Armazenamentos
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Por Barbara Mannara, para o TechTudo


As imagens do espaço captadas pelo Telescópio James Webb (JWST) estão chamando a atenção na internet nas últimas semanas. Usuários de redes sociais chegaram a fazer montagens comparando os registros do James Webb com as do Hubble — e a diferença é gritante na definição de detalhes. O JWST foi lançado pela NASA em dezembro de 2021 e começou enviar imagens para a Terra em julho desde ano. O fato curioso do telescópio está em seu armazenamento SSD de apenas 68 GB. Ele parece pouco para um satélite de US$ 10 bilhões e aguenta apenas um dia de registro.

O armazenamento é a capacidade de guardar arquivos. Quem tem um smartphone com 64 GB sabe o quanto esse espaço acaba rápido com vídeos e fotos. A boa notícia é que o JWST não precisa manter esses dados muito tempo no SSD. Isso porque ele é capaz de enviar as imagens rapidamente para a central de controle na Terra, mesmo estando a cerca de 1,5 milhão de quilômetros do nosso planeta azul.

Telescópio espacial James Webb tem transmissão de dados de 68 GB para a Terra — Foto: Divulgação/NASA

O SSD pode ser preenchido em apenas 120 minutos com taxa de 48 Mb/s (Megabits por segundo) do telescópio. Enquanto isso, a transmissão de dados do JWST de volta para a Terra fica em 28 Mb/s utilizando uma conexão de banda Ka de 25,9 GHz. Ou seja, apesar de 68 GB parecer pouco, o telescópio não precisa manter esses dados salvos por muito tempo, esvaziando esse armazenamento diariamente.

Toda essa troca de dados é feita pela Deep Space Network (Rede de Espaço Profundo). Ela funciona com uma rede de antenas internacionais capazes de manter as comunicações e monitoramentos de naves espaciais.

Telescópio espacial James Webb armazena fotos em SSD de apenas 68 GB — Foto: Divulgação/NASA

A comparação com o Hubble não para só na qualidade das imagens do espaço. Para ter uma ideia, o Hubble coleta em seu máximo 57 GB — sendo 1 a 2 GB por dia. Além disso, o JWST está 3.000 vezes mais distante da Terra do que seu sênior e, mesmo assim, oferece uma taxa de download rápida. Ele envia as informações para a base em solo em apenas algumas horas. Isso funciona com dois turnos de transmissão de quatro horas, enviando 28,6 GB de dados científicos em cada um deles.

Telescópio Webb faz capturas impressionantes do espaço e seus 68 GB são transmitidos diariamente para a Terra — Foto: Divulgação/NASA

Por que um SSD de 68 GB? Vale lembrar que o Telescópio Webb está "flutuando" no espaço. Ou seja, ele está sendo atingido por radiação e funcionando em uma temperatura extrema de 50 graus abaixo do zero absoluto (–273,15 °C). Estar tão longe da Terra significa que os dados têm de viajar por mais tempo e precisam de um canal de comunicação mais confiável.

Viajar até o JWST para manutenção seria inviável, pelo alto custo e perigo. Por isso, é bem mais seguro enviar os dados rapidamente para a Terra, em vez de ter um SSD maior para guardar as informações internamente.

Telescópio espacial James Webb faz a leitura de ultravioletra e luz infravermelha para transmitir dados para a Terra — Foto: Divulgação/NASA

O Webb é o maior telescópio já lançado no espaço, segundo a NASA. Sua proposta é observar partes do espaço e do tempo nunca vistas anteriormente, como as primeiras estrelas e galáxias formadas há mais de 13,5 bilhões de anos. A ultravioleta emitida pelos primeiros objetos luminosos em expansão pelo universo chega hoje em dia como luz infravermelha — e o Webb é projetado para "ver" essa luz infravermelha com alta resolução e sensibilidade.

Um dos questionamentos é a durabilidade do SSD do JWST. Isso porque a NASA estipula que a radiação e o desgaste podem reduzir o armazenamento para cerca de 60 GB em dez anos de uso. Isso acaba limitando o tempo de vida útil do satélite, o que o faz mundo científico se questionar se ele conseguirá se manter útil por tanto tempo quanto o Hubble, que está firme e forte mesmo após 32 anos.

Com informações do Engadget e NASA

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