Segurança
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Por Letícia Rosa, do Home Office


Apps de controle parental estão disponíveis para celulares Android e iPhone (iOS) e acumulam milhões de downloads em lojas oficiais. Serviços como Google Family Link e Life360 são algumas das principais opções, e podem monitorar, por exemplo, localização dos filhos via GPS, tempo de uso que eles fazem do smartphone e ainda verificar e bloquear o acesso a conteúdos. Com golpes em alta e sites impróprios à disposição, controlar a atividade de crianças e adolescentes na Internet pode ser uma forma de garantir proteção — mas, com esses apps, isso nem sempre é o que acontece.

Porque esses aplicativos têm a uma vasta quantidade de dados dos celulares, eles podem representar riscos à sua privacidade - já que, como qualquer outro serviço online, podem sofrer invasões cibernéticas e/ou compartilhar dados para fins publicitários. Além disso, algumas opções de apps podem, na realidade, funcionar como spywares. Por isso, confira a seguir tudo o que você precisa saber sobre apps de controle parental e o que você pode fazer para se proteger.

Apps para monitorar o celular dos filhos: entenda como funciona a coleta de dados dos serviços e se realmente são seguros — Foto: Stem T4L/Unsplash

O que são e como funcionam aplicativos de controle parental?

Aplicativos para monitoramento de crianças e adolescentes são usados por pais e responsáveis para monitorar o que filhos fazem em celulares e dispositivos móveis. Para isso, as plataformas acessam diferentes dados de localização e outros recursos do celular - como câmera, áudio e microfone - para identificar o comportamento dos usuários na Internet. Além disso, algumas opções ainda possuem ferramentas para definir restrições, como tempo de uso e bloqueios a determinadas páginas da Web - o que pode ser útil na hora de evitar que seu filho utilize o smartphone por períodos muito longos e/ou caia em sites maliciosos.

Para fazer isso, os apps vinculam o celular, e-mail ou a conta da nuvem dos pais ao dispositivo dos filhos. Assim, eles podem acompanhar, gerenciar e até mesmo limitar as ações das crianças de maneira remota. O problema desses aplicativos é que, por acessar uma vasta quantidade de dados, eles podem acabar sendo invasivos à privacidade de quem usa.

Aplicativos de controle parental disponíveis para Android e iPhone (iOS) podem funcionar de modo remoto; monitoramento também existe como recurso nativo do celular — Foto: Divulgação/Pexels (by Andrea Piacquadio)

Quais são os perigos desses apps?

Segundo a coordenadora de projetos da Associação Data Privacy Brasil de Pesquisa, Marina Meira, a maioria desses serviços contém uma tecnologia chamada "third party trackers", que coleta informações sobre o histórico de navegação de forma indireta, a partir da sua interação com o celular. Com os dados obtidos, esses apps conseguem criar um perfil dos usuários monitorados para "prever" comportamentos online e offline.

A especialista explica que "grande parte dos aplicativos de controle parental mais baixados no mundo utilizam os dados gerados em seu uso, tanto por parte das crianças e adolescentes, quanto de suas mães, pais ou responsáveis, para outros fins que não o monitoramento infanto-juvenil, especialmente o direcionamento de publicidade."

Nesse sentido, segundo Meira, a falta de transparência das plataformas quanto ao uso das informações coletadas é um dos principais problemas desse tipo de app. "Familiares não têm visibilidade desse uso comercial dos dados", diz a especialista. Isso porque, de acordo com ela, os termos de privacidade de aplicativos "muitas vezes são redigidos em linguagem técnica de difícil compreensão", o que pode fazer com que pais e responsáveis usem apps com regras de privacidade com que não concordam.

Google Anúncios: como ver e desativar as propagandas personalizadas da sua conta pelo ceular — Foto: Raquel Freire/TechTudo

Além disso, segundo Meira, o uso de dados para disseminar publicidade entre crianças e adolescentes pode ser um estímulo ao consumo desenfreado entre esse público, já que "se aproveita da vulnerabilidade da criança e do adolescente" - o que, de acordo com ela, pode ser configurado ainda como exploração comercial.

Outro perigo é a possibilidade de, com esses aplicativos, baixar sem querer um app espião. Uma pesquisa do site Cybernews criou um ranking de segurança, com score máximo de 100, para determinar os níveis de proteção de dez dos principais apps de controle de crianças e adolescentes. Nas plataformas listadas com classificação mais baixa, além do compartilhamento de dados com terceiros, foram encontrados links considerados maliciosos - como os que induzem ao download de malwares, por exemplo.

Phone Tracker by Number, FamiSafe e Find my kids são alguns aplicativos de controle parental mais baixados e que foram considerados os piores em segurança. — Foto: Reprodução/Cybernews

Esses apps são realmente seguros?

Usar um app desse tipo é, em geral, uma opção segura, mas a pergunta sobre a sua segurança vai além de um simples "sim ou não". Pelo menos é isso o que afirma Marina Meira, do Data Privacy. De acordo com ela, “cada app possui funcionalidades diferentes, é regido por regras diferentes de coleta de dados e adota práticas de segurança diferentes". Por isso, o recomendado é que pais e responsáveis analisem termos e condições na hora de escolher o aplicativo.

A especialista, porém, reforça que os apps devem ser utilizados de forma adequada, levando em consideração a idade do seu filho. "É preciso que ele desenvolva progressivamente sua autonomia [aqui, de uso da internet] e exerça seu direito à privacidade, previsto na Constituição Federal e no Estatuto da Criança e do Adolescente", explicou à reportagem.

Afinal, como se proteger nesses apps?

No Brasil, a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD) faz uma série de restrições à coleta e ao uso de informações, especialmente no caso de crianças e adolescentes - o que ajuda já de antemão a manter seus dados protegidos.

Segundo Marina Meira, a coleta feita em aplicativos desse tipo "deve abranger apenas dados pertinentes", e essas informações coletadas "não devem ser utilizados para fins estranhos ao monitoramento infanto-juvenil". Isso porque, de acordo com a especialista, essa prática feriria os princípios gerais da legislação - ou seja, caso não concorde com o uso de alguma informação pessoal sua e/ou de crianças e adolescentes, você pode buscar ajuda legal para resolver a situação.

Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais é um dos desafios para as PMEs — Foto: Pixabay

Agora, para identificar se o app de controle parental que você baixou é legítimo ou não, a empresa de cibersegurança PSafe recomenda instalar uma solução de proteção no celular — como o dfndr security, que alerta se um app é suspeito mesmo antes da instalação. Vale ainda atentar às permissões solicitadas pelas plataformas e ler as avaliações de usuários nas páginas de download, desconfiando sempre de apps com notas muito negativas.

Com informações de Business Insider, Cybernews e FreeCodeCamp

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