Celular

22/09/2016 06h00 - Atualizado em 23/09/2016 11h44

Cineastas que filmaram com smartphones ensinam truques de bastidores

Luciana Maline
por
Da redação

A luz pode ser natural. A câmera? Um smartphone. E resto fica por conta da ação de inovar. Com a evolução das câmeras de celular, que hoje gravam em até 4K, os aparelhos surgem como alternativa para o mercado cinematográfico, que economiza na produção e não perde em qualidade final. 

Conheça os celulares com as seis melhores câmeras à venda no Brasil

Foi essa a ideia do cineasta Frank Mora, diretor e idealizador do filme Charlote SP, primeiro longa-metragem nacional totalmente gravado com iPhone (nas versões 4S, 5S e 6). O filme entra em cartaz nesta quinta-feira (22), nos cinemas do Rio de Janeiro, São Paulo, Salvador, Porto Alegre, Brasília, Curitiba e Belo Horizonte.

Com qualidade cada vez melhor, câmeras de smartphones estão sendo usadas até mesmo no cinema (Foto: Luciana Maline/TechTudo)Com qualidade cada vez melhor, câmeras de smartphones estão sendo usadas até mesmo no cinema (Foto: Luciana Maline/TechTudo)


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"Charlote SP" conta a história de uma modelo internacional que volta do exterior para sua cidade de origem, e tem como cenário principal São Paulo. Segundo o diretor, gravar com um smartphone em ambiente de movimentação popular foi a escolha certa para dar espontaneidade ao processo de criação. "A maior vantagem foi a mobilidade e certos takes só foram possíveis por isso. Poder filmar sem um aparato normal de set foi muito libertador. Ninguém percebe que você esta fazendo um filme", lembrou.

Para não perder a viagem, o TechTudo pediu ao Frank algumas dicas para gravar melhor com o iPhone.

O cineasta Frank Mora durante a gravação do filme Charlotte SP, totalmente gravado com iPhone (Foto: Divulgação/Raul Raichtaler)O cineasta Frank Mora durante a gravação do filme Charlote SP, totalmente gravado com iPhone (Foto: Divulgação/Raul Raichtaler)


Para não tremer

Comparados a estrutura mais robusta de uma câmera profissional ou até uma DSLR, os smartphones são mais leves e têm medidas bem mais modestas. Se, por um lado eles ficam mais portáteis, também deixam a "pegada" menos confortável e tendem a tremer com mais facilidade. Imagine, então, em espaços de públicos de uma grande metrópole, que tende a esbarrões. 

Para isso, o diretor utilizou um estabilizador da ALM, o ALM mCAMLITE, que ainda vem com um jogo de lentes (uma grande angular e uma teleobjetiva) adaptado aos modelos de smartphone. O produto não está à venda no Brasil, mas, a versão mais recente para iPhone 6S pode ser encontrada em sites de vendas norte-americanos por cerca de US$ 132 (aproximadamente, R$ 432, em conversão direta). 

O diretor utilizou o grip da ALM para evitar esbarrões e imagens tremidas (Foto: Divulgação/Raul Raichtaler)O diretor utilizou o grip da ALM para evitar esbarrões e imagens tremidas (Foto: Divulgação/Raul Raichtaler)


Alguns modelos que já chegaram por aqui também podem ajudar na hora de capturar imagens para vídeos. É o caso do estabilizador de três eixos Feiyu Tech G4 Pro para iPhone, que custa R$ 2.899, na loja online da Apple. Para quem quer uma opção mais em conta, mas com menos recursos e medidas menos discretas, há o Steadicam Steadycam, por R$148, e funciona para celulares com Android, iPhone e GoPro. 

Para controlar a iluminação

As restrições criativas trazidas pela câmera automática do iPhone também tiveram solução. Frank optou por usar o app FiLMiC Pro. Disponível para iPhone (iOS) e Android, o aplicativo é pago e custa R$35,99. Apesar do valor, segundo o diretor, o resultado final é favorável e “deixa o celular como uma câmera quase completa em termos de presets profissionais. Com ele, é possível bater branco e tudo mais”, acrescenta.  

FilMic Pro (Foto: Reprodução/Lucas Mendes)FilMic Pro em ação; aplicativo apresenta diversas funções de uma câmera profissional (Foto: Reprodução/Lucas Mendes)


O FiLMic Pro possui recursos avançados para utilização de câmera, com controle de zoom, além de ajustes manuais, como temperatura, matiz, exposição, ISO, velocidade do obturador e foco. Além disso, o app se destaca por oferecer opções de codificação, sete tipos de resolução, além de recursos de monitoramento de áudio mais avançados do que os aplicativos costumam oferecer.

