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18/11/2015 12h42 - Atualizado em 05/01/2016 18h50

Snapdragon 820: entenda as tecnologias que fazem do chip um ‘monstro’

Fabrício Vitorino
por
De Nova York, Estados Unidos*

O lançamento do processador Snapdragon 820, da Qualcomm é um dos fatos mais importantes do mercado de tecnologia do ano. Depois da frustração com o Snapdragon 810, a empresa de San Diego trouxe o novo “sistema em um chip” para tentar recuperar o tempo perdido. Afinal, no mundo da tecnologia, só há uma forma de se redimir de um fracasso: fazendo um novo produto fantástico.

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O anúncio feito na semana passada, em Nova York, não trouxe grandes novidades. Afinal, todos os rumores já davam conta de que o processador gráfico Adreno 530 seria 40% mais veloz que o do 810, que o modem do 820 teria velocidades de até 600 Mb/s, seria mais econômico em termos de energia e teria algum grau de inteligência para detectar vírus.

Snapdragon 820: modem promete velocidades surpreendentes (Foto: Fabrício Vitorino / TechTudo)Snapdragon 820: modem promete velocidades surpreendentes (Foto: Fabrício Vitorino / TechTudo)


Falando em inteligência, enfim, a plataforma cognitiva Zeroth está madura. Simplificando, trata-se de usar o poder de processamento heterogêneo (os muitos núcleos) para “pensar”. Parece assustador, mas sim, seu Snapdragon 820 vai estar consciente, reconhecendo cenas, textos, rostos, gestos, expressões, adaptando áudio aos seus movimentos, aprendendo e tomando decisões.

A Qualcomm está mesmo semeando a nova inteligência artificial nos smartphones. E parece uma questão de tempo até o Zeroth virar seu assistente pessoal.

Agora, formalmente apresentados ao Snapdragon 820, já podemos entender quais são suas aplicações práticas nos futuros dispositivos móveis – tablets e smartphones.

1. Processador mais rápido e mais eficiente

Como era de se esperar, o 820 é mais rápido que seu antecessor. Mas isso não significaria nada se ele consumisse mais energia, o que não é o caso: segundo a Qualcomm, o 820 chega a ser duas vezes mais rápido que o 810 e consome 30% menos energia.

Isso tem dois impactos: o primeiro, claro, é a vida útil da bateria. Não há forma melhor de manter nossos gadgets longe das tomadas do que otimizando o uso do chip. CPUs mais poderosas, com uso mais racional e eficiente, consomem menos energia. E menos bateria.

Carregamento rápido nativo no Snapdragon 820 em demonstração (Foto: Fabrício Vitorino / TechTudo)Carregamento rápido nativo no Snapdragon 820 em demonstração (Foto: Fabrício Vitorino / TechTudo)



O segundo é menos óbvio, mas não menos importante: um consumo racional tende a levar menos o chip ao limite – logo, gerando menos calor. Conforme os gadgets vão ficando mais finos, há menos espaço para a circulação de ar. Um processador mais eficiente usa menos energia, opera com mais folga e gera menos calor, necessitando de menos energia para dissipá-lo. Afinal, “calor é apenas energia desperdiçada”, conforme disse o presidente da Qualcomm, Tim McDonough.

O novo processador também tem a seu a tecnologia de 14 nanômetros FinFET. Ele ainda conta com o Quick Charge 3.0 nativo, que permite que o smartphone carregue de 0% a 80% em cerca de 30 minutos (estamos falando de baterias com média de 2.500 mAh). O Quick Charge é 100% compatível com a Power Mate, de forma que os “carregadores” podem ser embutidos em tecidos, móveis ou mesmo em outros gadgets.

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2. Melhores conexões

O Snapdragon 820 vem com três cartas na manga: o LTE-U, o WiFi Calling e uma nova versão da tecnologia “Trusignal”. O primeiro é simples: permite que as operadoras usem espectro Wi-Fi para “acelerar” as conexões. Já o segundo é uma evolução da tecnologia que permite fazer ligações convencionais via Wi-Fi ou LTE sem engasgos. Já a Trusignal otimiza o uso da antena.

