Computadores

19/11/2016 07h00 - Atualizado em 28/07/2017 12h51

Primeiro processador da Intel comemora 45 anos; conheça trajetória

Filipe Garrett
por
Para o TechTudo

Em 1971, a Intel lançou o 4004, primeiro microprocessador da marca e que significaria uma revolução na computação: o chip tornaria a fabricação desse tipo de componente em larga escala uma realidade e seria o primeiro produto bem-sucedido da Intel. O lançamento abriu espaço para o 8008, processador de 8 bits que viria em 1972, e estaria intimamente ligado com a popularização do computador pessoal.

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A seguir, vamos relembrar momentos marcantes da trajetória de 45 anos dos processadores da Intel, que estão diretamente ligados com a forma pela qual usamos computadores e interagimos com a tecnologia.

Intel 4004

4004 foi o primeiro processador da Intel, usado em calculadoras (Foto: Divulgação/Intel)4004 foi o primeiro processador da Intel, usado em calculadoras (Foto: Divulgação/Intel)

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Com 2.300 transistores, velocidades na casa dos 0,7 MHz (ou 700 KHz), o 4004 era um processador de 4 bits usado em calculadoras, principalmente. O chip tinha uma arquitetura de 10 microns, gigante para os 14 nanômetros dos processadores atuais. 

Intel 8008 e 8080

O 8080 e, em especial, o 8086, foram decisivos na popularização do computador (Foto: Reprodução/Wikimedia)O 8080 e, em especial, o 8086, foram decisivos na popularização do computador (Foto: Reprodução/Wikimedia)

O processador rodava com velocidades que variavam dependendo da versão: unidades iniciais tinham clock de 500 KHz (quilohertz!), mais tarde elevado para 800 KHz. O processador tinha 3.500 transistores (um processador de sétima geração da Intel passa fácil da casa dos 1.7 bilhão de transistores). O 8080, lançado em 1974, era um salto sobre a base do 8008, tinha velocidade bem maior de 2 MHz e foi uma das primeiras CPUs usadas em larga escala.

O 4004 foi o primeiro e o 8008 uma evolução decisiva, mas o 8080 pode ser visto como a base real do que a Intel acabou se tornando ao longo das décadas, já que foi a primeira CPU da marca a se dar bem com PCs e a ajudar a empurrar a ideia do computador para as massas.

Nasce o x86

Quem usou computadores nos anos 1990 deve ter ouvido falar sobre processadores 386, 486, dentro outros. Esses números eram, na realidade, a nomenclatura que a Intel dava a suas CPUs, a contar do 8086, lançado em 1978, e que foi a CPU escolhida pela IBM para o primeiro, e histórico, PC.

A linha 286 continuaria ao longo dos anos 1980 com lançamentos que traziam progressos em cima das versões anteriores, sempre permitindo compatibilidade entre software que rodasse nos x86 de todas as idades – fator que foi um diferencial importante da Intel na época.

Em 1982, o 80286 seria o primeiro processador 16 bits com 134.000 transistores. O 386, de 1985, já oferecia o salto para o 32 bits que viraria um modelo, apenas em 2004 a AMD lançaria a primeira CPU 64 bits.

O poderoso (para a época) e versátil 486

Fabricado por diversas marcas diferentes, o 486 dominou o mercado no começo dos anos 1990 (Foto: Reprodução/Wikimedia)Fabricado por diversas marcas diferentes, o 486 dominou o mercado no começo dos anos 1990 (Foto: Reprodução/Wikimedia)

O 486, ao menos no Brasil, foi sinônimo de computador pessoal por muito tempo, mesmo que no fim das contas o processador em questão fosse de outra origem que não a Intel (a AMD, Texas Instruments e uma porção de outros fabricantes mais obscuros licenciaram e fabricaram o chip). O 486 tinha um perfil de desempenho muito bom para época e preço baixo, graças à grande quantidade de revisões promovidas pela Intel e pela competição dos vários fabricantes.

 Presente em uma enorme quantidade de computadores, o processador durou bastante no mercado, e podia ser encontrado em versões com de 20 a 66 MHz, embora os DX2 de 33/66 MHz (com o famoso botão Turbo no gabinete), sejam os mais lembrados.

O primeiro Pentium

Quando surgiu, em 1993, o Pentium era cinco vezes mais rápido do que o melhor 486 que você pudesse encontrar. Isso tornou a CPU um item cobiçado instantaneamente e manteve a Intel como fabricante de preferência para quem procurava a melhor performance possível para o PC. Hoje é um processador de entrada, longe de ser o ideal para quem busca a melhor performance possível.

