03/05/2013 17h32 - Atualizado em 03/05/2013 17h32

Entrevista com MegaDriver, banda brasileira de metal gamer

Pedro Zambarda
por
Para o TechTudo

Em mais uma matéria para nossa coluna Geração Gamer, entrevistamos os integrantes da banda de rock pesado MegaDriver, grupo que surgiu em Piracicaba, no interior de São Paulo. Os metaleiros falaram sobre a cena de músicos de games no Brasil, a origem da banda e os planos para o futuro.

Nino, o criador do MegaDriver, com o guitarrista Brunão, no primeiro show em São Paulo de 2013 (Foto: Divulgação)Nino, o criador do MegaDriver, com o guitarrista Brunão, no primeiro show de 2013 (Foto: Divulgação)

O MegaDriver existe há quase 10 anos. O grupo surgiu em 2003, da mente inquieta de Antonio Tornisiello, que hoje tem 35 anos. No começo, a ideia não era formar uma banda, mas apenas fazer música solo, como um artista autônomo. “Eu tinha feito um desenho de uma guitarra baseada no meu antigo Mega Drive de brincadeira, pra ilustrar mesmo. Não tinha pensado seriamente em fazer uma guitarra assim”, disse Antonio, conhecido pelos apelidos “Nino” ou “MegaDriver”.

O começo do projeto está ligado diretamente com a criação da guitarra de Nino, que era estudante de multimídia computacional. “Usei um instrumento podre e barato. Com a guitarra de um lado, peguei meu primeiro modelo de Mega Drive, tirei a placa de circuito e desmontei o aparelho. Com ele aberto, fui encaixando peças da guitarra até tudo funcionar. A guitarra pegou de cara, com o botão de ligar e desligar do próprio Mega Drive, assim como os botões de volume”, explicou o músico, sobre o processo de criação de seu “mascote da banda”. “Hoje em dia eu nem utilizo muito essa guitarra. Ela é usada apenas em algumas músicas, como um símbolo”, disse ele.

A guitarra construída com a carcaça de um console Mega Drive (Foto: Divulgação)A guitarra construída com a carcaça de um console Mega Drive (Foto: Divulgação)

Nino não é apenas músico, mas também entende de programação. Muitas de suas criações são extraídas de áudios retirados de jogos de videogame e alterados por ele. Para conseguir essas sonoridades ele crackeia os games.  “Eu cheguei a fazer o curso de eletrônica quando estava na sétima série, aos 12 anos de idade. Meus videogames eu mesmo destravo. Sou um nerd, nerd de verdade. Eu não tenho roupa tipo Bazinga, dessa galera que curte Big Bang Theory. Se você é nerd, você hackeia para conseguir o que precisa”, disse o primeiro MegaDriver.

Quando o MegaDriver virou uma banda

Depois de criar a banda, Nino criou uma página na internet para divulgar músicas que ele tocava baseada em trilhas-sonoras de games. “Eu botei a página no ar, com caricaturas de membros fakes, inventados, de uma banda de mentira chamada MegaDriver. De dezembro de 2003 até janeiro de 2004, eu estava na maioria veículos principais da imprensa na internet. A aceitação foi absurda e eu comecei a fazer workshops. Tocava as músicas com playback em eventos, sozinho”, disse.

Sonic, uma grande inspiração para o MegaDriver (Foto: Divulgação)Sonic, uma grande inspiração para o MegaDriver (Foto: Divulgação)

Em 2006, Nino decidiu deixar a banda fake e os workshops para transformar o projeto MegaDriver em um grupo de fato. Os integrantes que entraram era o curso superior de multimídia computacional, na Universidade Metodista de Piracicaba. “Eu recebi convite para entrar no MegaDriver pessoalmente do Nino. A gente tinha amigos em comum na faculdade, mas nunca tinha se cruzado, disse Jefferson Alexandre Firmino, 37 anos, o baterista da banda.

“O Nino jogou a ideia de ter uma banda completa. Ele chamou o Jeff, o Ricardo, o Daniel e todo mundo já conhecia os instrumentos e eram fãs na faculdade. Além de fazer música, a gente desenvolveu jogos, porque estávamos em uma universidade de nerds, com matérias como cálculo. Chegamos a fazer games com nós mesmos como personagens, enquanto o Nino compunha a trilha”, explicou Rubens Benjamin Stulzer Junior, 27 anos, conhecido como “Rubão”. O músico tem um baixo viking em homenagem ao jogo Golden Axe, da Sega.

