Jogos de luta

02/02/2012 12h14 - Atualizado em 02/02/2012 18h41

Especial Soul Calibur: a história da série

Ingo Müller
por
Para o TechTudo

Guerreiros virtuais, podem preparar suas lâminas: um novo Soul Calibur está chegando nas prateleiras na virada deste mês de janeiro. Na quinta versão do game de luta da Namco, vamos conhecer caras novas e reviver personagens queridos em novos e eletrizantes duelos desta grande franquia.

Soul Calibur V (Foto: Joystiq)Soul Calibur V (Foto: Joystiq)

Porém, antes de colocar as mãos no novo game, nós do Techtudo preparamos um especial relembrando um pouco da história da série. Acompanhe neste texto como tudo começou, e entenda porque Soul Calibur foi considerado por nós como o melhor game de luta com armas brancas de todos os tempos.

A inspiração

Jogos de luta são tão antigos quando a própria indústria dos videogames, porém, na década de 90, a grande maioria seguia o padrão definido por Street Fighter, com magias e outros golpes impossíveis. Foi graças a Virtua Fighter (da Sega) e a popularização dos jogos de luta poligonais que uma nova estética – mais realista – se consolidou.

Mas a Namco ainda não estava investindo nas pelejas em três dimensões neste período. Em 1995, a empresa publicou um game desenvolvido pela Tamsoft chamado WeaponLord, que pegava carona nas lutas de espadas de Samurai Shodown, mas com personagens ocidentalizados. O game era bem complexo e avançado para a época, apresentando diversos tipos de bloqueios diferentes que davam um ritmo único para as lutas – além disso, apesar das limitações dos consoles de 16 bits, o jogador conseguia sentir o impacto das armas de forma mais crível do que outros games que rodavam em hardwares mais poderosos, como Battle Arena Toshinden.

WeaponlordWeaponlord

Mesmo com o sucesso de WeaponLord, o game jamais recebeu uma sequência. Porém, em vez de lamentar pela continuidade da saga, nós gamers devemos agradecer, pois a Namco reciclou vários conceitos presentes no jogo e partiu para uma investida muito mais ousada, combinando elementos presentes nos cada vez mais populares games de luta em três dimensões – nascia assim o projeto Soul.

Sould Edge, o pai de todos

Soul Edge chegou aos em janeiro de 1996 apresentando um mix do que havia de melhor na tecnologia dos gráficos poligonais com uma jogabilidade que casava elementos de WeaponLord e Samurai Shodown (da SNK). O jogo se passava em 1584 e mostrava a jornada de 9 guerreiros em busca da espada que dava o nome ao jogo, considerada por muitos como a “arma definitiva”.

Alguns meses depois, a Namco corrigiu os bugs presentes na primeira versão disponível nos fliperamas do Japão, atualizando o game e trazendo dois novos personagens jogáveis Hwang (originalmente um pallete swap do samurai Mitsurugi na versão coreana) e o pirata Cervantes. Além disso, novos elementos como o Guard Impact, que se tornou uma característica da série, foram implementados para aumentar a popularidade do título no cenário competitivo.

 

 

Esta versão foi a que chegou no ocidente como Soul Blade, uma mudança de nome feita para evitar disputas judiciais na Europa, Austrália e América do norte, onde a palavra “Edge” já havia sido registrada como nome de outra fabricante de jogos eletrônicos, a EDGE Games.

Soul Blade/ Edge chegou nos consoles domésticos em dezembro daquele ano, dando aos donos de Playstation a sensação de terem um arcade em suas casas.

Soul Calibur, o renascimento da franquia

Em 1998 chegou nos fliperamas Soul Calibur, dando continuidade para a trama ao mostrar o que aconteceu com a arma demoníaca apresentada no game anterior: a espada de Cervantes foi quebrada, dando fim ao terror do pirada nas terras espanholas, mas o guerreiro Siegfried tolamente manteve contato com o cabo do artefato, se transformando em Nightmare, uma besta consumida pela maldade da Soul Edge.