O Pentium tinha entre 33 e 66 MHz, mas era mais rápido pela introdução do MMX, uma tecnologia que melhorava a agilidade da CPU com o uso de cache e outras melhorias, ausentes no 486. Uma curiosidade: o nome é Pentium, e não 586, porque a Intel descobriu que não podia registrar algarismos como uma marca sua. Pentium é derivado da palavra grega “penta”, em referência ao que seria a quinta geração dos x86.

Celeron e Xeon

Em 1998, a Intel apresenta dois novos produtos: o Celeron, presente até hoje, como CPU barata voltada ao mercado de entrada. E o Xeon, processador de alto desempenho, direcionado para estações de trabalho e servidores.

Pentium 4

O Pentium 4 não impressionou pelo desempenho, mas trouxe número recorde de transistores (Foto: Divulgação/Intel)O Pentium 4 não impressionou pelo desempenho, mas trouxe número recorde de transistores (Foto: Divulgação/Intel)

O Pentium 4 não foi necessariamente um processador revolucionário e que marcou história (era batido pelo Athlon da AMD), mas entra para a nossa lista por conta de um número impressionante: ele tinha 42 milhões de transistores, o 4004, que começou a história toda, tinha 2.300.

Core 2 Duo e Core 2 Quad

O Core2 Duo apareceu em 2006 e trouxe o design multicore para a Intel (Foto: Filipe Garrett/TechTudo)O Core2 Duo apareceu em 2006 e trouxe o design multicore para a Intel (Foto: Filipe Garrett/TechTudo)

Os anos 2000 não foram de clara dominância da Intel, já que a AMD incomodou em vários momentos, inclusive tendo a chance de inovar mais com o lançamento dos primeiros processadores de 64 bits e do primeiro dual-core. Em 2006, a Intel igualaria na questão dos vários núcleos com a linha Core 2 Duo.

Em 2007, no entanto, com a mudança de arquitetura, os processadores de vários núcleos da Intel começariam a recuperar terreno. Com 45 nanômetros, as novas CPUs teriam mais de 2 milhões de transistores e relação de performance/consumo melhor do que a concorrência, algo que se mantém até hoje.

Nehalem e a chegada dos i3, i5 e i7

Em 2008, a nova arquitetura da Intel levava o nome de Nehalen e promovia nova mudança de nomes: os processadores agora eram os i3, i5 e i7, todos multicores e com diferenças de performance e preço, segmentando de forma clara as linhas de acordo com o bolso do consumidor: i3 para máquinas econômicas, i5 para intermediárias e os i7 para as top de linha.

Core i3

Sob essa nomenclatura, a Intel lança CPUs de dois núcleos destinadas a usuários menos exigentes e ao mercado de entrada, tendo especial aplicação em computadores de perfil corporativo. Em geral, os Core i3 oferecem velocidades menores, menor consumo elétrico e acesso a um conjunto de tecnologias mais restrito do que aquele oferecido nos processadores mais caros, como os Core i5 e Core i7. Os i3 foram lançados em janeiro de 2010, oriundos da chama arquitetura Nehalem da Intel.

Atualmente, estamos na sétima geração dessas CPUs, sob a arquitetura Kaby Lake, de 14 nm. São 10 modelos de processadores diferentes, divididos entre oito unidades para desktops e duas versões para notebooks, com velocidades que saem de 2.4 e chegam a 4.2 GHz no i3 7350K, o Core i3 mais poderoso. Os preços dos i3 variam na faixa que começa nos R$ 400, para unidades de arquiteturas mais antigas ainda no mercado, e chegam perto dos R$ 1.000 para os processadores mais atuais.

Core i5

Posicionado como intermediário na série de processadores da Intel, o i5 estreou em setembro de 2009. O típico Core i5 conta com quatro núcleos e um repertório tecnológico superior aos i3. Além disso, esses processadores tendem a ser mais rápidos e costumam ser incluídos em linhas especiais lançadas pela Intel voltadas a entusiastas e gamers.

Na atual sétima geração, a Intel oferece 17 Core i5 diferentes, entre versões para notebooks e para desktops. O mais poderoso deles é o 7600K, que aceita overclock, e roda em velocidades que saem de 3.8 e chegam a 4.1 GHz. O preço médio dos Core i5 sai dos R$ 700 e chega aos R$ 1.100.