Rubão utiliza um baixo baseado no game Golden Axe (Foto: Divulgação)Rubão utiliza um baixo baseado no game Golden Axe (Foto: Divulgação)

Bruno Galle, de 27 anos, e Allan Big Thunder, 35, completam a banda. “Entrei com uma proposta de inovar. Eles queriam incluir músicas com voz. Eu sempre quis compor e acabei entrando no MegaDriver, mas o compositor principal ainda é o Nino”, explica Allan.

A segunda guitarra

O baixo Golden Axe de Rubão e a guitarra de Mega Drive de Nino não são os únicos instrumentos customizados da banda. O criador do grupo montou uma segunda guitarra que se tornou um dos principais símbolos do MegaDriver.

A guitarra do Sonic se tornou marca registrada do MegaDriver (Foto: Divulgação)A guitarra do Sonic se tornou marca registrada do MegaDriver (Foto: Divulgação)

“A guitarra com a carcaça de Mega Drive era realmente muito ruim, foi apenas uma brincadeira feita em um domingo. Com os shows, tive uma oportunidade de refazer o instrumento, mas resolvi fazer diferente. Usei o braço de uma Jackson, com ponte Floyd Rose e vários componentes. Com meu conhecimento de eletrônica, nasceu a guitarra com corpo formado pelo rosto do Sonic, que é o instrumento que eu mais utilizo”, explicou Nino. De acordo com o músico, a guitarra gamer foi pensada para soar bem com as músicas de jogos, com um som metálico forte e bem eletrificado.

Há um cenário de música de games no Brasil?

“Existe, sim, uma cena de música de games no Brasil. Há bandas suficientes e em vários locais diferentes, como a Abreu Project, de Minas Gerais, e a Smash Bros., que faz um som parecido com o nosso. No Anime Friends eu já cheguei a ter duas mil pessoas gritando pela minha banda e alguns viram pra gente e dizem que não existe cena de música de games. Como assim, cara?”, questiona Nino. O músico chegou a participar da segunda edição do Game Music Brasil, um concurso para que artistas criassem uma trilha sonora para o jogo Toren, primeiro jogo brasileiro a receber incentivo da Lei Rounet neste ano.

Toren, um jogo totalmente brasileiro (Foto: Divulgação)Toren, um jogo totalmente brasileiro (Foto: Divulgação)

“Participaram 150 pessoas. Eu tive que ouvir todas as músicas e, junto com outros jurados, dar uma avaliação técnica do som dentro do jogo, se todos os elementos dela estavam coerentes com o game. Enquanto avaliava as músicas eu fiquei feliz com a diversidade de candidatos”, disse Nino. Para o guitarrista criador do MegaDriver, o que falta para as músicas de games terem sucesso no Brasil é respeito com o artista. “As bandas devem cobrar para tocar no Brasil. Se você não dá valor, ninguém vai dar valor a você”, completou.

O futuro do MegaDriver e dos games

Entre 2008 e 2012, o MegaDriver passou a dividir os palcos na Video Games Live, show de música internacional que vem ao Brasil, com o músico americano Tommy Tallarico, primo de Steven Tyler, vocalista do Aerosmith, e compositor de games. Tallarico chegou a tocar, inclusive, com Nino durante a Campus Party 2010, na área gratuita do maior evento de tecnologia de São Paulo.

O guitarrista Brunão e o cantor Allan Big Thunder (Foto: Divulgação) (Foto: O guitarrista Brunão e o cantor Allan Big Thunder (Foto: Divulgação))O guitarrista Brunão e o cantor Allan Big Thunder (Foto: Divulgação)

“A gente viajou boa parte do Brasil, em cidades como Vitória, Belo Horizonte, Canoas, Porto Alegre, Brasília, Florianópolis, São Paulo e Rio de Janeiro. O objetivo agora é tocar fora do Brasil. Tem E3 e a gente quer mostrar nossa música lá”, disse Allan Big Thunder, o novo cantor da banda. O intuito do projeto MegaDriver, além de fazer seu próprio som, é tornar música de videogame um estilo consistente dentro e fora do país.

“Tocamos para um público muito específico. Embora seja heavy metal, nós não nos apresentamos normalmente em eventos de rock pesado. A música tem que estar ligada com videogame e isso é mais comum em eventos de animes e em festivais próprios para a cena musical do gênero”, diz Nino. Com quase 10 anos nas costas, o Mega ainda pode trilhar o caminho de produtores indies, sem grandes nomes de apoio, e fazer sucesso nos Estados Unidos, país que já conta com bandas de games famosas, como The Megas e Powerglove.

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  • Fábio Roulien
    2013-05-05T08:04:28

    Parece o Bussunda...KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK