Placas

NOTA tt
8.0

Review AMD R9 290X

Confira o teste do TechTudo com a nova placa top de linha da AMD. Dispositivo tem potência aliada à economia de energia.

Renato Bazan
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A R9 290X é uma placa de vídeo da AMD que chegou com a promessa de conquistar o público gamer hardcore. Com promessa de excelentes gráficos e um bom gerenciamento de energia, o componente é capaz de enfrentar as principais concorrentes do mercado com preço atraente. O TechTudo teve acesso à nova aposta da AMD e traz o teste completo com a R9 290X.

R9 290X, da AMD, tem potência de top de linha mas investe no gerenciamento de energia (Foto: Renato Bazan/TechTudo)R9 290X, da AMD, tem potência de top de linha mas investe no gerenciamento de energia (Foto: Renato Bazan/TechTudo)

O que a R9 290X tem de diferente?

Desde que a AMD anunciou as primeiras placas de vídeo com a arquitetura Hawaii, muito se tem especulado quanto às ambições da empresa. O espanto não é infundado: nos anos recentes, tudo o que a AMD tem feito no ramo de placas de vídeo se resume à complexidade crescente de seus chips, que aumentam de potência na mesma proporção do crescimento no tamanho das placas e do consumo energético. Dos 100W necessários poucos anos atrás, uma placa atual da família Radeon chega a pedir mais de 400W sozinha. É exatamente isso que a R9 290X tenta reverter.

A R9 290X é uma surpresa em muitos aspectos, a começar pelo fato de ser o primeiro experimento da AMD com arquitetura heterogênea entre os modelos de elite. Isso significa que seus 4 GB de memória GDDR5 podem ser usados livremente tanto por seus processadores internos quanto pelo CPU central do PC, havendo portanto muito menos bytes correndo por aí. Na prática, há uma queda drástica de mais de 40% no consumo de energia, que diminui também o superaquecimento do sistema e a necessidade de dissipação. O resultado final é assustador: 2.816 processadores internos construídos por 6,2 bilhões de transístores.

Desempenho gráfico

Vendida na faixa de R$ 2.500, a R9 290X se destaca imediatamente por ter sido apontada internacionalmente como a “Titan Killer” da AMD, em alusão à superplaca GTX Titan, da rival NVidia. De fato, apesar de a Titan ser precificada a enormes R$ 4 mil, testes mostram que as duas têm performances muito similares, exceto nos para os quais a Titan recebeu otimização (Crysis 3 é o mais dramático, nesse sentido).

Nova linha completa divulgada pela AMD (Foto: Divulgação)R9 290X é a placa mais poderosa da nova linha da AMD (Foto: Divulgação/AMD)

A 290X tem sido vendida pela AMD como sua alternativa facilitada para a resolução 4K. De fábrica, ela vem pronta para lidar com resoluções que superam em muito os habituais 1920x1080p, incluindo 3840x2160p, e até mesmo sua forma de trabalhar em conjunto com outras placas foi redesenhada, abandonando a ponte CrossFire da família Radeon em prol da nova tecnologia xDMA: uma comunicação que acontece pelo próprio PCI Express.

Seu controlador de pixels, igualmente, tem fluxo de 600 MHz, permitindo que mesmo uma única placa lide com super resoluções sem gargalos. Isso se traduz em muito menos dor de cabeça e problemas de comunicação na hora de instalar máquinas com vários displays.

A análise de performance da 290X provou-se um desafio, é bom dizer: pela generosidade de seus componentes, todo e qualquer jogo rodou sem soluçar em Full HD. Crysis 3, Battlefield 4, Sleeping Dogs, Tomb Raider: nenhum deles caiu uma vez sequer abaixo dos 60 quadros por segundo, mesmo com as configurações gráficas no máximo. Para abusar da nova placa, executamos os jogos novamente, e em super-resoluções, até que ela mostrasse o cansaço, mas não foi fácil: na maioria dos jogos, ela segura taxas próximas de 60 quadros por segundo mesmo em Ultra HD.

Novas série de placas de vídeo da AMD ganham melhor desempenho e voltam para briga dos modelos tops (Foto: TechTudo/Isadora Díaz)Novas série de placas de vídeo da AMD ganham melhor desempenho e voltam para briga dos modelos tops (Foto: TechTudo/Isadora Díaz)

Battlefield 4 complicou as coisas, puxando a performance para vales de até 24.1 fps em momento de ação intensa. Já BioShock Infinite, que tem trabalho visual pesadíssimo, nunca foi abaixo de 55.5 fps (em 1080p, alías, atingiu 171 fps). Outros jogos que abusaram da 290X foram Metro: Last Light, Far Cry 3 e Hitman: Absolution, também forçando o jogo em 4K para taxas de quadro inferiores a 24 por segundo.

