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28/03/2015 09h30 - Atualizado em 28/03/2015 09h30

IPv6: entenda o que é e como estamos avançando nessa área

Paulo Figueiredo
por
Para o TechTudo

A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) anunciou em março deste ano uma força-tarefa para fixar, no Brasil, uma estrutura que suporte o mais novo protocolo de internet existente no mundo: o IPv6. Para isso, a agência reguladora definiu metas e prazos junto às prestadoras de serviços de telecomunicação e redes de Internet para que a padronização ocorra em todo o território nacional.

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IPV6 (Foto: Pond5)Entenda o que é, como funciona e quais são as vantagens do IPv6 (Foto: Pond5)


Mas, para quem não está familiarizado com termos técnicos que regem este universo, o Internet Protocol pode parecer um bicho de sete cabeças. E com razão. Para entender melhor o que é o IPv6, diferenciando-o da antiga versão do código, IPv4, a leitura deste artigo pode ser esclarecedora.

IP (Internet Protocol): a crise e a solução

Internet Protocol é o número de identificação que todo gadget precisa ter para possuir acesso à internet. É através dele que autoridades policiais, em investigações de cybercrime, chegam ao computador do usuário que pratica atos ilícitos na internet.

O primeiro padrão para este número foi convencionado no IPv4, um conjunto de endereços que se encontra esgotado atualmente, apesar das mais de 4 bilhões de combinações possíveis. Para evitar o colapso, hoje usamos uma ferramenta de transição chamada CG-NAT44, que permite que vários usuários compartilhem um mesmo IP público ao mesmo tempo.

Para reverter esta já prevista exaustão, uma comunidade internacional voltada à evolução da arquitetura da internet criou o IPv6 em 1998. O novo padrão passou a ser alternativa vigente para a criação de novos conteúdos na Internet, assim como serviços, aplicações, servidores de hospedagem, portais, websites e provedores de e-mail que estavam se lançando à web.

Para ser exato, o total de endereços IPv4 suporta só 0,0000000000000000000000000012632257% da capacidade oferecida pelo atual IPv6, fazendo com que o novo padrão tenha expectativas de “segurar” a Internet por muito mais tempo que seu antecessor. 

Isto é particularmente importante no contexto da evolução tecnológica na qual estamos vivendo, onde cada vez mais dispositivos com poder de conexão a Internet entram em nossas casas. Já há algum tempo, todos nós partilhamos mais de um IP por vez, com o uso simultâneo de tablets, smartphones, notebooks e computadores de mesa.

Em que estágio estamos

Continuar a utilizar o IPv4 não é recomendável, já que o compartilhamento de endereços IPs se constitui como solução paliativa, podendo gerar problemas cada vez maiores daqui para frente. Mas não adianta querer: as prestadores de serviços de telecomunicações que levam a internet para nossas casas e empresas precisam estar preparadas para a aplicação dessa mudança.

Ciente disso, a Anatel, o NIC.br e tais prestadoras definiram prazos para a disponibilização da nova versão do Internet Protocol na rede brasileira a partir de fevereiro do ano passado. Até dezembro de 2014, todos os novos usuários corporativos dos principais pontos de tráfego da internet nas grandes cidades já contavam com o novo endereçamento.

Já a partir de 1º de julho 2015, todos os novos usuários domésticos, além aqueles antigos que solicitarem, deverão ter sua rede em IPv6 obrigatoriamente oferecida pela prestadora de serviços de telecomunicação. Neste período de mudança, qualquer usuário de rede onde ainda não haja oferta de IPv6 poderá solicitar a alocação de seu IP, de forma dinâmica ou fixa, a um endereço IPv4 público não compartilhado.

Enquanto esta transição é efetuada, os endereços em IPv4 continuarão a coexistir com os novos em IPv6. Os maiores portais da internet, inclusive, operam nestes dois endereçamentos. Esta mudança, porém, nunca poderia ser concluída se novos modens, roteadores, celulares, tablets e outros gadgets não se atualizassem com suporte ao IPv6. Pensando nisso, o selo de certificação de produtos da Anatel, obrigatório para a entrada de novos equipamentos no Brasil, terá como pré-requisito a utilização da nova linguagem padrão a partir de 2016.

Vantagens do IPv6

Com uma capacidade de cerca de 340 undecilhões de endereços, ou quase 48 x 1018 endereços por habitante do planeta Terra, o IPv6 é uma solução que permite melhorias na evolução da rede. Já que há uma quantidade quase ilimitada de endereços disponíveis, todos os equipamentos de casa poderão acessar diretamente a Internet em um futuro próximo, sem precisar se conectarem a outros dispositivos ou dependerem de configurações adicionais.

Além disso, o novo código oferece maior margem para proteção de privacidade do usuário, como criptografia de dados, autenticação de mensagens para evitar que elas desviem de seu destino final e proteção contra ataques de crackers.

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Devido ao convívio temporário entre as duas versões de protocolo, é possível que alguns equipamentos necessitem de ajustes ao longo do processo, e isso será percebido pelo mal funcionamento de modens e dispositivos digitais com suporte técnico oferecido pelas operadoras de serviço da internet. Caso o equipamento do usuário não suporte o novo protocolo, poderá ser preciso que este peça uma atualização para as operadoras.

No entanto, não será preciso correr para as lojas e garantir novos equipamentos que suportem o novo formato, salienta o superintendente de Planejamento e Regulamentação da Anatel, José Bicalho. A coexistência entre o novo e o antigo modelo será mantida por um longo período, até que naturalmente a grande maioria das pessoas tenham tido condição de trocar seus gadgets.

"Isto acontece de acordo com a demanda por novas tecnologias, e a Anatel não pretende causar um mal-estar antes do momento apropriado para desligar a rede em IPv4", assegura Bicalho.

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