Jogos de RPG

18/07/2012 14h54 - Atualizado em 03/05/2016 15h03

Jogadores profissionais de StarCraft 2 dão suas opiniões e comentam experiências de vida

Alexandre Silva
por
Para o TechTudo

Depois do término da etapa sul-americana do StarCraft 2 World Championship Series (WCS) no último final de semana, os jogadores vencedores comemoram e se preparam para o próximo confronto em algum outro evento. Após várias partidas e eliminações, os três melhores competidores receberam uma premiação em dinheiro, e o campeão vai se preparar para disputar a final mundial na China, em novembro.

Troféu sul-americano do WCS 2012 (Foto: Divulgação)Troféu sul-americano do WCS 2012 (Foto: Divulgação)

Entrevistamos os três melhores jogadores do evento: O brasileiro Carlos Leonardo “Levin” Cruz, o peruano Jian Carlo “Fenix” Morayra e o campeão chileno Felipe “Killer” Zúñiga. Os três jogadores – apesar de compartilharem o mesmo palco das competições – possuem histórias, motivações e opiniões diferentes a respeito do crescimento do eSport, de como é possível chegar a se tornar um competidor famoso e até mesmo patrocinado por empresas.

Quando o Hobby que se torna algo mais

Sem exceção, os três jogadores tiveram uma característica em comum que os motivaram a se dedicar ainda mais a StarCraft 2: O amor ao jogo em longa data. Todos eles possuem uma grande bagagem técnica que envolve táticas e estratégias diferentes com raças específicas desde o primeiro jogo da série, e que puderam ser reproduzidas em seu sucessor.

O brasileiro Levin, terceiro colocado no torneio (Foto: Divulgação)O brasileiro Levin, terceiro colocado no torneio (Foto: Divulgação)

Levin é um dos que jogam há mais tempo, disputando partidas há 15 anos (somando a experiência de Warcraft 1 e 2) por puro hobby, inclusive nos campeonatos. Médico experiente, para ele o jogo não foi nada além de um hobby que ganhou notoriedade e por consequência, o colocou na cena competitiva.

Segundo ele, o jogador que sacrifica parte de sua vida (trabalho, estudos) para se dedicar apenas a um jogo pode carregar consigo uma carga de pressão psicológica grande, que acabaria afetando o seu desempenho. A não ser que alguém consiga obter uma renda através de patrocínio, e assim poder treinar com tranquilidade.

“Qualquer campeonato que o cara participar, sabendo que sua vida foi dedicada a isso e não vai ganhar nada por isso, ficará com muito peso na consciência, e terá uma pressão sobre si mesmo. O estudo é muito mais importante, e se conseguir se tornar um pro-gamer e trabalhar para isso, melhor ainda. Mas sem gastar dez ou doze horas de jogo todos os dias”, comenta Levin.

Sangue, suor e lágrimas

O peruano Fenix conquistou o segundo lugar da etapa sul-americana (Foto: Alexandre Silva/TechTudo)O peruano Fenix conquistou o segundo lugar da etapa sul-americana (Foto: Alexandre Silva/TechTudo)

Já o peruano Fenix pensa um pouco diferente. O jogador que foi um dos poucos latino-americanos a participar de equipes coreanas diz que o sacrifício faz parte do caminho para se tornar um jogador profissional, e isso se reflete em sua própria história, já que ele abandonou a universidade para se dedicar apenas ao StarCraft 2.

Para os jogadores iniciantes, a dica é ser dedicado e perseverante nos treinamentos, acreditando que as coisas podem dar certo. Contudo, isso não significa perder a vida social. “O equilíbrio entre a vida social, trabalho e estudos é algo importante para a boa qualidade de vida do jogador que decide seguir na carreira competitiva”, diz o competidor.

O amor, combustível da motivação

O chileno Killer foi o campeão, que disputará as finais mundiais na China (Foto: Divulgação)O chileno Killer foi o campeão, que disputará as finais mundiais na China (Foto: Divulgação)

O chileno Killer foi o campeão invicto do torneio sul-americano, e já tem em seu currículo diversos outros títulos e batalhas memoráveis. Vindo de um país onde a cena competitiva de jogos chega a ser menor que a do Brasil, ele leva com orgulho o troféu para casa, além de uma boa soma em dinheiro e a chance de ser campeão mundial no final do ano.

A realização do WCS no Brasil foi bem vista pelo jogador, que espera ainda ver eventos de eSports realizados na América do Sul, com a mesma grandiosidade de outros lugares como a Ásia, onde tais eventos reúnem mais de 50 mil pessoas. Algum dia isso pode se tornar possível por estes lados, na sua opinião.

Para ele, a seriedade nas partidas é algo importante. “Não vejam StarCraft 2 como um mero jogo, mas sim como um esporte que pode te dar condições de seguir uma carreira profissional. Além disso, é importante amar o jogo, para que a pessoa possa se dedicar mais e aprimorar suas habilidades”, completa o jogador.

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