Esses testes confirmam a posição pretendida pela R9 290X. Em termos de força bruta, há apenas uma placa de vídeo da AMD que a supera: a Radeon HD 7990. Essa comparação, no entanto, esquece de mencionar que a placa mais avançada da geração 7 tem consumo de 400W durante uso intenso, enquanto a R9 é desenhada para manter mais suaves 220W. São duas propostas muito diferentes e, comparada a performance por watt, a 290X certamente leva vantagem.

Aceleração de… som?

Outra novidade que a AMD instalou na primeira geração de GPUs com Hawaii é a ferramenta TrueAudio, que integra três núcleos dedicados à posição espacial dos sons no próprio cálculo gráfico do jogo/aplicativo. A consequência desse truque no mundo real é que a saída de som do computador, se propriamente pareada com os cálculos da GPU, terá uma referência muito mais precisa de que usar caixas de som para simular a distribuição dos efeitos sonoros, já que eles estão misturados nos cálculos de física. Basta saber se a indústria de sofware vai se apoderar do novo recurso, mas ainda é cedo demais para passar veredito.

r9 (Foto: r9)R9 290X, da AMD, traz tecnologia TrueAudio para melhorar a posição espacial do som (Foto: André Fogaça/TechTudo)

Economia de energia e inconsistência de clock

A nova proposta da 290X se diferencia também pela forma como o poder da placa é administrado, já que este é gradualmente liberado à medida que se faz necessário, graças à arquitetura GCN 1.1, que a 290X estreia. A AMD quer construir um hardware que funcione bem tanto num computador desktop, que pode exigir toda a energia que precisar, quanto em laptops e portáteis, que precisam ter máxima eficiência energética.

Com a placa fria em uma situação de descanso, a R9 precisa de apenas 20W para funcionar. Isso se mantém constante durante o uso de simples programas de escritório, navegação pela Internet, uso de som, até mesmo edição de imagens, garantindo uma economia de energia fantástica.

Modelo top de linha Radeon R9 290X (Foto: TechTudo/Isadora Díaz)Radeon R9 290X perde potência com o aumento da temperatura da placa (Foto: TechTudo/Isadora Díaz)

Quando atividades intensas tomam efeito, porém, tudo se transforma, e é aí que surgem seus primeiros dilemas. A placa foi feita para operar a enormes 94ºC, mas essa tolerância se esgota rapidamente: em menos de 10 minutos, ela atinge seu pico e aciona seus mecanismos de dissipação de calor.

Apesar do fan graúdo que ela carrega no corpo, o único modo pelo qual ela consegue manter-se a 94ºC é pela diminuição forçada da potência. O drama não é pouco: embora nossos testes tenham mostrado uma perda de performance de até 8% ao longo de uma partida prolongada de Battlefield 4, há relatos estrangeiros de que ela perca até 27% de seu clock, dependendo do sistema de resfriamento e gabinete.

Os casos de perda de desempenho mais graves parecem convergir para uma questão comum: a relação com o ambiente ao redor do gabinete. Cômodos mais arejados e frios acabam mostrando resultados melhores do que os mais abafados. O problema é que essa é uma característica inóspita para uma placa de vídeo avançada como a R9 290X: ela é altamente influenciada por fatores do ambiente.

Fan da AMD R9 290X gera barulhos incômodos quando ativado (Foto: Renato Bazan/TechTudo)Fan da AMD R9 290X gera barulhos incômodos quando ativado (Foto: Renato Bazan/TechTudo)

Durante o lançamento da 290X no mercado, a AMD tentou solucionar o problema lançando uma atualização do driver Catalyst, com a qual a velocidade do fan pode ser alterada do padrão de 40% para até 100%, possibilitando uma performance a 1.000 MHz por mais tempo.

A opção de aumentar a rotação do fan, no entanto, é meramente paliativa, pois a temperatura do corpo da placa sempre acaba alcançando os 94ºC, forçando-a a desacelerar. Além disso, no período prolongado no qual a rotação extra segura a temperatura gera um barulho inadmissível, que salta dos 33,4 dB em repouso para até 72,9 dB, com fan a 100%. Mantidos os 40%, porém, ela não chega a 45 dB, mas sua performance não ultrapassa os 800 MHz.

