseguiu a vitória — Foto: Divulgação/Valorant Champions Tour

Com informações de HLTV (1 e 2), DotEsports, PCGamer, Fortniteintel, Leaguepedia, Dexerto e Esportsnet

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