A chegada deste novo título causou muito impacto nos arcades. Soul Edge era um grande game, mas Calibur era uma obra de arte: o visual do jogo capturava olhares onde quer que a máquia estivesse instalada – me lembro que, nessa época, mesmo sem dinheiro eu ia para o flipper, só para ver outras pessoas jogando esta obra prima.

Soul Calibur1Soul Calibur

O rol de personagens foi expandido com guerreiros de peso como Astaroth, Maxi, Ivy e Xianghuao, além do fanfarrão Yoshimitsu, mas ainda haviam semelhanças entre as novas caras e alguns dos lutadores do game anterior – tirando o topete de Elvis, Maxi, por exemplo, lutava de forma semelhante a Li Long, cujos nuchakos foram cortados desta versão.

A mudança mais notável foi na movimentação dos personagens: enquanto as lutas de Soul Edge aconteciam em um plano com possibilidade de desviar para cima e para baixo num eixo vertical (semelhante a Tekken, da própria Namco), Calibur permitia um deslocamento mais livre, em oito direções – uma escolha bastante acertada, especialmente se considerarmos que, diferentemente dos jogos 2D, ataques durante o salto nunca funcionaram bem nos games poligonais. Esta mudança caiu como uma luva na série, que já enfatizava diferentes tipos de cortes (horizoantais e verticais) desde sua a primeira aparição nos arcades.

O game também teve uma versão doméstica bastante competente lançada para o Dreamcast, mas como o console teve vida curta, foram poucos os afortunados que tiveram esta obra prima no conforto de suas casas. Felizmente, uma década depois o jogo ganhou uma versão para a Xbox Live, além de uma adaptação recente para sistemas operacionais de celulares no começo de 2012.

Soul Calibur II, um conto de duas espadas

Depois de um hiato de cinco anos, a continuação de Soul Calibur foi lançada em 2002 nos fliperamas. Neste jogo, a Namco revelou o significado do título do game ao acrescentar outra espada mágica na mitologia da série, uma arma que poderia rivalizar com a Soul Edge, cujo poder demoníaco ficou evidenciado no game passado.

Situado quatro anos após o seu antecessor, o jogo mostra que a onda de carnificina que assolou a Europa chegou ao fim, mas isso não significou um período de paz: Nightmare e seus seguidores apenas haviam conseguido ceifar almas suficientes para cumprir suas metas, aumentando o poder profano da espada Edge. Mas o vortex de maldade desta lâmina revelou a Soul Calibur, uma espada sagrada que poderia fazer frente à terrível arma. Após uma batalha terrível na qual Soul Calibur foi a vencedora, um vórtex sugou as duas espadas e o guerreiro Nightmare para o esquecimento.

Porém, apesar de aparentemente destruída, o mal da Soul Edge deixou sua semente no mundo na forma de vários fragmentos, que corrompiam quem entrasse em contato com eles. Mais uma vez, vários lutadores começaram a procurar por estes pedaços, seja para destruílos ou ainda para cultivar a ilusão de controlar o descomunal poder infernal da Soul Edge.

SC IISoul Calibur II

Este novo jogo trouxe melhorias técnicas nos gráficos e no gameplay, permitindo esquivas mais elegantes. Os personagens Cassandra, Talim, Raphael e Yun-seong entraram na peleja, e as conversões domésticas do game tiveram a inclusão de personagens especiais exclusivos: no Gamecube, o guerreiro Link, que dispensa apresentações; no Playstation, Heihachi Mishima de Tekken; e no Xbox o soldado do inferno Spawn, que nesta época ainda fazia sucesso nos quadrinhos. Todas as versões domésticas também receberam a adição de Necrid, cujo design foi feito por Todd McFarlane. A expansão da quantidade de personagens agradou, e até hoje as participações especiais se tornaram uma marca da franquia.

