13/08/2012 16h41 - Atualizado em 13/08/2012 17h20

Como funciona o bafômetro?

Guilherme Neto
por
Da Contém Conteúdo

Desde que a Lei Seca (11.705/2008) entrou em vigor no Brasil, o bafômetro virou um acessório bastante comum em festa, bares e baladas. Também conhecido como etilômetro, esse aparelho consegue em poucos segundos medir a quantidade de álcool no sangue de um usuário, e por isso é utilizado por muitas pessoas e pela própria polícia para avaliar se um motorista está apto ou não a pegar no volante.

Como o álcool age no organismo

Bafômetro usado na Operação Lei Seca no Rio de Janeiro (Foto: Reprodução)Bafômetro usado na Operação Lei Seca no Rio de
Janeiro (Reprodução/site Operação Lei Seca)

O álcool, quando ingerido, se incorpora ao sangue através de vasos e membranas permeáveis dos órgãos do corpo pelos quais passa, como o estômago e principalmente o intestino delgado, onde ocorre a transferência de 75% das moléculas de etanol. A partir daí, pode-se levar até uma hora para elas se espalharem por todo o corpo.

A quantidade limite de bebida que alguém deve beber depende de vários fatores, desde a concentração de álcool no copo a até mesmo a alimentação ingerida ou a condição física do usuário. Para algumas pessoas, apenas uma lata de cerveja pode ser o suficiente para que o bafômetro acuse 2 decigramas por litro de sangue, nível máximo tolerado pela Lei Seca. Até mesmo bombons com recheio de licor e antissépticos bucais podem causar um resultado positivo no aparelho. Nesses casos, o cidadão tem o direito de pedir um novo teste no período de 20 minutos, quando então não deverá mais ser acusada a presença de etanol.

Também não é possível afirmar categoricamente quanto tempo leva para todo o etanol ser eliminado do corpo de quem ingeriu bebida alcoólica, já que isso depende do organismo de cada um, da velocidade com que bebe, da quantidade ingerida ou de ações que realiza antes, durante e após beber. Uma noite de sono, por exemplo, suaviza os efeitos do álcool. Na dúvida, é prudente reassumir a direção apenas 24 horas depois de beber.

Existem três formas de eliminar o álcool do sistema sanguíneo: pela urina, pelo metabolismo de etanol no fígado, ou através do pulmão. Nesse terceiro caso, ele se mistura ao ar alveolar, aquele que sopramos no canudo ligado ao bafômetro. Dois tipos de aparelhos são utilizados para averiguar se um condutor está bêbado: nos mais simples, o álcool reage com uma solução de dicromato de potássio. Já no usado pela polícia, mais sofisticado, uma célula combustível faz esse serviço.

Funcionamento dos diferentes bafômetros

No bafômetro simples, o ar é misturado com uma solução composta de ácido sulfúrico, água, nitrato de prata e dicromato de potássio. O ácido sulfúrico remove o álcool do oxigênio, que sofre uma reação com o dicromato de potássio, produzindo etanal e íons Cromo (III). O nitrato de prata age como catalisador da reação química. O dicromato de potássio, visível no tubo do dispositivo, possui cor alaranjada. Já os ions Cromo são verdes. Por isso, caso a coloração da substância fique esverdeada, isso indicará uma presença de álcool no sangue.

Homem sopra bafômetro em blitz da operação Lei Seca (Foto: Reprodução)Homem sopra bafômetro em blitz da operação
Lei Seca (Foto: Reprodução)

O problema é que, como o dicromato de potássio é um forte oxidante, o bafômetro pode acusar falsos positivos. É por isso que a polícia utiliza o etilômetro de célula de combustível, que produz resultados mais confiáveis. Nestes, a baforada entra em contato com uma solução formada por dois eletrodos de platina, que contam ainda com um material poroso de ácido-eletrolítico posicionado entre eles. A platina reage com o álcool, gerando ácido etanoico, prótons e elétrons. Os elétrons passam por um fio condutor ligado a um medidor de corrente elétrica. Quanto mais forte, maior a presença de álcool. Um chip processa esses dados e informa o nível de concentração de etanol no visor do aparelho.

O resultado obtido em um desses bafômetros amadores, que podem custar a bagatela de R$ 15, nunca poderá ser utilizado para invalidar aquele atingido no aparelho soprado em uma blitz policial. Os etilômetros vendidos no comércio, geralmente, não estão dentro das regulamentações do Inmetro e Denatran. É por isso que apenas o modelo da polícia, que chega a custar R$ 12 mil, é aceito como prova criminal.

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