19/02/2014 12h07 - Atualizado em 21/02/2014 16h19

Dead Punch Hospital: o game brasileiro que mistura Rocky Balboa com zumbis

Pedro Zambarda
por
Para o TechTudo

Você jogaria um game tipo beat’em up indo pra briga contra zumbis, controlando um boxeador num hospital parecido com o da primeira temporada de The Walking Dead? Esta é a ideia do jogo Dead Punch Hospital, que será lançado para iOS, Android e Windows no dia 27 de fevereiro, quinta-feira, pelo empreendedor Fábio Herberty (37). A coluna Geração Gamer conversou com o criador do game e conferiu detalhes, entre artes conceituais e o jogo em si.

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Dead Punch Hospital te coloca no papel de Jack Punch, contra os zumbis (Foto: Divulgação)Dead Punch Hospital te coloca no papel de Jack Punch, contra os zumbis (Foto: Divulgação)

Projeto era um sonho

Fábio joga videogames desde os sete anos de idade. “Comecei com um TeleJogo que foi dado de presente pelo meu pai. Meus personagens favoritos são o Super Mario, o Link de Zelda, o Solid Snake de Metal Gear Solid: The Twin Snakes, a Samus Aran de Metroid Other M, o Little Mac da franquia Punch-Out!, o Leon Scott Kennedy  de Resident Evil 4, o Nathan Drake de Uncharted e o Joel de The Last Of Us. Gostei muito de ter jogado Nintendinho, Nintendo 64, Wii, Playstation 2 e Playstation 3″, explica o empreendedor.

Atualmente, Fábio Herberty é analista de sistemas e gerente de projetos de TI. Não tem como emprego principal o desenvolvimento de games, embora tenha se endividado e gastado suas economias em um jogo próprio. “Fiz o que fiz por pura paixão pelos games. É um sonho de infância que se torna realidade. O desejo de poder trabalhar com algo que se ama não tem preço realmente”, completa.

Dead Punch é um sonho de infância de Fábio Herberty nos games (Foto: Divulgação)Dead Punch é um sonho de infância de Fábio Herberty nos games (Foto: Divulgação)

Dead Punch demorou três anos

“O início oficial do projeto foi no dia 31 de março de 2011, incluindo conceituação, prototipação, desenvolvimento, produção e pós-produção. A produção de Dead Punch Hospital acabou ocorrendo em duas etapas: antes e depois que a SIOUX abraçou a ideia”, explicou Fábio. O jogo, portanto, não andou apenas por iniciativa do analista de sistemas. Ele precisou do apoio de um estúdio de desenvolvimento para aperfeiçoar sua própria ideia, o que ressalta a importância de um fortalecimento da indústria de games no Brasil.

Fábio Herberty então nos explicou seus primeiros passos no desenvolvimento: “Na primeira etapa que durou praticamente dois anos, eu trabalhei com um artista chamado Rodrigo Pascoal para as artes conceituais e as principais animações do protagonista Jack Punch, que bate nos zumbis. Depois, para a criação de todos os demais recursos do game, contratei o Animar Estúdio de Campinas. Para a trilha e efeitos sonoros, contratei um músico freelance chamado Anselmo e, para a programação com a engine Corona SDK com linguagem brasileira LUA da primeira versão do game, um amigo chamado Danillo me ajudou”.

Mesmo com vários apoios diferentes, a ideia precisou de mais mão de obra. “Após dois anos de projeto, observamos que como estávamos com muita coisa para desenvolver e pouco tempo disponível, já que tínhamos que dividir tempo entre trabalho, família e projeto. Pensamos em buscar algum investidor que pudesse injetar recursos financeiros no projeto. Afinal de contas, até então eu havia financiado o projeto do meu próprio bolso e também com apoio de familiares”, diz ele.

Artes conceituais de Jack Punch e de um zumbi no jogo (Foto: Divulgação)Artes conceituais de Jack Punch e de um zumbi no jogo (Foto: Divulgação)

Fábio então recorreu aos cursos da área para fortalecer sua ideia: “Surgiu a oportunidade de participar de um curso de Game Marketing na ESPM. Eu tive a intenção de adquirir os conhecimentos necessários para promover o game e também de ampliar minha rede de contatos lá. Ao fim do curso, tive a oportunidade de apresentar o projeto ao Guilherme Camargo que se sensibilizou com toda minha trajetória e me apresentou aos seus sócios Phillipe e Eduardo na desenvolvedora SIOUX, onde foi fechada a parceria. Eles resolveram desenvolver a programação que fizemos com outra engine chamada Unity. O trabalho realizado pela SIOUX agregou valor ao game”.

