Jogos de ação

20/09/2011 08h15 - Atualizado em 20/09/2011 08h15

A história de Driver

Flavio Barboni
por
Para o TechTudo

Driver surgiu na virada do milênio, quando a experiência de dirigir um carro nos videogames era praticamente restrita ao tradicionais jogos de corrida. Em substituição à competição, campeonatos e ao lado esportivo da direção, vieram os criminosos, a direção agressiva e as fugas policiais – tudo ao melhor estilo dos seriados dos anos 70 e 80. O slogan do jogo, “Você é o motorista” (You are the wheelman) soava muito mais apropriado para um game com tal perfil do que chamar o jogador de piloto, que reflete exatamente a atmosfera competitiva.

Rodas da revolução

O primeiro game da série foi lançado pela desenvolvedora inglesa Reflections, em 1999, com a premissa de o jogador controlar Tanner, um policial infiltrado em organizações criminosas e atuando como motorista para os bandidos. Situado em quatro cidades americanas reais – Miami, São Francisco, Washington e Nova Iorque – o título privilegiava a liberdade do jogador ao disponibilizar o mapa da cidade inteira para as missões.

Driver foi lançado para PC e PlayStation, e posteriormente para Game Boy Color (Foto: Jugando un Rato)Driver foi lançado para PC e PlayStation, e posteriormente para Game Boy Color (Foto: Jugando un Rato)

Alguns jogos já faziam isso, como o primeiro Grand Theft Auto e o Die Hard Trilogy, mas nenhum com a imersão e classe de Driver. Em todos os modos era possível acessar o modo replay, que na verdade constituía uma ilha de edição simples, mas que permitia ao jogador criar sequências dignas das perseguições de veículos do cinema. Como a desenvolvedora do game tinha experiência com a física de danos com Destruction Derby, adicionou mais um ingrediente à série. Sucesso certeiro, foi considerado o game do ano por várias publicações, além de ser considerado um dos maiores títulos já lançados para o PlayStation.


Viagem ao mundo

A sequência Driver 2 – The wheelman is back saiu logo no ano seguinte, com a possibilidade de controlar o protagonista fora do carro. Apesar de hoje parecer pouco, essa premissa foi incrivelmente inovadora para a época, já que permitia à Tanner “tomar por empréstimo” outros veículos parados nas ruas, além de missões com pequenas tarefas a serem completadas à pé.

Rio de Janeiro segundo Driver (Foto: Divulgação)Rio de Janeiro segundo Driver (Foto: Divulgação)

Na segunda parte da história, o game começa em Chicago, mas segue um tour mundial para Havana (Cuba), de volta para os EUA, em Las Vegas, para finalizar a trama no Rio de Janeiro (sim!). Ok, não era o Rio que esperávamos, já que em praias cariocas não temos macacos, por exemplo…

O importante era ver em um game Ipanema, Copacabana, Flamengo, Botafogo, Urca; só faltando a Praia Vermelha, o guaraná, o suco de cajú e a goiabada para a sobremesa! O game fez sucesso, conseguiu mais fãs e abriu espaço para novas apostas na série.

Lançado em 2003, o terceiro capítulo da história da série trazia o protagonista Tanner mais experiente, com maior mobilidade e carregando um arsenal de armas em um jogo envelhecido. As viagens ao mundo levaram o game de Miami à Nice (França) e Istambul (Turquia).

As barcas V8 retrô deram espaço a veículos mais modernos e até motos. Driv3r foi para o braço de ferro com um novo concorrente e acabou derrotado antes de ter a chance de virar o boné para trás. O desafiante era Grand Thef Auto Vice City (de 2003), que contava com trilha sonora de peso, uma história sólida com total referência ao filme Scarface e o carisma fortíssimo conquistado em GTA III.


Driver Parallel Lines
foi o quarto título da série, mas é possível entendê-lo como uma nova tentativa da Reflections em recuperar o terreno perdido. TK era o protagonista, ocupando pela primeira vez o lugar que sempre pertenceu a Tanner. O jogo retrava Nova Iorque de uma forma verossímil, ainda que sem a precisão exata no mapeamento das ruas. Tudo isso em duas épocas diferentes: 1978 e 2006, com riqueza de detalhes culturais e técnicos (a ausência do World Trade Center, por exemplo) de ambos.

O jogo até que recebeu boas análises, mas – ironicamente – foi considerado como um “GTA clone”, nome dado pelos gringos aos jogs que copiam a mecânica da série da Rockstar. Não teve a devida atenção.

Motorista de bolso

Parallel Lines fez melhor que Driv3r, só chegou em hora errada (Foto: Divulgação)Parallel Lines fez melhor que Driv3r, só chegou em hora errada (Foto: Divulgação)

Com o sucesso, os games da série Driver acabaram parando também nos consoles portáteis, como o Game Boy Color com o primeiro game, Game Boy Advance, com Driver 2, PSP, com Driver 76, e Nintendo 3DS o recente Driver Renegade 3D. O primeiro game também recebeu um remake para iPhone, com algumas modificações para deixar o jogo mais moderno, além da adaptação óbvia ao touchscreen dos aparelhos portáteis da Apple, que não possuem teclado nativo.

