28/03/2011 17h07 - Atualizado em 14/07/2011 06h57

“Jogos melhores combatem pirataria”, diz criador de Just Cause

André Luiz de Mello Pereira
por
Para o TechTudo

O mercado de jogos para PC é claramente a casa da pirataria, com taxas que ultrapassam os 90%. Na verdade, a impressão mais constante é que ninguém paga por nada no mundo dos computadores. Christoger Sundberg, fundador da Avalanche Studios, mais conhecidos pelo jogo Just Cause, disse que a pirataria não seria um problema tão grande se os jogos de PC fossem melhores.

Christoger falou com o site de notícias CVG: “Pirataria é sempre preocupante. Nunca foi uma coia que ajudasse – Nós deixaremos nossas publicadoras lutarem essa batalha. Mas, quero dizer, 50% das pessoas que trabalham pra mim vêm de um cenário hacker”.

Just Cause (Foto: Divulgação)Just Cause (Foto: Divulgação)

E respondeu se achava que hackers davam bons programadores: “Eu acho que é uma abordagem justa pensar como essas pessoas podem se encaixar no lado certo da lei. É uma das formas pelo menos. Na Suécia o cenário era imenso. Nós somos a casa do The Pirate Bay. Como um estúdio, nós observamos que há definitivamente muito talento lá”.

Em certo momento ele foi perguntado se achava que DRM, medidas de segurança online contra a pirataria, ajudavam a combater o problema. Christofer é um conhecido crítico do sistema e argumentou mais uma vez a respeito: “DRM só pune as pessoas que realmente pagaram pelo jogo. É completamente inútil. Forçando pessoas a estar online o tempo todo e não mostrando nenhum respeito por quem realmente compra os jogos de PC”. Constamente os jogos pirateados conseguem burlar o sistema de DRM e acabam ganhando vantagem sobre os originais no gosto do público por isso.

Em uma declaração semelhante à de Markus “Notch” Persson, criador de Minecraft, Ben teria sugerido tratar os jogos não como produtos finitos, onde se considera que você tem apenas um tiro, o jogo, para acertar um alvo, o consumidor, e só há a opções de acertar ou errar.

Ao invés disso, tratando os jogos como serviços, onde seria possível conquistar os consumidores: “Eu sempre fui da opinião que você deve desenvolver jogos de PC para jogadores de PC. Jogadores de PC e jogadores de consoles são dois tipos completamente diferentes de consumidor. É sempre injusto não desenvolver o jogo para o consumidor que você está almejando. A versão de PC é sempre um [segundo pensamento], como: “Ah, e precisamos de uma versão PC também”, reclamou Ben.

E continuou: “Você acaba fazendo uma conversão, então não tem muito tempo, orçamento ou criatividade indo para usar o PC. Eu acho que isso é bem triste. Todo mundo está só reclamando sobre pirataria no PC, mas quando se trata de conteúdo baixável dentro do jogo ou conectividade social, as opções no PC comparadas com consoles são infinitas. Eu gostaria de em algum momento fazer um jogo de PC realmente bom desenvolvido especialmente para jogadores de PC“.

Ben Murch encerrou dizendo: “Pirataria não seria tanto um problema se houvesse melhores jogos de PC por aí. Nós poderíamos riscar todo o estúpido conceito de DRM”.

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