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Por Igor Nishikiori, para o TechTudo


O sRGB é o nome do padrão de cores encontrado em diversos produtos eletrônicos, como monitores, smartphones e impressoras. Ele foi o primeiro do tipo adotado em massa pela indústria, em meados dos anos 1990, além de também ser o espaço comum de cores da internet. Com o passar dos anos, o sRGB foi se tornando obsoleto e outros padrões de cores foram desenvolvidos — como o Adobe RGB e o DCI-P3.

Mesmo assim, o sRGB continua presente na indústria. A seguir, saiba mais sobre o padrão de cores sRGB e de que maneira ele pode influir na hora de comprar um monitor novo.

Monitores usam o sRGB como padrão — Foto: Divulgação/Benq

O que é o sRGB?

O sRGB é a sigla de "standard Red Green Blue". Traduzindo para o português, seria algo como "padrão de Vermelho, Verde e Azul". Sua criação data de 1996, quando as empresas HP e Microsoft decidiram criar um espaço de cor que fosse o mesmo para todos os dispositivos eletrônicos, como monitores, impressoras e câmeras digitais.

Até então, os monitores eram monocromáticos ou usavam uma gama de cores própria. Era comum que a imagem em um monitor aparecesse com cores distintas em outro. Para conseguir ver com precisão a mesma imagem em dispositivos diferentes, era preciso instalar o perfil ICC correto no computador, o que não era muito prático. Com o sRGB, nada disso seria preciso.

Representação em 3D do sRGB — Foto: Reprodução//Wikimedia

Em 1999, a International Electrotechnical Commission (IEC), órgão internacional que define os padrões da indústria de eletrônicos, adotou o sRGB para todos os seus produtos. Assim, qualquer aparelho fabricado no mundo passou a utilizar o sRGB como paleta de cores básica.

Vantagens e desvantagens do sRGB

Como dissemos anteriormente, o sRGB é denominador comum quando se trata da gama de cores entre diferentes dispositivos. Ele também é o padrão adotado pela W3C, a entidade que regula a World Wide Web (WWW) — portanto, o sRGB é otimizado para o uso na internet. Assim, se você acessar o Instagram de um smartphone e de um notebook, em ambas as plataformas, as cores apresentadas tendem a ser praticamente as mesmas — o que é ótimo para quem trabalha com artes e fotos.

Porém, o sRGB não é exatamente o melhor espaço de cores possível. Ele usa apenas 35,9% do espectro de cores visível a olho nu, enquanto os padrões mais novos conseguem atingir valores bem maiores.

Diagrama do sRGB dentro do espectro de cores visível (em cinza claro) — Foto: Reprodução/Wikimedia

Além disso, o sRGB conta com uma profundidade de cores de 8 bits por pixel. Esse valor é capaz de reproduzir até 16 milhões de cores, um número mais do que suficiente para a era dos monitores CRT, mas que hoje já é considerado limitado. Só para comparação, conteúdos em HDR exigem pelo menos 10 bits, algo em torno de 1 bilhão de cores possíveis.

Alternativas ao sRGB

Desde que foi criado, em 1996, o sRGB ganhou diversos concorrentes. Um deles é o Adobe RGB, lançado em 1998, que usa um espaço de cor 35% mais amplo que o sRGB. Sua gama é bastante próxima do padrão CMYK, usado por impressoras profissionais. Por isso, o Adobe RGB é mais indicado para projetos que envolvam impressão em papel.

Criado em 2003 pela Kodak, o ProPhoto RGB é o mais indicado para fotografias digitais, sendo capaz de reproduzir quase todo o espectro de gama visível a olho nu e ainda 13% da chamada cor imaginária, que não é possível de ser enxergada. Ele é usado normalmente em arquivos RAW de câmeras fotográficas profissionais e pode ser facilmente convertido para outros espaços de cores.

Comparação entre padrões de cores: sRGB, Adobe RGB, ProPhoto RGB e Display P3 — Foto: Reprodução/Wikimedia

Já para produções de vídeo, costuma ser utilizado o padrão DCI-P3, criado pela Digital Cinema Initiatives, um consórcio de estúdios de cinema de Hollywood. Como é de se imaginar, ele foi desenvolvido para ser o espaço de cor padrão para produções cinematográficas digitais, da edição até as telas de cinema. Há uma variação desse padrão chamado Display P3, que foi desenvolvido pela Apple e atualmente adotado também por empresas como a Netflix.

Por fim, temos o Rec. 2020 (ou BT.2020), que é usado desde 2012 para formatos Ultra HD (4K e 8K). Sua versão atual cobre 75,8% do espaço de cores visível pelo olho humano, contra 53,6% do DCI-P3, 52,1% do Adobe RGB e 35,9% do sRGB. Em 2016, foi lançada uma versão atualizada, o BT.2100, que é compatível com o HDR10.

Como escolher o monitor ideal?

Mesmo os monitores mais simples são capazes de reproduzir por volta de 99% da gama de cores sRGB. Portanto, para uso mais casual, como navegar na internet, jogar games e assistir a vídeos, o tipo de espaço de cor não é tão determinante na hora da compra.

iMac conta com Display P3 e Adobe RGB, entre outros padrões de cores — Foto: Divulgação/Apple

Mas se a ideia é usar profissionalmente, o ideal é investir em monitores compatíveis com seu tipo de atividade. Para trabalhos que envolvam arte, design ou algo relacionado a impressão em gráficas, procure por monitores com maior fidelidade em Adobe RGB. Para trabalhos ligados a edição de filmes, animação e conteúdos em HDR, o indicado é procurar por monitores compatíveis com DCI-P3 ou Display P3.

De qualquer forma, é importante ter em mente também que a esmagadora maioria das pessoas consomem conteúdos em sRGB, tanto nos smartphones quanto nos computadores. Logo, seu trabalho em algum momento será convertido para ficar compatível com esse espaço de cor. Por isso, pondere se um monitor profissional realmente trará diferença no produto final.

Comparação entre Flextight e sRGB — Foto: Reprdução/Wikimedia

Com informações de Tom's Hardware e Trusted Reviews

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