Leitor de digitais ultrassom não depende de sensores físicos (Foto: Fabrício Vitorino / TechTudo)Leitor de digitais ultrassom não depende de sensores físicos (Foto: Fabrício Vitorino / TechTudo)


3. Leitor de digital rápido

A Sense ID – ou escaneamento de digitais usando ultrassom – já havia sido revelada pela Qualcomm no início deste ano, na feira Mobile World Congress, mas só agora pudemos conferir a novidade. Basicamente, ela detecta suas digitais independentemente do nível de obstrução (poeira, sujeira e suor) e pode ser incluída em praticamente qualquer material – no caso dos smartphones, em qualquer lugar –, já que ela pode ler as digitais através de vidro ou metal.

A tecnologia é mais veloz do que o Touch ID da Apple e os leitores biométricos da Huawei, Samsung e OnePlus, os mais notáveis do mercado.

Snapdragon 820 é capaz de identificar códigos maliciosos novos (Foto: Fabrício Vitorino / TechTudo)Snapdragon 820 é capaz de identificar códigos maliciosos novos (Foto: Fabrício Vitorino / TechTudo)

4. Antivírus e detecção de malware “nativos” no chip

A tecnologia SmartProtect usa inteligência artificial do Zeroth – com aprendizado da máquina – para detectar ameaças. Ou seja, em vez de escanear cada arquivo do aparelho, o Snapdragon 820 consegue detectar novas formas de ameaça e explicar seus riscos. Combinado com bancos de dados de empresas de segurança, pode ser um passo gigantesco para o fim dos vírus.

Basta imaginar o ciclo de vida dos malwares: alguém cria um código malicioso novo para uma aplicação. A “vacina” é criada apenas depois que o estrago é feito. Com o chip aprendendo a reconhecer malwares por si só, o ciclo, finalmente, pode ser quebrado – com novas ameaças sendo eliminadas instantaneamente.

5. Gigas de velocidade com o 802.11ad

Enquanto outras fabricantes começam a adotar o impressionante 802.11ac, a Qualcomm já está trabalhando no 802.11ad. O Snapdragon 820 deve estar pronto para o novo padrão, que tem potencial para inimagináveis 6 Gb/s e conectividade tri-banda.

A velocidade em questão será improvável num futuro próximo, mas devemos ter velocidades batendo 1 Gb/s já nos próximos anos em nossos smartphones. A aplicação prática disso? Uma sigla: 4K. Na demonstração da Qualcomm, um vídeo na impressionante resolução rodou, via streaming e sem qualquer engasgo, de um telefone para uma TV, via dock 802.11ad.

Correção de luz nativa no Snapdragon 820: efeito pode ser visto à direita (Foto: Fabrício Vitorino / TechTudo)Correção de luz nativa no Snapdragon 820: efeito pode ser visto à direita (Foto: Fabrício Vitorino / TechTudo)

6. Correção de fotos via hardware

Fotos em condições ruins de luz são um problema para os smartphones. Suas lentes pequenas tendem a não conseguir resolver essa questão. Por isso, a Qualcomm trabalhou no Hexagon 680 dsp, que oferece correção de brilho e de ruído – e funciona também em vídeos.

É claro, a tecnologia vai depender de um conjunto de lentes, sensores e programas para obter um resultado ideal, mas já se trata de um enorme avanço. Vale lembrar que quando o processador faz isso de forma eficiente, o gadget tende a usar menos o software. O resultado prático é o uso de menos energia

Além disso, novamente via Zeroth, o 820 é capaz de identificar rostos, paisagens, lugares e até mesmo pratos de comida. E agrupar suas fotos a partir de temas que você escolher.

7. Realidade virtual e 4K

Novamente, o 4K. E, com ele, temos a realidade virtual. O processador gráfico (GPU) Adreno 530 é pensado, desde seu nascimento, para realidade virtual. Nas demonstrações, os resultados impressionantes e sem engasgos – com texturas, reflexos e perspectivas – estão acima do que se pode esperar para um smartphone.

Tendo em vista que os principais gadgets VR são baseados no poder de processamento do smartphone, o 820 tende a ser o cenário ideal.

O 4K não podia ficar de fora: o novo Snapgradon consegue controlar telas com resolução 4K nos smartphones e em monitores externos. Pode parecer exagero, mas a sanha da ultrarresolução está aí para ficar. Alguém consegue imaginar algo menor que 4K nos próximos dois anos?

*O jornalista viajou para Nova York a convite da Qualcomm

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