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18/09/2014 14h35 - Atualizado em 18/09/2014 14h36

Facebook reconhece falhas ao apagar perfil de drag queens; entenda o caso

Aline Jesus
por
Para o TechTudo

A polêmica sobre o Facebook remover usuários que não inserem os seus nomes reais no cadastro da rede social ganhou mais um capítulo. As últimas vítimas foram as drag queens, que tiveram perfis bloqueados por utilizar seus nomes artísticos, o que é contra as políticas de uso da rede. Porém, após muita repercussão negativa, o Facebook decidiu abrir as portas para debater o tema e fez um encontro com representantes em busca de uma solução para o caso. O desfecho, no entanto, não agradou.

Parada Gay em San Francisco contou com a participação de funcionários do Facebook (Foto: Reprodução/Facebook)Parada Gay em San Francisco contou com a participação de funcionários do Facebook (Foto: Reprodução/Facebook)

Sister Roma, uma das líderes do movimento contra as proibições, cujo nome de batismo é Michael Williams, afirmou que foi a uma reunião com diretores da rede para tratar deste assunto. As drags pedem que o Facebook não as obrigue a se cadastrar com os nomes reais (masculinos). Atualmente, os nomes artísticos (femininos) e alternativos só são mostrados entre parênteses, ao lado dos nomes de batismo presentes em documentos. Ela e um grupo de ativistas conversou com funcionários da rede social, e muitos mostraram concordar com suas ideias. Porém, nada de concreto foi apresentado.

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“As conversas com os funcionários LGBT do Facebook me deixaram mais esperançosa. Eles falaram que o problema foi tratado internamente e que houve debates calorosos com defensores dos dois lados. Definitivamente, posso dizer que temos também aliados trabalhando lá dentro”, disse.

Segundo Sister Roma, o Facebook admitiu que falhou ao apagar os perfis, mas justificou que isso aconteceu porque muitas páginas foram denunciadas por outros usuários. Após a reunião, a empresa deu uma solução para o caso: vai restaurar os perfis e permitirá que, em duas semanas, os usuários confirmem suas identidades reais, adicionem nomes alternativos ou migrem para uma páginas de fãs ou pessoa público, onde seria permitido usar um nome artístico. Mas, a decisão não é definitiva e não agradou.

“Basicamente, eles nos ofereceram dar os perfis de volta para que duas semanas depois eles possam suspendê-los, obrigar-nos a cumprir sua política injusta e discriminatória, e caso não o façamos, eles os suspendem novamente. Isso é completamente inaceitável”, reclamou Sister Roma, que promete que a história ainda “não acabou”, em um longo post na sua página com cerca de 10 mil fãs.

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Esta não é a primeira vez que a política de nomes do Facebook causa polêmica na rede. Neste ano, brasileiros com “nomes estranhos” das famílias Piroca e Fuck também tiveram problemas com o site, perdendo seus perfis. A usuária Melinda Kiss, cujo sobrenome significa “beijo” em inglês, foi outra que passou por um episódio “curioso” envolvendo este aspecto. Nesses casos, quando denunciado, o usuário precisa enviar documentos que comprovem seu nome para que possa ter de volta seu perfil.

Campus do Facebook, em San Francisco, com bandeira pela causa gay (Foto: Reprodução/Facebook)Campus do Facebook, em San Francisco, com bandeira pela causa gay (Foto: Reprodução/Facebook)

Neste ano, porém, o Facebook mostrou algumas de suas mudanças em favor da causa gay. em fevereiro, adicionou novas opções no campo de gênero nos perfis da rede social. Antes restrito a "masculino" e "feminino", o formulário passou a oferecer para os usuários a escolha "personalizada". A função permite selecionar um dos gêneros disponíveis em uma lista com dezenas opções, de transexual a andrógino. Confira todas as opções e saiba como alterar o seu perfil no Facebook.

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