Veja também alguns outros aplicativos para gravar vídeos com o iPhone. 

Para editar

No quesito resolução de imagem, Mora garantiu que os telefones não deixaram a desejar. "Escolhemos smartphones com resolução Full HD, que já bastava para que eles pudesse usar os recursos normais de edição, comum a qualquer produção", recordou. Para a montagem e finalização, no entanto, os celulares ficaram de lado e os softwares selecionados foram os tradicionais Final Cut Pro , disponível computadores da Apple, e o After Effects, com licenças para diversos notebooks e desktops. 

O desafio mesmo ficou por conta da captação de áudio, feita diretamente dos iPhones, que só foi solucionado pela equipe de pós-produção. "Só conseguimos realmente detectar prejuízo no som que captação direta dos aparelhos ocasiona na pós-produção. Tivemos que buscar especialistas para reparar os 'chiados'", disse Frank. 

TANGERINE; DO CELULAR AO FESTIVAL DE SUNDANCE,SEM PROBLEMAS TÉCNICOS

A ideia de gravar um longa-metragem com celular voltou ao estrelato recentemente com o lançamento de "Tangerine", em 2015, do diretor Sean Baker. Com currículo premiado, o filme caiu nas graças da crítica durante o Festival de Sundance 2015 e conquistou o Prêmio Felix, no Festival do Rio de 2015. Para Baker, a substituição das câmeras convencionais por smartphones teve seu papel no sucesso do produto final. "No elenco, havia muitos atores e atrizes iniciantes e o uso dos celulares ajudou a deixá-los mais à vontade", recordou.

Bastidores do filme Tangerine, totalmente gravado com iPhone (Foto: Divulgação/ Sean Baker )Bastidores do filme Tangerine, totalmente gravado com iPhone (Foto: Divulgação/ Sean Baker )

Em conversa com o TechTudo, o diretor também revelou alguns detalhes da produção, que contou com mais recursos do que "Charlote SP". Para manter a qualidade do áudio, por exemplo, Sean usou microfones específicos para diversos tipos de situação, mas não estavam ligados diretamente aos celulares. Para captar o diálogo entre personagens, ele utilizou lapelas do tipo Sanken COS-11D, que custam cerca de US$ 380, nos EUA (R$ 1.300), além de microfones direcionais (shotgun) como o Schoeps CMC 4U, por US$ 400 (R$1.500), para ambientes menores e com teto baixo. 

Para dar uma força aos viodeomarkers, selecionamos três modelos de microfones compatíveis com smartphones à venda no Brasil. Aos interessados em um microfone de lapela, há o Shure MOTIV Lapela MVL, um condensador omnidirecional MVL e tem a praticidade de se conectar diretamente a um smartphone com Android ou iPhone. Ele custa R$ 580 nas lojas oficiais da Shure, mas pode ser encontrado por até R$ 350 em sites especializados.

Quer saber como o Shure MOTIV Lapela MVL funciona? O TechTudo fez o teste

Shure Lapela MVL é super prático, leve, pequeno e se conecta ao seu celular (Foto: Melissa Cruz / TechTudo)Shure Lapela MVL é super prático, leve, pequeno e se conecta ao seu celular (Foto: Melissa Cruz / TechTudo)


Já para quem precisa de um microfone ambiente para acoplar ao smartphone, há o MOTIV MV88, que captura som estéreo e digital para iPhone. Com ajuda de um app dedicado a linha, é possível acessar os cinco modos DSP pré-definidos, equalizador de cinco bandas, controle de largura de estéreo e outros recursos avançados. O preço é de R$ 1.252.

Vale lembrar que o primeiro longa-metragem totalmente gravado com smarphone - um Nokia N8, no caso - foi "Olive", do diretor Hooman Khalili. Lançado em 2011, Khalili contou com uma estrutura especial para realizar a captação; um suporte para o smartphone da Nokia, onde a lente auxiliar é alinhada à lente da câmera do telefone. Toda a ação foi captada pela lente do dispositivo móvel. 

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  • Tiago Oliveira
    2016-10-11T11:14:03

    O que é preciso está na cabeça do diretor e menos nos equipamentos. Equipamento apenas melhora o desempenho dos gênio da imagem.