Telefonia
Publicidade

Por Thássius Veloso (@thassius), do TechTudo

Reprodução/Fábio Faria

A chegada oficial do 5G ao Brasil, começando por Brasília a partir desta quarta-feira (06), deu a largada a uma corrida das operadoras para conquistar clientes que queiram a conexão mais rápida e estável. A Claro não vai cobrar a mais dos clientes que acessarem a nova rede, de acordo com o diretor de marketing Marcio Carvalho em entrevista ao TechTudo. O executivo explica que a maioria dos consumidores vai utilizar uma categoria intermediária do 5G, com velocidades altas, mas que não chegariam ao 5G “puro” sonhado pela Anatel e pelo ministro das comunicações, Fábio Faria.

A operadora passa a comunicar aos clientes o lançamento do “5G Mais”. Este nome será usado nas mensagens oficiais e em propagandas nos meios de comunicação. No entanto, o serviço terá exatamente as mesmas características ofertadas pelas rivais Vivo e TIM, que também atuam no 5G, de acordo com o executivo.

Confira abaixo os principais esclarecimentos sobre preços, planos e expectativas para a internet móvel de quinta geração. As respostas foram editadas para fins de clareza e brevidade.

Confira tudo que você precisa saber sobre 5G no vídeo abaixo

Confira tudo que você precisa saber sobre 5G

Confira tudo que você precisa saber sobre 5G

Thássius Veloso – O que tem de “Mais” ou de “Plus” no 5G da Claro?

Marcio Carvalho, da Claro – Pra nós o que está acontecendo hoje é uma transformação que começou há cinco anos, quando lançamos em Brasília o 4.5G. Naquele momento trazíamos ao Brasil recursos exclusivos do 4G LTE que permitiam acelerar a rede em cerca de dez vezes. Foi o meio do caminho nesta jornada ao 5G. Nós já vislumbrávamos que o 5G teria uma convivência natural com 4G.

O segundo passo importante foi o 5G DSS. Este é o primeiro 5G do Brasil, por meio do hardware, torres e frequências do 4G. A velocidade crescia, mas não de forma mirabolante. Ali dava-se início à aquisição de smartphones 5G.

O 5G Mais tem mais espectro por causa das faixas 3,5 GH e 2,3 GHz. Nós conseguimos conexão de 2 Gigabits por segundo na palma da mão. Isso traz mais velocidade, mais espaço espectral e habilita muito mais inovação. Vamos começar a criar um mundo novo com o 5G Mais. É por isso que temos um núcleo de rede dedicado ao 5G Mais.

O nome “5G Mais” pode confundir os clientes?

Não estamos falando que o nosso 5G Mais é melhor que o das outras empresas do setor. Ele é melhor do que o que existia até então com o 5G DSS.

Marcio Carvalho é diretor de marketing da Claro — Foto: Divulgação/Claro

Qual deve ser a velocidade média do 5G em comparação com o 4G?

Nossas medições com o 4.5G consegue velocidades entre 100 e 200 Megabits por segundo. Isso sobe para entre 300 e 400 Megabits no 5G DSS. Acreditamos que o 5G terá velocidade na casa dos Gigabits por segundo. No entanto, não será o tempo todo nem em todo lugar. Num estádio de futebol, por exemplo, será difícil conseguir este resultado por causa da aglomeração de pessoas e da disputa de aparelhos por conectividade.

Será necessário trocar de chip?

Todos os 2 milhões de smartphones com 5G DSS vão funcionar no 5G Mais dentro da categoria NSA. Não será necessária nenhuma troca. Essa tecnologia faz parte do 5G, mas utiliza o núcleo de rede do 4G, algo que a gente faz há anos, com a tarifação devidamente configurada. O simples fato de ligar a banda de 3,5 GHz traz mais velocidade. Alguns clientes vão conseguir conexão na casa do Gigabit nestes aparelhos.

Será necessário um novo SIM card quando o smartphone for acessar o 5G na categoria SA, que é mais avançada e utliza um núcleo de rede completamente novo e independente. Só fará sentido fazer essa migração quando existirem aplicações que aproveitem de fato a baixa latência, o slicing e outras funções previstas no 5G SA.

Galaxy S22 é um dos celulares 5G à venda no Brasil — Foto: Thássius Veloso/TechTudo

Os atuais planos da Claro incluem a conexão ao 5G SA?

O 5G DSS funciona para clientes em planos controle, pré e pós. O mesmo ocorre com o 5G Mais. Se a pessoa estiver em Brasília e comprar um aparelho 5G, vai ter o 5G Mais na categoria NSA. Já o acesso ao 5G Mais na categoria SA está disponível, mas não completamente pronto porque os aparelhos precisam receber novas instruções que chegam num formato parecido com a atualização de sistema operacional. É o caso dos celulares 5G premium da Apple e da Samsung. Nós tivemos uma experiência com smartphone da Motorola operando dentro do SA em Brasília.

A Claro desembolsou bilhões no leilão do 5G e não está cobrando a mais do cliente. A conta não fecha. Por quê?

Nós colocamos um caminhão de dinheiro para trocar os aparelhos das torres quando lançamos o 4.5G. Estes equipamentos otimizam o consumo de energia, o que reduz os nossos gastos. Também economizamos com manutenção de equipamentos. A Claro consegue trazer mais receita não apenas cobrando mais, mas capturando clientes de concorrentes e impedindo que as pessoas vão embora do nosso serviço. Isso não quer dizer que não teremos planos mais caros conforme ocorrer a evolução da rede, em especial no 5G SA.

Apple está entre os fornecedores de smartphone 5G da Claro — Foto: Thássius Veloso/TechTudo

Quais os próximos passos para o 5G em Brasília?

Primeiro preciso dizer que o trabalho regulatório está sendo bem feito desde o leilão. Nós estamos usando as mesmas faixas de frequência adotadas em países mais desenvolvidos. Isso é muito bom porque traz escala global. Além disso, foi um leilão não arrecadatório, no qual as operadoras têm obrigações para implementar a nova rede de maneira acelerada.

A obrigação para Brasília era de 30 antenas com 5G, mas nós estamos começando com 90 sites no Eixo Monumental, no Lago Sul e na parte mais importante da cidade. Estamos estruturando uma cobertura para ter experiência 5G em todo lugar. É um processo gradativo de expansão.

O 4G será desativado?

Não vai parar de funcionar. Existem tendências positivas de aceleração do 5G, com mais aparelhos 5G do que 4G já em 2022. A curva de adoção do 5G está mais acelerada que a do 4G. Significa que as pessoas estão vendo valor na tecnologia superior. Para nós sai mais barato colocar investir em capacidade de rede diretamente no 5G, por ter um formato de transmissão de dados mais eficiente. O ecossistema todo vai empurrar os clientes para smartphones 5G.

Novo Motorola Razr tem 5G, mas não é vendido no Brasil — Foto: Divulgação/Motorola

Quais são os principais fornecedores de infra da Claro no 5G?

Huawei, Ericsson e Nokia participam da infraestrutura. Motorola está envolvida no fornecimento de dispositivos, junto com a Apple e a Samsung. A Qualcomm é nossa parceria devido aos processadores Snapdragon, que estão em muitos smartphones. Fizemos testes com a Lenovo, que tem um notebook que se conecta diretamente na rede 5G – sem depender de Wi-Fi – com um eSIM.

A Claro vai priorizar o eSIM, aquele cartão digital de telefonia?

Vai sim. Teremos uma popularização do eSIM conforme ocorrer a evolução do 5G. Será uma migração gradual e para todo o mercado. Ela já começou no exterior.

Mais do TechTudo