Quais foram as inspirações?

Jack Punch durante o game e quando o personagem morre (Foto: Divulgação)Jack Punch durante o game e quando o personagem morre (Foto: Divulgação)

“Eu queria desenvolver um game beat’em up com um protagonista diferente de lutadores de rua. A princípio Jack seria um executivo, mas depois surgiu a idéia de um boxeador profissional. O tema zumbis surgiu porque a ideia é salvar a pele do próprio protagonista, fugindo um pouco do clichê ‘salve sua namorada’ ou ‘acabe com aquela gangue de vilões’. Jack está preso no hospital em que ficou internado após ser nocauteado pelo seu adversário e quando acorda, se depara com um apocalipse zumbi”, explica Fábio. O jogo dele vai na onda de muitos que utilizam mortos-vivos como trama principal.

“O tema dos zumbis ainda está na moda, porque séries de TV como The Walking Dead e jogos com este tema ainda tem relativo sucesso. Mas tive outras inspirações. A escolha pelo estilo beat’em up veio da minha paixão pelo arcade Teenage Mutant Ninja Turtles da Konami. A ideia de zumbis no jogo veio da série de games Resident Evil da Capcom. O herói boxeador foi uma forma de eu lembrar de um jogo que marcou a minha infância, que foi Punch Out da Nintendo. Dead Punch Hospital também foi inspirado em filmes que me marcaram, como o Rocky Balboa e Extermínio (28 Days Later)”, detalha Fábio. O jogo, de fato, lembra os primeiros episódios do seriado da AMC The Walking Dead, com o cowboy Rick Grimes tentando se livrar dos mortos-vivos em um hospital. Jack Punch ganha força, diante dos zumbis, quando consegue pegar suas luvas de boxe.

Dead Punch foi desenvolvido tanto para funcionar em celulares com sistema iOS, o iPhone, quanto para computadores, criado com engine Unity (Foto: Divulgação)Dead Punch foi desenvolvido tanto para funcionar em celulares com sistema iOS, o iPhone, quanto para computadores, criado com engine Unity (Foto: Divulgação)

Visão do mercado nacional de jogos digitais

Fábio Herberty tem um plano para os próximos anos: “Ainda me considero um iniciante no mercado de jogos, mas pelo que pude observar neste três anos de projeto é que possuímos em nosso país profissionais altamente qualificados e que existem outros projetos brasileiros muito interessantes. Futuramente, desejo ingressar completamente neste mercado exercendo a função de desenvolvedor de games ou de produtor em uma empresa ou em meu próprio escritório”.

O desenvolvedor simboliza que nosso mercado ainda está iniciante, mas está com algumas ideias originais de jogos. Dead Punch busca ser único, mesmo bebendo de várias fontes e de games diferentes para tratar um tema de uma forma diferente.

Arte conceitual de Dead Punch Hospital acima, e o jogo na prática, abaixo (Foto: Divulgação)Arte conceitual de Dead Punch Hospital acima, e o jogo na prática, abaixo (Foto: Divulgação)

Fábio também tem uma visão otimista vendo outros exemplos dentro do Brasil. “Fico muito feliz quando vejo um jogo brasileiro ganhando alguma repercussão positiva, pois isso ajuda a fomentar nosso mercado de uma forma geral e a incentivar outros desenvolvedores na criação de novos projetos independentes. Observei também que nosso mercado tem amadurecido nos últimos anos, porque temos a maior feira de games da América Latina, a BGS, uma associação que representa e regulamenta a indústria e comércio dos jogos eletrônicos, a Acigames, o Simpósio Brasileiro de Games e Entretenimento Digital, a SBGames, que consegue reunir profissionais do setor, assim como a Associação Brasileira dos Desenvolvedores de Jogos Digitais, a ABRAGAMES”, finaliza.


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