Variação entre placas e incompatibilidade

Outro problema que merece ser abordado é o tratamento dado ao firmware e aos drivers da 290X, que causaram alvoroço nos Estados Unidos durante as primeiras semanas dela por lá. A primeira polêmica se instalou quando usuários comuns, ao testarem suas novíssimas R9, descobriram que a performance delas era quase 20% inferior às oferecidas à imprensa, levantando suspeitas de que AMD teria escolhido algumas prodígeis para ocultar a performance real. É provável que algo dessa natureza aconteça também no Brasil, mas descobriu-se que se tratava apenas de um compasso entre a BIOS de cada modelo e que os 20% poderiam ser recuperados com uma atualização.

O segundo ponto é mais complicado de ser resolvido, pois trata da incompatibilidade da nova placa com os softwares que já estão no mercado. Como todo lançamento com nova tecnologia, isso será remediado ao longo do tempo com atualizações e patches, mas o final de 2013 parece turbulento para a 290X.

Em nossos testes, majoritariamente orientados por Battlefield 4, o computador travou mais de uma dezena de vezes ao longo de 23 horas acumuladas de jogo. Mesmo em estado de repouso, na área de trabalho do Windows, o PC congelou duas vezes por conta própria e exigiu um reset.  Isso evidencia um descompasso entre o time de drivers e de hardware da AMD, que já tem certa tradição com novidades disfuncionais.

A AMD vem vendendo a R9 290X como a alternativa fácil para a resolução 4K, sem a necessidade de CrossFire. A placa, por conta própria, dá conta de até 3 monitores (Foto: Divulgação/AMD)A AMD vem vendendo a R9 290X como a alternativa fácil para a resolução 4K, sem a necessidade de CrossFire. A placa, por conta própria, dá conta de até 3 monitores (Foto: Divulgação/AMD)

Para quem quer gastar com gráficos

A decisão pelo uso de uma R9 290X não é tão simples quanto sua propaganda faz parecer. Ao oferecer um desempenho páreo com a GTX Titan, da NVidia, por quase a metade do preço; e superior à concorrente direta GTX 780, ela não deixa dúvidas quanto ao seu lugar de destaque entre as placas de vídeo de 2013, mas suas manias e peculiaridades precisam ser contra-atacadas com otimizações de hardware e de software. Refrigeração customizada e drivers experimentais serão itens obrigatórios de quem optar por ela.

R9 290X, da AMD, tem grande potência, mas enfrenta problemas de incompatibilidade de drivers (Foto: Renato Bazan/TechTudo)R9 290X, da AMD, tem grande potência, mas enfrenta problemas de incompatibilidade de drivers (Foto: Renato Bazan/TechTudo)

Depois de um uso prolongado, a polarização entre quem enfatiza sua potência e quem critica sua altíssima temperatura limite e variância de performance faz sentido. No entanto, o que provavelmente irritará mais o usuário serão as travadas intermitentes que o computador sofrerá por causa das falhas no driver. Para um equipamento com uma etiqueta tão pesada, esse tipo de instabilidade não cai bem.

É preciso observar que, entre a R9 290X e a R9 290, a diferença no resultado é pequena demais para justificar o abismo de preços. A 290, vindo a preços de R$ 1.800 enquanto sua irmã sai por R$2.500, entrega 95% do clock de processamento, 91% do hardware e tem a mesma memória GDDR5 com a mesma largura de dados de 512-bit. Assim como é impossível aconselhar a escolha da GTX Titan sobre a 290X, é pouco vantajoso escolher a 290X em face da 290, pois os ganhos marginais não compensam os R$ 700 a mais.

AMD R9 290X (Foto: TechTudo)

Nota TechTudo

NOTA tt
8.0
Design
8
Funcionalidades
9
Desempenho
9
Custo-benefício
5

Prós

  • * Potência gráfica incrível;
  • * Consumo razoável de energia;
  • * TrueAudio tem potencial para melhorar som surround;
  • * CrossFire substituído por compartilhamento via PCI-Express;
  • * Mais barata que a GTX Titan, mas igualmente poderosa.

Contras

  • * Superaquecimento rápido com perdas notáveis no clock;
  • * Muito ruídos;
  • * Versão para as lojas pode vir com BIOS desatualizada;
  • * Travamentos recorrentes por inconsistências no driver;
  • * Não justifica a diferença de preço com a R9 290.
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