Core i7

Lançado em 2008, o Core i7 foi apresentado como a nova aposta da Intel para processadores de alto desempenho. Essas CPUs contam com um mínimo de quatro núcleos, embora existam versões com seis, oito e dez cores. No momento, são 13 Core i7 diferentes no mercado, entre unidades para desktops e para notebooks.

Os processadores i7 são os mais rápidos, caros e avançados oferecidos para Intel voltados para o consumidor doméstico. Agregam as tecnologias mais avançadas da marca e oferecem sempre o melhor desempenho possível a cada geração. O preço sai dos R$ 1.200 e pode chegar aos R$ 10 mil para as versões Extreme com dez núcleos.

Core i9

Ao contrário dos demais, os i9 não surgiram em 2010: anunciados em maio, os novos Core i9 são uma aposta da Intel para consumidores que exigem altíssimo desempenho. Nesse sentido, os processadores se destacam pela alta velocidade de processamento aliada com uma grande quantidade de núcleos: 10, 12, 14, 16 e 18 cores.

Os Core i9 pertencem apenas à linha Extreme de processadores da Intel e são tidos como produtos bastante exclusivos, já que custam caro e exigem placas-mãe compatíveis com o soquete LGA2066. A maioria dessas CPUs ainda não chegaram ao mercado, mas lojas brasileiras já colocam o preço do Core i9 7900X, com 10 núcleos, o mais fraco da série com, a R$ 4.300.

Transistores em 3D

Em 2012, a Intel estreou aquela que seria a segunda geração de seus novos processadores, na arquitetura Sandy Bridge. Trata-se de uma linha muito importante, porque trouxe a introdução dos transistores tridimensionais, que elevam a densidade desses componentes no chip, ajudando a diminuir o consumo e elevar a performance da CPU.

A nova doutrina de design de microchips criada pela Intel acabaria virando um modelo: o conceito do transistor tridimensional está presente, hoje, em módulos de memória, GPUs, processadores ARM de celulares, videogames e em SSDs.

Presente

Ao contrário de 1971, quando vendia apenas o 4004, hoje a Intel tem diversas linhas de processadores, desde chips especializados e baratos a versões para o mercado de massa (Foto: Filipe Garrett/TechTudo)Ao contrário de 1971, quando vendia apenas o 4004, hoje a Intel tem diversas linhas de processadores, desde chips especializados e baratos a versões para o mercado de massa (Foto: Filipe Garrett/TechTudo)


Hoje, os processadores da Intel das linhas i3, i5 e i7 são parte da arquitetura Kaby Lake de 14 nm, também conhecida como “sétima geração”. Em relação ao que veio antes, eles apresentam performance gráfica bastante superior, mas não são uma inovação muito grande em relação à sexta, quinta e quarta gerações.

No momento, atravessamos um período de transição com o mercado se preparando para chegada da oitava geração de processadores da Intel, chamada de Coffee Lake. Além disso, há grande expectativa em torno da série Skylake-X, ou Extreme, que traz para o mercado os primeiros Core i9, com sua contagem de núcleos que rivaliza com alguns dos Xeon mais poderosos da Intel.

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Futuro

Se o futuro imediato está na oitava geração e no lançamento das CPUs i9, o médio e longo prazo reserva uma série de desafios interessantes para a Intel e a indústria dos semicondutores como um todo. Desafios tecnológicos enormes, como a manufatura de circuitos em escalas menores do que 5 ou 7 nanômetros podem conduzir a indústria da tecnologia para uma fase de transformações na busca de um novo material e padrão tecnológico que permita avanços significativos.

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  • Renato Gerk
    2016-11-20T18:33:09  

    Futuro: após a arquitetura Canonlake de 10nm, que será lançada em 2017, a era do silício vai acabar pois as próximas arquiteturas com 7nm em 2019 e com 5nm em 2021 serão feitas com outro material, talvez Indium Gallium Arsenide, e após 2023 ou 2025 a era do Carbono vai começar com 3nm, 2nm e 1,2nm quando teremos os nanoprocessadores feitos de nanotubos de carbono. A partir de 2027 a tendência será aumentar o tamanho dos processadores de octa-core (8) para 16core (hexadeca-core), 32core (trigintaduo-core), 64core, 128core, 256core, 512core, ...

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    • Renato Gerk
      2016-11-20T18:33:09  

      Core q senão vc fica prá traz, viu meu rapaz! Afinal, quem não Core, More.

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    • Renato Gerk
      2016-11-20T18:33:09  

      AMD Ever!