Jogos casuais

10/07/2013 07h00 - Atualizado em 10/07/2013 14h13

Conheça o Mairoj, jogo online brasileiro que une os mundos virtual e real

Pedro Zambarda
por
Para o TechTudo

Mairoj possui uma proposta pouco usual, a de fazer com que os jogadores interajam com o mundo real para poderem evoluir no jogo online. Sendo parte do pouco conhecido gênero de Alternative Reality Game (ARG), o game criado por Philipe Joriam Lopes de Ramos (24) coloca o usuário diante de uma entidade que quer devorar seu cérebro, suas memórias e experiências de vida. Joriam conversou com o TechTudo para a edição desta semana da coluna Geração Gamer. Confira:

Mairoj é um jogo essencialmente de diálogos e com arquivos do computador (Foto: Reprodução)Mairoj é um jogo essencialmente de diálogos e com arquivos do computador (Foto: Reprodução)

Um ARG com jeito de filme de zumbi

O jogo é essencialmente um diálogo com a entidade chamada Mairoj, que deseja devorar o seu cérebro e propõe puzzles para revelar seus segredos. “A ideia do jogo é simples: Evoluir na vida não-virtual, não no mundo do próprio jogo. Ele foi baseado no conceito de XP (experience points) usado em inúmeros jogos”, explica Joriam. O game logo de cara propõe desafios simples, como ir até uma praça e tirar fotos com seus amigos para subir essas informações em um banco de dados.

Mairoj fez uma pessoa comprar uma casquinha de sorvete, pedir pra um amigo enfiar ela na sua testa e depois tirar uma foto (Foto: Divulgação)Mairoj fez uma pessoa comprar uma casquinha de sorvete, pedir pra um amigo enfiar ela na sua testa e depois tirar uma foto (Foto: Divulgação)

“Conforme você for executando os desafios/tarefas in game, essa evolução proporciona novas ferramentas para interagir com o mundo do jogo. Em Mairoj é a mesma coisa, a experiência que você ganha é experiência de vida, fora do computador”, diz o designer. Como inspiração, Joriam se baseou no ARG da série LOST e teve oportunidade de participar do desenvolvimento do jogo alternativo do game Portal 2.

Os brasileiros e a criação do gênero ARG

“Fiz uma pesquisa, li um bocado sobre teoria dos jogos e descobri que o ARG era exatamente o que eu precisava. Sabia, desde o início, que ia ser menos frequentado que um jogo digital, mas valeria a pena se mais pessoas se engajassem”, disse Philipe Joriam sobre a decisão de transformar Mairoj em um Alternative Reality Game. O jogo dele não seria o mais famoso de todos, mas forçaria as pessoas, por curiosidade, a sair de casa para avançar no game.

Joriam contou também que o Brasil participou da criação do gênero. “O Brasil é, acredite se quiser, um dos pioneiros nesse tipo de jogo no mundo. O primeiro do tipo no país, chamado de Se7e Zoom e parte de uma campanha publicitária da Close Up, foi lançado poucos meses depois do primeiro ARG da história: The Beast, nos Estados Unidos”, diz o criador.

Um game em fotos e uma formação não-convencional

“Acho que os games que se misturam com o universo não-jogável, como o Mairoj, vão ter um papel cada vez mais importante. Isso é tão verdade que o Wii fez uma revolução com uma mensagem ‘levante da cadeira’ para jogar. Imagine o que um ‘vá pra rua’ pode fazer”, questiona Joriam. Desenvolvedores que querem criar um ARG normalmente pensam em maneiras poucos convencionais de se apreciar um game.

Mairoj quer devorar seu cérebro. Para isso, ele quer imagens e respostas suas. O jogo é, essencialmente, de perguntas e respostas (Foto: Reprodução)Mairoj quer devorar seu cérebro. Para isso, ele quer imagens e respostas suas. O jogo é, essencialmente, de perguntas e respostas (Foto: Reprodução)

“Mairoj tem como objetivo melhorar a vida das pessoas e gerar engajamento do online para o real. Os comentários que recebi dos meus amigos e as fotos que recebi de desconhecidos não têm preço nessa experiência. São muito mais fortes do que qualquer item especial de mundos virtuais”, compara o desenvolvedor. Philipe Joriam acredita que games simples que forcem as pessoas a tirar fotos na rua valem como uma experiência autêntica de jogo.

O game Mairoj fez uma pessoa reunir amigos para cozinhar algo que nenhum deles já tinha feito (Foto: Divulgação)O game Mairoj fez uma pessoa reunir amigos para cozinhar algo que nenhum deles já tinha feito (Foto: Divulgação)

O nascimento de Mairoj

“Foram quatro dias de trabalho escravo. Não tiramos muitas fotos durante o Mairoj. Na real, a única que eu me lembro era de uma pilha infinita de cervejas”, comentou o desenvolvedor. Além do game fugir dos modelos convencionais, a própria formação de Philipe não é comum no meio dos jogos. Ele não é um programador formado em computação ou nos cursos de design de games que estão surgindo no Brasil.

“Sou produtor de teatro, recém formado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro em Comunicação Social. Meus games favoritos são Go, Portal e Dota 2. Abandonei os consoles dedicados faz muito tempo, prefiro meu bom e velho PC”, disse Joriam. Da produção teatral, o idealizador de Mairoj decidiu criar um jogo online que se une a uma experiência real e cotidiana, como a prática de subir imagens e textos na Internet.

Fórum TechTudo: Veja dicas de jogos leves para rodar no seu computador.

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  • Mariana Lima
    2013-07-10T15:45:04  

    Mas o jogo consegue reconhecer se a pessoa cumpriu ou não a tarefa designada ? Exemplo, o app reconheceu que era realmente aquele garoto que devia levar uma sorvetada na testa ? E que aquilo foi realmente uma sorvetada na testa ???

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    • Mariana Lima
      2013-07-10T15:45:04  

      Também estava me perguntando o mesmo!