08/05/2013 10h25 - Atualizado em 08/05/2013 14h09

Designer brasileiro de games desafia a crise e faz sucesso na Espanha

Pedro Zambarda
por
Para o TechTudo

Como é ter a sua empresa de games fora no mercado nacional? Luiz Segundo, dono do Nostro Studio, uma startup de desenvolvimento de aplicativos e games sediada em Barcelona, na Espanha, realizou esse sonho. E o empresário conversou com o TechTudo para a coluna Geração Gamer e contou suas experiências de empreendedor no Velho Continente. 

Game do F3 na Itália desenvolvido pela Nostro Studio, empresa brasileira na Espanha (Foto: Divulgação)Game do F3 na Itália desenvolvido pela Nostro Studio, empresa brasileira na Espanha (Foto: Divulgação)

“Sempre tive vontade de morar fora e quando vi a oportunidade de abrir meu próprio negócio não pensei duas vezes: morar fora e ser um profissional autônomo ao mesmo tempo foi uma excelente decisão! A crise no final não afetou muito o negócio, pelo contrário, acabou impulsionando bastante”, afirma Luiz Segundo.

De acordo com o empresário, mesmo com a crise econômica na Europa, as agências investem em um aplicativo de "advergames" para iPhone e um para Android por exemplo, em vez de aplicar dinheiro em um site ou mesmo no Facebook. “Toda crise gera oportunidades e soubemos aproveitar bem essa onda. Mesmo assim, os orçamentos de empresas em São Paulo ainda são superiores aos da Europa”, explica o especialista.

Luiz Segundo, desenvolvedor de games brasileiro que decidiu empreender na Espanha (Foto: Divulgação)Luiz Segundo, desenvolvedor de games brasileiro que decidiu empreender na Espanha (Foto: Divulgação)

Luiz Segundo trabalhou em uma companhia paulistana chamada TAXI Labs, que faz jogos para smartphones e para propagandas na internet. Além de seu emprego lá, ele foi diretor de tecnologia em projetos de empresas de grande porte como Nestlé, Johnson’s, Unilever, Sadia, Skol, Camargo Corrêa e Suzano. Segundo é formado em publicidade na ESPM e possui uma especialização em arquitetura de informação como engenheiro de software.

A crise que afeta a Europa e como é o mercado de games lá

“A Nostro foi fundada em Barcelona em 2010, de uma oportunidade que enxergamos no mercado de desenvolvimento de aplicativos mobile, programas e games que funcionam em tablets e smartphones”, explica Luiz Segundo, lembrando que seu negócio que começou em um país em crise. O segredo foi chegar em clientes que renderam retorno rápido para o negócio. “Na época, eu morava na cidade e me juntei com o Fernando Paternostro, um brasileiro que também estava morando por lá. Juntos começamos a fazer trabalhos para clientes finais como a Fundação Joan Miró, Monegros Desert Festival e Camper, além de agências grandes de Barcelona, como a TiempoBBDO e a MccannErickson”, diz o especialista.

Um dos games que a Nostro Studio criou chama-se F3 Race Victor Guerin, um jogo de web que fazia parte de uma promoção com direito a uma viagem à Itália. É um advergame, um jogo eletrônico de publicidade, com o objetivo de divulgar a Fórmula 3 italiana, uma categoria esportiva de automobilismo, de corrida de carros.

Game do F3 na Itália desenvolvido pela Nostro Studio, empresa brasileira na Espanha (Foto: Divulgação)Game do F3 na Itália desenvolvido pela Nostro Studio, empresa brasileira na Espanha (Foto: Divulgação)

Mesmo com desemprego e crise econômica na Espanha, o negócio de games de Luiz Segundo deu certo. “Em 2012, abrimos um escritório em Dusseldorf, na Alemanha, para atender o exigente mercado de lá e ampliamos a estrutura de São Paulo para atender a crescente demanda no Brasil. O mercado de games no Brasil tem crescido muito nos últimos anos. O acesso aos smartphones e tablets fez com que pequenas e médias empresas pudessem desenvolver suas próprias idéias. Hoje em dia, com uma equipe pequena e boa é possível fazer games tão divertidos quanto os da Gameloft, por exemplo”, disse Segundo, sobre as oportunidades na área.

Como ele começou?

“O primeiro console que tivemos em casa foi um Atari. Jogos como Hero, Frostbite e Enduro faziam a alegria da família em uma TV.”, diz Luiz Segundo, sobre suas primeiras experiências como gamer. Hoje ele tem 32 anos e basicamente começou a trabalhar com videogames na época do boom de jogos para computador na internet.

Luiz Segundo começou a apreciar games com seu Atari, junto com a família. Decidiu criar games quando descobriu a tecnologia Flash, no PC (Foto: Reprodução)Luiz Segundo começou a apreciar games com seu Atari, junto com a família. Decidiu criar games quando descobriu a tecnologia Flash, no PC (Foto: Reprodução)

“Eu decidi me tornar um desenvolvedor de games quando conheci o Flash em 1999, que na época era da Macromedia e ainda estava na sua terceira versão. O Flash despertou em mim um senso de responsabilidade na criação”, afirmou o designer. Ele teve uma experiência longa com essa tecnologia antes de mergulhar em outras ferramentas que permitiam a criação de jogos e animações na internet. A partir daí foram 10 anos trabalhando a fundo com Flash e Actionscript que renderam alguns prêmios, passando desde websites, e-learning e muitos jogos”, diz Segundo, sobre sua carreira no começo.

Para o desenvolvedor, não é necessária uma formação específica para a área, mas sim ter diversas fontes de informação e ter uma função específica dentro dos projetos digitais da empresa da qual você faz parte. Luiz Segundo também acha importante apreciar os jogos que existem hoje na indústria. “Acho essencial saber um pouco de tudo, ter muita referência. Independente de ser um programador ou não, é muito importante saber o que já foi feito, viajar bastante, ter vários dispositivos diferentes, jogar tanto no tablet quanto no console e na internet”, diz o empreendedor.

Qual o papel dos produtores indies de jogos no cenário de hoje

Luiz Segundo não apenas optou por criar games e aplicativos para publicidade, mas também decidiu empreender dentro dessa área, gerando uma empresa espanhola que atende tanto na Europa quanto no Brasil, com uma filial na Alemanha. “Cada vez mais temos jovens já como empreendedores, com o espirito do ‘Do it yourself’ que volta com tudo, fazendo com que o número de pequenas produtoras dispare. Este é um processo normal que vem se acentuando, podemos ver isso nas milhares de startups de hoje em dia. São novas pessoas para novos formatos”, explica o especialista.

Em um mundo com games em propagandas, em sites e em aparelhos diferentes como TVs e tablets, o papel para as pequenas empresas de jogos aumenta. A história de Luiz Segundo é um bom exemplo de como desenvolver games é também uma oportunidade para montar um negócio hoje em dia.

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  • Lineker Moraes
    2013-05-09T14:48:57

    Fora é facil... Eu e minha equipe estamos penando pra fazer um jogo simplesmente pelo fato de estarmos no brasil.

  • Sandra Araujo
    2013-05-09T10:02:35

    Inspirador, muito interessante conhecer a história de pessoas, que conseguem empreender mesmo que o cenário se apresente caótico; em particular por saber que todo o investimento ao adquirir conhecimentos, pode apresentar retorno rápido. Parabéns pela coluna que está sempre acrescentando informações interessantes.