02/01/2014 14h59 - Atualizado em 02/01/2014 14h59

Conheça o Z Wirelezz Game, o jogo nacional de realidade aumentada

Pedro Zambarda
por
Para o TechTudo

Quatro alunos do curso de Ciências de Computação na Universidade de São Paulo de São Carlos (ICMC/USP) fizeram juntos o jogo Z Wirelezz Game. A criação é inspirada no game Ingress, criado pela startup Niantic Labs, do Google. O jogo está passando por ajustes e deve ser lançado gratuitamente em 2014. A coluna Geração Gamer conversou com Bruno Orlandi (20), Gustavo Blanco (21), Marcus Silva (21) e Nihey Takizawa (19), os quatro desenvolvedores do game, para saber detalhes sobre a criação do jogo.

Z Wirelezz Game é um jogo de conquista de territórios, usando celular e GPS (Foto: Divulgação)Z Wirelezz Game é um jogo de conquista de territórios, usando celular e GPS (Foto: Divulgação)

Um GPS, Android e uma ideia na cabeça

“Estamos no terceiro ano, de um total de cinco, do curso de bacharelado em Ciências da Computação. O aplicativo foi desenvolvido como Trabalho Final da disciplina de Redes de Alto Desempenho. A proposta era desenvolver algo que utilizasse conceitos de redes de computadores vistos em aula e tivemos a ideia então de um jogo de realidade aumentada que envolvesse comunicação sem fio e geolocalização”, resumiu Gustavo Blanco, que começou nos games aos 7 anos, com The Pagemaster, um jogo de aventura em livros clássicos como O Médico e o Monstro e A ilha do Tesouro. Por essa conversa entre mídias diferentes, Blanco acredita que videogames são de fato “a forma máxima de arte”, como foi mencionado no documentário Indie Game: The Movie.

Bruno Orlandi, Gustavo Blanco, Marcus Silva e Nihey Takizawa, do Z Wirelezz Game (Foto: ICMC/USP)Bruno Orlandi, Gustavo Blanco, Marcus Silva e Nihey
Takizawa, do Z Wirelezz Game (Foto: ICMC/USP)

“A escolha da plataforma Android foi influenciada principalmente pelo fato de alguns de nós já possuírem familiaridade no desenvolvimento para este sistema e, principalmente, por ser a plataforma mais acessível no Brasil hoje”, disse Bruno Orlandi, que programa desde os 14 anos. O desenvolvedor também afirmou que a compatibilidade do sistema operacional com vários modelos de aparelhos móveis foi crucial para a escolha: “Como Z Wirelezz Game é um jogo que pode ser jogado entre amigos e familiares, nós gostaríamos que as pessoas pudessem baixar o aplicativo rapidamente e sair jogando, independentemente do modelo de tablet ou smartphone que  cada um possui”.

O jogo foi inspirado no Ingress do Google para ser desenvolvido. "A nossa ideia inicial para desenvolver o aplicativo era a de que o jogador precisasse apenas de um aparelho com Android e GPS e que existisse uma interação entre o espaço físico e o virtual, seguindo a ideia de Realidade Aumentada”, explica Nihey Takizawa, o mais novo do time, que foi iniciado nos games com o clássico Warcraft II, da Blizzard.

O jogo brasileiro utiliza o conceito de Realidade Aumentada e é inspirado em Ingress, do Google (Foto: Divulgação)O jogo brasileiro utiliza o conceito de Realidade Aumentada e é inspirado em Ingress, do Google (Foto: Divulgação)

Z Wirelezz Game divide os jogadores em times e envolve a conquista de territórios físicos reais, rastreados pelo app aberto Google Maps. Gustavo Blanco explica o funcionamento: “As equipes podem atacar e apossar-se das áreas já conquistadas por outras equipes, o que exige um trabalho coordenado de cada time. Para capturar uma área é necessário que o jogador verifique no aplicativo em qual posição geográfica a mesma está localizada e então se deslocar fisicamente até esse local, habilitando assim a opção de captura. Para concluir a conquista é necessário resolver corretamente um puzzle, que até o momento consiste em um CAPTCHA”.

Z Wirelezz Game faz conquista de territórios pelo recurso CAPTCHA (Foto: Divulgação)Z Wirelezz Game faz conquista de territórios pelo
recurso CAPTCHA (Foto: Divulgação)

O jogo ainda se encontra em fase beta e foi apresentado apenas na USP de São Carlos. Blanco explica detalhes: “Existem outras mecânicas que tornam o jogo mais dinâmico, como a limitação de ações que cada jogador pode executar antes de ser obrigado a voltar para uma área aliada e ‘recarregar’ sua energia. Há também a possibilidade de aumentar a defesa de uma área já conquistada, dificultando o ataque com êxito por equipes adversárias. Apesar de parecer complexo, na prática o jogo é extremamente fácil e intuitivo”.

“O projeto foi concluído em aproximadamente dois meses e contou com o nosso time de quatro pessoas”, completou Marcus Silva, que começou nos games aos seis anos, com Diddy Kong Racing, da Rare, no Nintendo 64. Nintendista desde novo, Marcus acredita no aspecto lúdico dos jogos, ou seja, nos videogames como diversão e entretenimento.

Qual é a situação do mercado brasileiro de games?

“O último lançamento nacional que realmente conseguimos jogar foi o DungeonLand. Acreditamos que ele mostra como a indústria nacional passa realmente a desenvolver um trabalho profissional na criação de jogos digitais e elevar seu padrão de qualidade para competir com os jogos internacionais”, disse Bruno Orlandi, lembrando da Critical Studio, extinta em 2013 após conseguir criar esse game pelo valor de um milhão de reais.

“Infelizmente no Brasil ainda é muito difícil para as desenvolvedoras se sustentarem, embora já exista um mercado para jogos mobile mais consolidado. Esperamos que games como Mr. Bree, Toren, entre outros, continuem a elevar os padrões de qualidade no mercado nacional”, complementou Nihey Takizawa.

Os estudantes da USP de São Carlos se inspiraram em exemplos que deram certo para investir em um app móvel. “O desenvolvimento de jogos para celulares possui a vantagem que o público em potencial é extremamente maior do que plataformas como PC e videogames em geral. Existem limitações quanto a quantidade de botões e processamento de cada aparelho, mas se o jogo desenvolvido for simples e divertido, essa é a plataforma ideal. Angry Birds é um jogo que nos provou isso. Como nosso game não possui muito apelo visual e sim mais técnico, as plataformas mobiles são ideais”, completou Gustavo Blanco.

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  • Cesar Duraes
    2014-01-03T12:43:33

    Que bizarro... Pena que o Ingress é melhor e já tem no Brasil.