09/07/2015 11h15 - Atualizado em 09/07/2015 11h38

No Brasil, 150 empresas já aceitam Bitcoin; moeda 'pode mudar o mundo'

Giordano Tronco
por
do FISL 16

Bitcoin é uma moeda virtual, criada em código livre, para uso em operações financeiras. Em outras palavras, é um "dinheiro de mentirinha". Entretanto, para Wladimir Crippa, palestrante do 16º Fórum Internacional Software Livre (FISL) e administrador da comunidade Brasil Bitcoin, o uso da nova moeda, que já é aceita por 150 empresas de todos os tipos no Brasil, pode mudar o mundo de verdade. 

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“Hoje, um Bitcoin vale entre R$ 750 e R$ 800. Ele oscila um pouco, mas é por aí, parece que está se estabilizando por esse valor”, explica Crippa, para espanto de qualquer possível cético do dinheiro virtual presente no auditório. Na quarta-feira (8), o especialista explicou que sim, existem pessoas dispostas a pagar essa quantia de dinheiro por um Bitcoin. Dinheiro de verdade. Mas, por quê? 

Wladimir Crippa em palestra no FISL: 'Bitcoin pode mudar o mundo de verdade', diz (Foto: Giordano Tronco / TechTudo)Wladimir Crippa em palestra no FISL: 'Bitcoin pode mudar o mundo de verdade', diz (Foto: Giordano Tronco / TechTudo)

150 empresas já aceitam Bitcoin no Brasil

"Qualquer moeda é uma convenção social", explica o entusiasta. As pessoas usam uma nota de R$ 2 como dinheiro porque acreditam que aquele pedaço de papel vale R$ 2. Logo, se lojas e serviços passam a aceitar Bitcoins como forma de pagamento, eles estão reconhecendo o Bitcoin como moeda, com valor de verdade.

Isso já está acontecendo: no Brasil, há 150 pequenas empresas que aceitam Bitcoin, como empresas de tecnologia, bares e até taxistas. No mundo, milhões de pessoas entraram na onda, principalmente na China (onde estão cerca de 70% das reservas de Bitcoin do mundo, apesar do governo local restringir o seu uso). A fabricante de computadores Dell já aceita que você faça compras online com Bitcoins. E, se uma empresa do tamanho da Dell já entrou nessa onda, é porque a coisa é séria.

Mas, qual é o grande barato do Bitcoin? O mesmo que o dos softwares livres: quem tem o controle é o usuário. O dinheiro virtual não passa por bancos, nem é regulado por governos. Quem gerencia a movimentação de dinheiro é a própria comunidade virtual. Usuários podem emprestar Bitcoins uns aos outros, mediante suas próprias taxas de juros e seus próprios prazos. O empréstimo é descentralizado.

Bitcoin é tema de debate no FISL (Foto: Divulgação/FISL)Bitcoin é tema de debate no FISL (Foto: Divulgação/FISL)

Descentralização da moeda

Descentralizada também é a fabricação da moeda. Quem “imprime” o  Bitcoin são os próprios usuários, através de uma atividade chamada “mineração”. Na teoria, qualquer um pode minerar bitcoins, o que exige apenas capacidade de processamento do computador. No caso, muita capacidade: para evitar que todo mundo fique rico e que, por consequência, o Bitcoin perca seu valor, há um limite de 21 milhões de Bitcoins em circulação.

Além disso, o Bitcoin funciona de um modo que, quanto maior o número de usuários existentes, mais pesado é o processamento da mineração e mais energia é gasta para isso. Logo, somente aquelas pessoas que investirem somas vultuosas de dinheiro para comprar vários computadores dedicados a minerar bitcoins 24 horas por dia conseguirão obter algum lucro da atividade.

“Minerar bitcoins é um investimento. Tem que investir de um milhão para cima. Em lugares como o Brasil, que a energia é cara, não compensa. É como ter vários chuveiros elétricos ligados em casa o dia inteiro”, explica Crippa.

Dinheiro virtual, ajuda real

Um dos usos mais legais do dinheiro virtual é para realizar doações internacionais a pessoas que vivem em situações de vulnerabilidade ao redor do mundo.

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Segundo Crippa, cerca de US$ 700 milhões em doações são enviados à Uganda todo ano por ex-moradores às suas famílias, mas as taxas de transferência abocanham de 10% a 20% desse valor. Como o Bitcoin não é regulado, não há taxas, e o valor que chega à outra ponta é integral.

Dinheiro virtual, problemas reais

Mas nem tudo são flores: um dinheiro completamente desregulado e virtual gera alguns problemas, como os listados abaixo:

1) Por serem de difícil controle, moedas virtuais são um ótimo meio para lavar dinheiro;

2) Governos não têm como cobrar impostos sobre a moeda virtual. Isso pode virar um problema num possível futuro onde o uso da moeda virtual rivalizar com o da moeda real, a ponto de prejudicar a arrecadação pública;

3) O valor do Bitcoin é volátil. O câmbio da moeda ainda não está estabilizado. Em 2013 houve uma valorização de 5.000% no valor do Bitcoin, e nada indica que isso não possa acontecer de novo.

Bitcoin, onde encontrar?

Quer saber mais? Crippa sugere ainda alguns sites e entusiastas locais como BitkoinsTV Bitcoin Brasil no YouTube, a Bitpédia, uma enciclopédia virtual do Bitcoin em português, Weusecoins, site para começar a sua carteira de moedas virtuais, Mercado Bitcoin, para compra e venda de Bitcoins e o trio BTC Lending, BTCLend e BTCJam, que são sistemas de empréstimo de Bitcoins online.

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  • Foster
    2015-07-09T15:58:23

    Excelente para lavar dinheiro.