Soul Calibur III, o caminho inverso

A saga continuou em 2005, desta vez primeiro nos consoles domésticos da Sony, só convertida para os fliperamas no ano seguinte. Os eventos do game se passam praticamente um mês após Soul Calibur II, mostrando que a Soul Edge triunfou novamente e conseguiu mais uma vez se apossar do enfraquecido Siegfried, que conseguiu se libertar apenas graças a interferência dos outros personagens.

Livre, o cavaleiro tomou para si Soul Calibur e iniciou uma jornada de auto penitência para selar o mal da espada Edge. O que ele não sabia é que havia um homem nos bastidores observando a tudo, e os eventos estavam ocorrendo exatamente como ele planejava…

 

Nesta versão do game não houveram grandes revoluções na jogabilidade, mas como o game começou nos consoles domésticos, houve uma ênfase maior nos modos de um jogador através das Crônicas da Espada, que substituiu o Edge Master Mode e deu uma cara de Fire Emblem para as pelejas. Um modo de criação de personagens também foi introduzido a franquia, permitindo que cada jogador criasse seus próprios combatentes.

Esta ênfase na aventura inspirou Soul Calibur Legends, um game Hack and Slash lançado para Nintendo Wii em 2007, mas a recepção dewste título foi, de longe, a píor de todos os games da franquia. Felizmente, a Namco percebeu o erro e voltou o jogo para o formato clássico em 2008, com a quarta continuação da série Soul.

Soul Calibur IV, a redenção

Após a experiência malsucedida com Legends, um novo Soul Calibur foi lançado em 2008 para Xbox 360 e Playstation 3, mostrando que os belos gráficos da série ficam ainda mais impressionantes em alta definição.

A criação de personagens voltou e, apesar de apresentar menos estilos que o game anterior, dava mais poder de customização tanto para os personagens criados quando para os já existentes no game: além de armas diferentes, o jogo apresenta uma série de itens que podem melhorar o desempenho do seu lutador, deixando as lutas com um elemento de RPG que sem dúvida inspirou o sistema de gemas do aguardado Street x Tekken, parceria entre Capcom e Namco prometida para este ano.

O modo aventura infelizmente foi cortado, dando lugar à “Torre das Almas Perdidas” que, apesar de divertida, não é tão interessante quanto o que substituiu. Para compensar, a série teve aa participação de grandes figuras do cinema: os convidados especiais foram ninguém menos que Darth Vader e Yoda, de Guerra nas Estrelas, além do aprendiz Starkiller mostrado em The Force Unleashed, o que deu uma “força” para alavancar o título, que foi bastante elogiado pela crítica especializada.

SCIVSoul Calibur IV

Soul Calibur V, a edição definitiva

A Namco costuma nos deixar esperando um tempinho entre as versões dos seus jogos, o que de certa forma é bom, pois além de não desgastar as franquias, permite que os jogadores explorem o potencial dos seus games até a saturação. Por isso mesmo, há grande apreensão pelo lançamento do novo Soul Calibur, já que se passaram quatro anos desde a chegada do título passado. Os vídeos já divulgados pela desenvolvedora prometem uma parte técnica impecável, além de novos personagens. Conhecendo o padrão de qualidade da série, podemos esperar um candidato certo a melhor jogo de luta de 2012. Resta aguardar por mais este capítulo desta história de homens e armas eternamente recontado.

 

 

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  • Luís Oliveira
    2013-05-05T20:27:33

    Tenho o Soul Calibur 2 de gamecube.. comprei por causa do Link.. mas puxa é um jogasso... comprei a pouco o Sc 4 por causa do Darth vader (ainda não chegou) e se for o mesmo nivel do 2 vou acabar comprando o 5 tb jehehe...

  • Candido Godot
    2012-02-03T10:21:36

    cade o kilik de soul calibur 2?

  • Ingo Müller
    2012-02-03T01:54:11

    Obrigado Comissario. Volte sempre ao Techtudo!