20/07/2012 09h40 - Atualizado em 20/07/2012 09h40

Nave conceito transforma vácuo em energia

Filipe Garrett
por
Para o TechTudo

A Icarus Interstellar é uma fundação sem fins lucrativos que sugere um novo modelo de nave espacial, pensando no futuro da raça humana como colonizadora de outros corpos celestes. Conhecida como VARIES (sigla em inglês para Sistema de Foguete Interestelar de Vácuo para Antimatéria), a nave se baseia num sistema de propulsão que desafia o senso comum: ela extrai energia do vácuo espacial.

Conceito de nave potencializa as flutuações quânticas para criar energia (Foto: Reprodução)Conceito de nave potencializa as flutuações quânticas para criar energia (Foto: Reprodução)

Cobrir as enormes distâncias do espaço em um veículo é um desafio de engenharia que ganha novas ideias constantemente. Questões como combustível vasto, autonomia e velocidade ditam as necessidades de uma nave que ambicione levar a humanidade para longe da Terra. Pensando nisso, os engenheiros que sugerem a VARIES como solução chegaram a conclusão de que a melhor forma de empurrar a nave é usando o que mais abunda no espaço sideral: vácuo.

A ideia é aproveitar um fenômeno quântico conhecido como flutuação: ele atesta, em resumo, que não há vácuo absoluto e que mesmo no “nada” espacial, partículas surgem do nada, sempre aos pares. Uma partícula e uma antipartícula espocam juntas para a existência, anulando-se mutuamente e criando energia.

O objetivo é usar essa energia gerada da aniquilação das partículas. A grande questão é que canalizá-la seria algo monstruosamente distante da nossa tecnologia. Por isso, os inventores do VARIES pensaram em usar um laser colossal para forçar o vácuo a gerar esses pares de partículas. Uma vez disparado, o raio laser cria uma boa quantidade desses pares. Ao aniquilarem-se, eles geram a energia que acelera indefinidamente a nave: enquanto houver energia para acender o laser, haverá propulsão inesgotável para a nave.

Usar a aniquilação de matéria e antimatéria é uma sugestão brilhante porque a aniquilação de uma pela outra gera enormes quantidades de energia – a transformação total da massa em energia faz desse par o combustível ideal: não há resíduos. A única dependência do sistema é a luz solar, necessária para alimentar as baterias do laser.

A VARIES teria quilômetros e quilômetros quadrados de painéis solares para funcionar e, uma vez esgotada a energia do laser, para se mover, ela teria de encontrar uma estrela próxima – algo que pode ser um pouco difícil levando-se em conta as distâncias espaciais.

A tecnologia para aproveitar energia desse processo de aniquilação já foi usada em pequena escala em laboratório. A grande questão é que não há meios de se construir, hoje e no futuro próximo, um emissor laser tão grande e poderoso.

Via Dvice

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  • João Silva
    2013-07-10T15:09:06  

    Mas os extraterrestres utilizam isso há milhares de anos... É o que chamamos de Energia Cósmica. Não será impossível no futuro, apenas estamos começando a entender como os OVNI's viajam pelo Universo e nos visitam. Só falta o ser humano descobrir os atalhos universais (dimensões) para viagens bem mais rápidas no Universo.

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    • João Silva
      2013-07-10T15:09:06  

      É muita certeza num comentário só! rsrs

  • Fábio Prado
    2012-09-11T14:06:31

    Por outro lado, se fosse possível criar um buraco negro e transportá-lo, o horizonte de eventos seria uma boa fonte de radiação: ions disparados contra o buraco negro gerariam energia ao ser acelerado para dentro do bn e uma boa parte dessa radiação escaparia dos efeitos gravitacionais, gerando uma cascata de radiação eletromagnética em, provavelmente, todo espectro. Seria possível reaproveitar essa energia através de conversores como painéis fotovoltaicos e outros mecanismos menos ordinários. Na verdade, um buraco negro como fonte de energia seria a solução para o Universo. Quem sabe?...

  • Fábio Prado
    2012-09-11T14:03:39

    Há um problema sério de equilíbrio energético nessa idéia... Primeiro porque a energia que surge dessa aniquilação é a mesma consumida do vácuo pela separação do par partícula-anti-partícula. Daí a energia nunca sobra livre: ela é consumida e depois reliberada. Um laser poderia ser usado para separar as duas, já que cada um deslocar-se-ia em sentido oposto na presença do campo eletromagnético do laser. Mas ainda sobra o fato de a separação ter consumido energia para acontecer. Em outras palavras, num rola. Pelo menos não de cara...

  • Humberto Zani
    2012-07-24T23:21:41

    Estão sugerindo que a energia gasta pelo laser é menor que a energia acumulada para alimentar os motores. Talvês seja melhor pensar em como dobrar o espaço para que as pessoas cheguem a seus destinos antes de ficarem velhos o bastante para não conseguirem voltar.

  • Erivan Lima
    2012-07-24T18:10:48

    O cérebro humano é a síntese de todo o Cosmos...

  • Erivan Lima
    2012-07-24T18:08:46

    Nao me recordo qual o livro e o cap.bíblico,mas tem uma passagem que Deus fala direto para alguém,enquanto a menor de todas as minhas criaturas nao souber da verdade,o nanico Planeta Terra não perecerá. Com certeza será uma invensão prodigiosa.O subconsciente humano é bem maior do muitos imaginam.Em algum dia chegaremos na última fronteira sim!

  • Deivid Cantuaria
    2012-07-24T16:19:00

    Maravilha!

  • Gabriel Shon
    2012-07-24T14:05:43

    Genial!!! espero estar vivo para ver isso um dia.

  • Cleiton Cardoso
    2012-07-25T10:05:42  

    é só pegar a o laser para capacitar a energia gerada da aniquilação das partículas e inverter o processo de propulsão para um canhao de energia... virando assim uma arma poderosíssima... fica a dica!

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    • Cleiton Cardoso
      2012-07-25T10:05:42  

      Sem chances. Há formas muito mais baratas de se produzir aniquilação em massa. Por exemplo, o descrito em Anjos e Demônios, do Dan Brown, é uma realidade, a menos do fato de se consumir muito mais para gerar a antimatéria que sua aniquilação produz.