Pioneiros se digladiam

Em tempos remotos, GTA era apenas um jogo diferente e esquisitão, com a bird view (visão por cima) e a proposta anárquica de permitir que qualquer veículo na rua fosse roubado! Isso além de atirar contra policiais, atropelar pedestres e promover atentados “terroristas”. O jogo agradou e ganhou expansões e uma sequência em 2000.

Primeiro jogo da série foi revitalizado para os iOS, da Apple  (Foto: Divulgação)Primeiro jogo da série foi revitalizado para os iOS, da Apple (Foto: Divulgação)

O Cavalo de Tróia, porém, estava guaradado para o ano seguinte. A Rockstar Games anunciou em 2001 que a DMA Design (também britânica, como a Reflections) estava desenvolvendo uma nova versão da série. GTA III foi lançado no mesmo ano, espelhado na proposta de Driver para se reformular e entao derrotou o mestre.

A dirigibilidade era apenas uma parte do pacote, que incluia uma cidade que respirava e uma sensação de viver o estilo de vida do personagem principal, que não tinha nome (posteriormente chamado de Claude) e fazia coisas “cotidianas” como comprar armas e levar garotas de programas para alguns momentos dentro do carro em um beco escuro.

Driver (Foto: Divulgação)Driver (Foto: Divulgação)

A anarquia e o humor negro dos títulos anteriores continuava, só que amplificados pelo novo motor de jogo, com gráficos detalhados e toda uma análise cultural da sociedade americana. Piadas são tão corriqueiras que até a série Driver foi homenageada em uma missão do jogo, na qual Claude deve assassinar um policial infiltrado chamado – pásmem – Tanner: na missão “Two-Faced Tanner”, da Azuka, chefe fictícia da Yakuza de Liberty City é informada sobre um policial infiltrado nos negócios do clã, que trabalha como motorista.

Ela convoca o protagonista para assassinar Tanner (“um inútil fora do carro”), que aparece na cidade em um carro antigo, vestido exatamente como em Driver 2. As piadas foram provocações diretas às críticas sofridas pelo segundo game, de que a jogabilidade à pé era extremamente dura e limitada.

O golpe final de GTA na série da Reflections, porém, veio com Vice City, que trazia motos, aviões e helicópteros. Também era a estréia de um novo protagonista, mafioso, e com todo o clima visto em Miami Vice e no já citado Scarface, com piadas cada vez mais provocativas. A Rockstar consagrou seu game e tornou a série Driver algo ultrapassado.


Legado do ‘sandbox’

Quando foi lançada, a série despertou nas desenvolvedoras a certeza de que os jogadores queriam mais liberdade, danos mais realistas (sem carros invencíveis) e história sólida. Não havia mais tanto espaço para os mesmos jogos de corrida de sempre. Driver pode não ter sido o primeiro do gênero sandbox, mas foi pioneiro em levar o estilo e as mecânicas de liberdade ao mainstream gamístico.

Tanner e seu companheiro inseparável, Tobias (Foto: Divulgação)Tanner e seu companheiro inseparável, Tobias (Foto: Divulgação)

E após ele vieram games como World’s Scariest Police Chases, Stuntman e até o próprio Grand Theft Auto III. Se a ideia é traçar uma árvore genealógica dos jogos de ação com carros, Driver também pode ser considerado DNA das séries Mafia, True Crime, Saints Row, The Gateway, The Godfather entre outras. As mecânicas de jogo, de proporcionar liberdade ao jogador em dirigir veículos por uma cidade aberta, também figuraram em títulos das séries Need for Speed, Crazy Taxi, Test Drive e, mais recentemente, LA Noire.

Driver San Francisco

É natural pensar que um legado tão bem sucedido e influente não poderia sumir com o tempo. A Ubisoft (agora dona da Reflections) também parece ter entendido a necessidade da série Driver estar de volta às “paradas de sucesso”.

Na mais recente tentativa da empresa em fazer o game permanecer relevante, chegaram às lojas Driver San Francisco. Se passa na cidade americana homônima, e traz John Tanner (finalmente o nome da personagem principal foi revelado) no controle de carros maravilhosos por um cenário urbano.

Tudo como era antes. Só que ao invés de roubar carros, como em GTA, o jogador conta com um recurso chamado “shift”, permitindo a troca de carros ao apertar somente um botão, como se o motorista fosse teletransportado para qualquer veículo no campo de visão. Outra novidade são os modelos licenciados por fabricantes como Lamborghini, Cadillac, Ford, entre outros.

A resposta para a pergunta óbvia que os fãs da série estão fazendo é: só o tempo dirá…

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  • Gabriel Pereira
    2014-11-18T22:01:54

    eles poderiam fazer um ramake do Driver 1 ,2 ,3 , claro que uma mudança no Driver 1 , para sair novamente do carro , se eles fizessem um remake , bateria ,e até derrubaria toda a franquia GTA , Driv3r foi o melhor jogo que ja joguei na minha vida , e um ramake dele seria completamente fantastico !

  • Raphael Ribeiro
    2011-09-20T13:20:11

    Gostaria de entender um pouco mais o significado do "shift". Joguei a demo pra xbox... achei o jogo interessante, mas o "shift", como o amigo disse, sobrenatural.

  • Rodrigo Barboza
    2011-09-20T10:51:20

    Joguei a demo disponível na PSN, o recurso Shift realmente não parece que vai chegar p/ ficar, foge muito do normal parece meio algo sobrenatural não combina com o estilo do jogo, mas no geral o jogo pelo que joguei está legal de jogar.