04/12/2013 10h30 - Atualizado em 04/12/2013 14h38

Super BR Jam: maratona de 48h cria games e ajuda instituições de caridade

Pedro Zambarda
por
Para o TechTudo

O evento Super BR Jam, maratona de criação de games com duração de 48 horas, foi protagonizada por 30 empresas, resultando em um pacote totalmente novo de jogos 100% brasileiros. A coluna Geração Gamer conversou com o desenvolvedor da Skywatch, Abraão Caldas de Santana (22), responsável pelo jogo MOSHR. Batemos um papo também com Marcos Venturelli (27), que atualmente comanda a Rogue Snail, nova companhia criada por ex-integrantes do Critical Studio.

Super BR Jam reuniu a maior parte do mercado nacional de games, com 30 empresas (Foto: Divulgação)Super BR Jam reuniu a maior parte do mercado nacional de games, com 30 empresas (Foto: Divulgação)


O evento foi a despedida oficial da Critical Studio, responsável pelo game DungeonLand, sucesso na Steam. A Super BR Jam contou com apoio da publicadora de jogos sueca Paradox Interactive (Europa Universalis IV) e da Unity Technologies. Os games estão sendo distribuídos pela plataforma Nuuvem.

MOSHR: Shoot’em up com soldados afetados pela guerra

O time da Skywatch: Felipe Freichos Godoy, Luan Moura do Nascimento, Abraão Caldas de Santana e Mateus de Carvalho Azis (Foto: Arquivo Pessoal)O time da Skywatch: Felipe Freichos Godoy, Luan Moura do Nascimento, Abraão Caldas de Santana e Mateus de Carvalho Azis (Foto: Arquivo Pessoal)

 Abraão conta que, na Super Jam, conseguiram criar em 48h uma mecânica que não existia antes: uma Junção de shoot’em up (jogo de tiro como Space Invaders) com ritmo e RTS. Ele também explicou que o gráfico de MOSHR foi trabalhado de maneira diferente: “Ao invés usar modelos 3D, os objetos possuem uma série de camadas de sprites em pixel art. Ou seja, o jogo tem visual retrô de games na época do Super NES e é totalmente em 3D”.

Abraão nos revelou outro detalhe de MOSHR, que só chegou oficialmente na mão dos gamers nesta semana: “Tentei incluir humanidade no design da narrativa, incluindo uma crítica e um mal que afeta os soldados na guerra. Esse detalhe eu quero que fique no ar pra alguém tentar notar. Esse fator atrela à narrativa a incerteza que traz o game design em geral.O jogo também possui ritmo, com todos os objetos afetados pelos sons, inclusive os menus”.

Jogos criados na Super BR Jam foram disponibilizados neste dia 3 de dezembro (Foto: Divulgação)Jogos criados na Super BR Jam foram disponibilizados neste dia 3 de dezembro (Foto: Divulgação)

As Jams são promovidas para que desenvolvedores criem games sob uma pressão semelhante a de uma competição, em busca de projetos inovadores e concretos. “MOSHR foi criado em 48 horas sim, mas a versão que vai pro público deve ir junto com algumas poucas correções que foram feitas depois do tempo limite”, completa o criador de jogos.

Por que fazer jogos para caridade?

A Super BR Jam vende o pacote de games por cerca de R$ 10, num esquema de crowdfunding, com verbas 100% revertidas à ONG Solar Meninos de Luz, uma entidade que promove educação formal e complementar para 400 alunos, do Berçário ao Ensino Médio, com regime de tempo integral. “Creio que fizemos algo de positivo para a sociedade sem sair do que fazemos melhor, que são os joguinhos de computador”, explica Marcos Venturelli, um dos organizadores.

Venturelli também se disse feliz com o jogo MOSHR: “Fiquei bastante impressionado com a coesão do MOSHR, porque já estive bastante nas ‘trincheiras’ de uma Jam e sei como é difícil você manter a coisa toda fazendo sentido quando não há tempo hábil para se discutir o que está sendo feito. Eu sabia que a nossa cena de games tinha amadurecido muito, mas a quantidade de jogos realmente bons superou todas as minhas expectativas. Até mesmo o pessoal que já é estabelecido, como a Behold e a Swordtales, saíram da zona de conforto e entregaram dois jogos absolutamente diferentes do que normalmente fazem, como o Alien Kingdom e o Kureizy Japanese TV Show, respectivamente”.

Abraão conta que a Super BR Jam trouxe a ele contatos mais próximos com vários desenvolvedores que só conhecia pelo nome. "Acho que a cena brasileira de produção de jogos ainda é relativamente imatura, mas no caminho certo pra alcançar todo o reconhecimento internacional, que já tá sendo esperado, em breve”, afirma o desenvolvedor.

Para Venturelli a Jam entra no âmbito da a criação de negócios sustentáveis. "Se você constrói modelos onde você consegue gerar valor para capitalistas e para a sociedade na mesma medida, você usa a força do mercado para gerar algo de legal para as pessoas, ao invés de remar contra a maré. O evento pra mim serve para isso, é uma conexão pouco ortodoxa entre consumismo, publicidade e educação, com absolutamente todo mundo ganhando. Não queremos parar por aí. Eu só vou me dar por satisfeito quando alguma edição da Super BR Jam arrecadar um milhão de reais" conta Venturelli.

Participaram do evento as empresas: Critical, Arrowhead, Behold Studios, Miniboss, Bossa, Swordtales, Kaipora Digital, Aquiris, DeVoid, Pixel Cows, Pocket Trap, Pigasus, Bitcake, Loud Noises, Aduge, Tsubasa, Chevy Ray, JoyMasher, Hoplon, Otus, TawStudio, Flowkore, Double Dash, Aiyra, Lumentech, Vitreo Lab, ZeroDuo, Broken Finger, Kimeric Labs e Nano Studio.

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  • Marcos Venturelli
    2013-12-04T18:59:52

    A lista completa de empresas que contribuiram com o evento, em ordem alfabética! Aduge Aiyra Arrowhead Behold Studios BitCake Broken Finger Critical Daniel Silveira deVoid DoubleDash Flowkore Hoplon Joymasher Loud Noises Kimeric Labs Lourival Maia Miniboss Otus Paradox North Pigasus Pixel Cows Pocket Trap Skywatch Swordtales Tiles

  • Johnny Silva
    2013-12-04T17:05:16

    é mesmo, onde está a Tiles?

  • Vanessa Barros
    2013-12-04T16:48:36

    E a Tiles? Ela participou da Jam com o Rainy Games, que por acaso esta na imagem de divulgação.