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30/01/2012 12h29 - Atualizado em 30/01/2012 17h48

Entrevistamos Arthur Protasio, especialista de narrativas nos jogos

Alexandre Silva
por
Para o TechTudo

Quando se fala de narrativa nos jogos, existem grandes diferenças em relação ao cinema e à literatura. Para explicar um pouco mais sobre isso, conversamos com Arthur Protasio, coordenador do CTS Game Studies (Centro de Tecnologia e Sociedade) da Fundação Getulio Vargas do Rio de Janeiro, e também presidente da Associação Internacional de Desenvolvedores de Jogos no Rio de Janeiro (IGDA RIO).

Arthur Protasio (Foto - Divulgação)Arthur Protasio (Foto: Divulgação)

Sendo escritor, pesquisador e produtor de narrativas e jogos, Arthur roteiriza e apresenta o programa LudoBardo, que é voltado para a análise crítica de narrativas nos jogos (assista aos programas aqui). Também já publicou artigos internacionais e realiza palestras a respeito da importância da liberdade de expressão e do reconhecimento do jogo eletrônico como mídia cultural e artística.

O programa LudoBardo completou um ano de existência na Internet e, a cada episódio, aprendemos um pouco mais sobre os dois principais tipos de narrativa – embutida  e emergente – que existem nos jogos.

Narrativa embutida

Quando se fala de jogos eletrônicos, se fala de interação do jogador com a história de algum título. É semelhante ao roteiro de um filme, no qual o personagem precisa ir do ponto A ao ponto B, e cumprir o seu objetivo principal naquela história. A narrativa embutida não pode ser mudada, pois é o roteiro dos jogos.

Narrativa emergente

Por outro lado, durante o caminho do ponto A ao ponto B, algumas coisas podem acontecer inesperadamente, e de maneira exclusiva para cada um. Tais eventos existem nos jogos, pois essa é a experiência que o jogador possui, sendo algo diferente de um filme, onde só assistimos. Em um game, o jogador tem a sua história, e toma as suas próprias decisões. Ele pode se emocionar em algum momento com o cenário belo, ou se assustar com algum monstro que aparece repentinamente. Qualquer tipo de interação que não estava “planejada” no roteiro principal do jogo é considerada uma narrativa emergente.

Os dois conceitos na prática

Para demonstrar os dois tipos de narrativa na prática, o TechTudo foi convidado por Arthur Protasio a participar de um episódio do programa LudoBardo, no qual jogamos uma campanha de Left 4 Dead 2. Tal jogo é tradicionalmente linear, com poucas fases em uma campanha e perfeito para partidas cooperativas. O objetivo dos sobreviventes é chegar ao resgate, que está em outro ponto da cidade. Mas o que acontecerá durante o caminho dessa campanha?

Left 4 Dead 2 (Foto - Divulgação)Left 4 Dead 2 (Foto: Divulgação)

Em uma mistura frenética de jogo, susto e entrevista, o resultado foi um bate-papo bem interessante sobre os tipos de narrativa, e como a emoção dos participantes da história (no caso, os jogadores) pode variar de uma hora para outra, devido a eventos aleatórios que nos pegam de surpresa. Assista ao novo episódio do LudoBardo e à entrevista transmídia especial realizada pelo TechTudo em mais uma aventura na sobrevivência de um apocalipse zumbi.


Global Game Jam

Outro trabalho realizado pela IGDA foi a Global Game Jam, evento que aconteceu na última sexta-feira, dia 27 de janeiro, e teve a duração de 48 horas. Trata-se de uma maratona de desenvolvimento de jogos (a maior do mundo), que aconteceu simultaneamente em 44 países, incluindo cinco estados brasileiros. A divisão carioca (IGDA Rio) também teve uma sede para o evento internacional.

Global Game Jam (Foto - Divulgação)Global Game Jam (Foto - Divulgação)

Os desenvolvedores de jogos, tanto peritos quanto novatos, trabalharam juntos para produzirem jogos simples e que, ao mesmo tempo, podem ser comercialmente viáveis. O título precisava ser completo (início, meio e fim), e devia ser feito no prazo das 48 horas do evento. Para que isso acontecesse, um tema comum foi designado a todos. Todos os participantes do evento tiveram acesso à página do IGDA Rio no Facebook, na qual foram compartilhados vídeos e fotos, e as discussões técnicas se realizaram no decorrer do evento. Para conhecer a lista dos sete jogos desenvolvidos pela IGDA Rio, e organizados por Arthur Protasio, clique aqui.

O evento Joga Brasil

Outro evento que aconteceu paralelamente ao Global Game Jam foi o Joga Brasil, onde foi discutido a produção de jogos brasileiros. Arthur Protasio esteve presente na mesa redonda, cujo tema foi “Mercado de Jogos no Brasil”. Outros participantes do evento foram Antônio Marcelo (Riachuelo Games), Cleber Tavares Jr. (Seven Game Studio), Paulo Andrade (Faculdade CCAA) e Adrian Laubisch (Aiyra). Maiores informações podem ser vistas no site oficial.

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  • Elton Mesquita
    2012-01-30T18:44:56

    Ótima escolha. Pesoas como o Arthur, o Moacir do Jogo Justo e outros exemplos tem me deixado mais esperançoso sobre o futuro desta mídia no nosso país.