Redes sociais
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Por Maya Abreu, do home office


O Facebook vai diminuir a distribuição de conteúdos políticos no feed da rede social no Brasil. A mudança, que acontece a três meses do pleito eleitoral de 2022, foi anunciada pela Meta na quinta-feira (7), e já estava em testes no país desde fevereiro de 2021. De acordo com o que foi informado pela empresa no comunicado oficial, a medida foi implementada em resposta aos usuários da plataforma — que, em feedback, solicitaram ver menos materiais de cunho político em seus feeds. A novidade será válida para a versão web e para o aplicativo, e reduzirá a quantidade de conteúdos do tipo que apareçam na sua timeline somente pelas interações de seus amigos — ou seja, como quando alguém curte ou comenta em uma publicação, por exemplo.

A medida começou a ser testada no ano passado, após pesquisas feitas pela Meta concluírem que conteúdos com temática política representam somente 6% do que é consumido na rede social. Por outro lado, dados divulgados pelo Digital News Report, relatório elaborado pela Reuters e que monitora o consumo de notícias no mundo, indicam que o Facebook é a segunda fonte mais utilizada por usuários na hora de se informar, ficando com 40% da audiência nesse sentido e perdendo somente para o YouTube, que tem 43%.

Facebook vai reduzir conteúdos políticos do seu feed; entenda impacto — Foto: Divulgação/Pexels

Para entender os possíveis impactos que essa medida pode ter nas eleições de 2022, o TechTudo conversou com dois pesquisadores: João Guilherme Bastos, do INCT.DD, e Raquel Recuero, da Universidade Federal de Pelotas (UFPEL). De acordo com os dois especialistas, não é possível mensurar se a novidade de fato será efetiva no que diz respeito à desinformação no Facebook, já que não se sabe o que será considerado como conteúdo político pela plataforma.

Durante o período de testes, por exemplo, a Meta não considerou como de temática política reportagens sobre Covid-19 — assunto que, segundo Recuero, embora seja principalmente de saúde pública, tem "mesclado" o discurso político. "A desinformação atravessa vários discursos e é [também] atravessada por eles", disse à reportagem.

O TechTudo entrou em contato com a Meta para entender como será feita a classificação de conteúdos do tipo. Em resposta à reportagem, a empresa enviou uma nota explicando que sua "definição de conteúdo político é o conteúdo que é propenso a tratar de temas relacionados a governos ou eleições" - ou seja, materiais relacionados a outros temas, como Covid-19, por exemplo, não serão levados em consideração para essa mudança (confira a nota completa ao final da matéria).

Em relação ao consumo de notícias políticas pela rede social, o pesquisador João Guilherme Bastos acredita que quem será mais afetado pela medida serão usuários que "não têm uma audiência tão engajada e militante [politicamente] e dependem do contato acidental [com esses conteúdos]". Ao TechTudo, o pesquisador frisou também que a novidade não deve ter tanto impacto na cadeia geral de desinformação, já que o fenômeno engloba outras redes sociais, e agentes poderiam ainda disseminar outros conteúdos desinformativos e que não sejam considerados pela plataforma como de cunho político.

Vale mencionar que o Brasil é um dos primeiros países a implementar a medida. Porém, segundo informado pela Meta, a novidade deve ser expandida para mais lugares no decorrer do tempo.

O que diz o Facebook?

"Com base em pesquisas, nossa definição de conteúdo político é o conteúdo que é propenso a tratar de temas relacionados a governos ou eleições. Essa mudança na distribuição de conteúdo no Facebook envolve todas as publicações relacionadas à política, incluindo as de amigos, familiares, Páginas e Grupos. Informações sobre COVID-19 de organizações oficiais de saúde, como a OMS, estão isentas dessa mudança. Seguiremos colhendo feedback das pessoas e comunidades que usam o Facebook e de especialistas externos para refinar nossa abordagem."

Com informações de Meta e Digital News Report 2022

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