15/03/2011 16h09 - Atualizado em 14/07/2011 06h59

Criador de God of War diz: "Jogos artísticos ferem jogos tradicionais"

Rafael Monteiro
por
Para o TechTudo

David Jaffe, mais conhecido como o criador de God of War e Twisted Metal, já havia falado um bocado sobre os problemas dos jogos de hoje em dia na GDC 2011, mas agora ele continuou seus sermões em seu blog pessoal, dizendo que jogos artísticos estão ferindo os jogos tradicionais.

David escreveu: “Elogios como “Jogos são arte” (dados por desenvolvedores, imprensa e fãs) para jogos “artísticos/significativos” ferem jogos puros. “Como?”, você pergunta? Bem, eu vou te contar”, e prosseguiu a falar:

David Jaffe é quase tão brabo quanto Kratos  (Foto: Divulgação)David Jaffe é quase tão brabo quanto Kratos (Foto: Divulgação)

“Colocando os poderosos holofotes da mídia nesse tipo de jogos – que te dizem que eles são importantes, mas não são realmente tão atraentes / interessantes quando se trata de jogar e não chegam nem perto de serem tão emocionantes ou significativos quando a maioria dos Filmes B que passam nas madrugadas na TV – significa que os holofotes da mídia e o dinheiro das publicadoras é tirado dos jogos tradicionais”.

O designer continuou a falar sobre como isso é um desrespeito e que desconsidera o que o meio dos videogames tem de melhor. Ele fala como é um problema de verdade a forma como a imprensa dá muita atenção em um jogo só porque ele grita aos quatro cantos que é artístico ou importante, e no fundo é só um jogo.

“Ficar falando e falando sobre como jogos precisam / podem / devem ser / já são “mais” do que só “jogos”, pra mim desrespeita a alegria e felicidade que jogos tradicionais trazem ao mundo”, diz Jaffe, e continua: “Eu não sei vocês, mas minha vida seria um pouco menos fantástico (e provavelmente bem pior) sem Baseball, Basketball, Chess, Chutes & Ladders, Old Maid, Ms. Pac-Man, Zork, Super Mario Bros., Gears of War, Killzone 3, Guitar Hero e o multiplayer de Call of Duty: Black Ops“.

Criticou duramente, dizendo que muitos dos jogos atualmente clamados como artísticos são só besteiras de fumaça e espelhos: “Só porque há vento soprando, uma trilha sonora mínima, vastos espaços para explorar e um ritmo lento não significa que o jogo que você está jogando é arte. E só porque a história de um jogo e a apresentação contém elementos que você vê nos “filmes de garotos crescidos”, não faz um jogo adulto ou significa que o meio está amadurecendo”.

“Esses são todos elementos superficiais que – enquanto tão desafiadores de produzir quanto qualquer outra coisa em um jogo – não significam a maturação do meio nem de longe. Estou cansado de ver jogador – e os jornalistas de jogos especialmente – caindo nessa”, terminou o desenvolvedor.

Via ComputerAndVideoGames

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  • Ingo Müller
    2011-03-15T17:05:50

    Jaffe geralmente manda bem, mas acho que foi reducionista aqui. A diferença que tem que ser feita é entre jogos ruins e bons. GoW é mainstream e é uma grande franquia. Flower é um jogo independente e interessante, por outros motivos. Agora dá pra dizer que Flower roubou holofotes do GoW III no Playstation? Claro que não. Jaffe, come um pouco mais de feijão com arroz até chegar no nível de iluminação do Sid Meier, aí você pode dar declarações mais precisas.