Internet

16/11/2011 10h11 - Atualizado em 19/03/2012 15h42

Pentágono está atrás de "hackers visionários" para defender forças armadas dos EUA

Filipe Garrett
por
Para o TechTudo

A Darpa (Agência de Pesquisa Avaçada de Projetos de Defesa) admitiu não saber o que fazer para garantir a segurança das redes das forças armadas norte-americanas, constantemente foco de ataques de hackers. O anúncio foi feito durante um evento, nesta semana. No entanto, a ironia nessa história toda é que foi a própria Darpa, nos anos 60, que criou o conceito de computadores em rede que acabou no que conhecemos hoje como internet.

DARPA (Foto: Reprodução)DARPA (Foto: Reprodução)

A partir do momento que a agência admite que o Pentágono não é capaz de se defender sozinho – o que é outra ironia – no ambiente multifacetado e livre da internet, abre-se o espaço para perguntar: “e agora?”. Agora a agência estuda convidar e incentivar hackers a trabalhar na defesa de seus sistemas. É algo que empresas já fazem há algum tempo, mas que sempre foi tabu quando os alvos são militares.

A Darpa mencionou ainda que os softwares encarregados da defesa de informações ridiculamente sensíveis das forças norte-americanas usam até 10 milhões de linhas de código. Eventualmente, basta um vírus com 125 linhas escritas para driblar esta pequena tonelada de programação.

O general Keith Alexander, que comanda o setor de cyber defesa, afirma que estão preparados caso haja um novo ataque. “Hoje diagnosticamos um malware, limpamos o sistema e nos preparamos para o próximo ataque. Precisamos mudar a maneira como pensamos nossos sistemas de defesa”, disse.

É uma luta ingrata potencializada pelo fato de que o aparato de defesa norte-americano é um alvo muito visado pelas comunidades hackers. Independente da motivação, se há um engajamento político em invadir a rede do Pentágono ou não, o fato é que milhões e milhões gastos em softwares e contramedidas de segurança simplesmente não são capazes de segurar a criatividade e o tempo livre da multidão de hackers.

A ideia da Darpa é encontrar hackers capazes de inserir na mentalidade e no modo de operar da agência a capacidade de ser mais ágil para se defender das ondas de ataque. Abandonar o recrutamento de técnicos e acadêmicos em segurança de redes para tentar seduzir hackers legítimos, será um desafio interessante e possível. Mesmo em período de crise econômica, o orçamento da Darpa para desenvolvimento de cybersegurança é de US$208 milhões neste ano e deve crescer em 2012.

Se o dinheiro pode converter os hackers em funcionários é algo difícil de se prever, mas hackers famosos, como Peiter Zatko, trabalham para a Darpa projetando alguns de seus programas. Quem será o próximo?

Via Wired

Seja o primeiro a comentar

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie. Leia as perguntas mais frequentes para saber o que é impróprio ou ilegal.

recentes

populares